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Francês Patrick Modiano é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura

Jacques Sassier/Divulgação
O escritor francês Patrick Modiano, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura 2014 Imagem: Jacques Sassier/Divulgação

Do UOL, em São Paulo*

09/10/2014 08h03

O escritor francês Patrick Modiano, 69 anos, é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2014. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (9), em Estocolmo, às 8h (horário de Brasília). Além do título, o escritor ganha também 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,1 milhão). Neste ano, a lista contou com 210 indicados, sendo 36 estreantes.

Modiano é considerado o principal escritor francês da atualidade. Paris é um tema recorrente em suas obras. Por ele refletir sobre ruas, pessoas e outros aspectos da capital francesa, críticos dizem que ele está para Paris como Woody Allen está para Nova York. O secretário-permanente da Academia Sueca, Peter Englund, indicou ante a televisão pública SVT que a instituição não conseguiu contactar o vencedor antes do anúncio.

O nobel foi concedido em face "da arte da memória com a qual ele tem evocado o mais insondável dos destinos humanos e revelou a vida-mundo (do período) da ocupação", disse a Academia. O último francês a ganhar o Nobel de Literatura foi Jean-Marie Gustave Le Clézio, em 2008.

Peter Englund, secretário permanente da Academia Sueca, afirmou que Modiano é um nome bem conhecido na França, mas não em todo lugar. Ele escreve livros infantis, roteiros de cinema, mas principalmente romances. Seus temas são memória, identidade e tempo.

O autor teve alguns de seus livros publicados no Brasil, entre eles "Dora Bruder", "Uma Rua de Roma", "Ronda da Noite", "Vila Triste", "Meninos Valentes", "Filomena Firmeza" e "Do Mais Longe ao Esquecimento".

Reflexão sobre a memória

Sua obra mais conhecida, "Uma Rua de Roma" ("Rue des Boutiques Obscures", no título original), vencedor do prêmio Goncourt em 1978, conta a história de um detetive que perdeu a memória e seu caso final é descobrir quem ele realmente é. "É um livro divertido, que brinca com o gênero policial, ao mesmo tempo que diz coisas fundamentais sobre a memória e o tempo. Como uma pessoa preocupada com a memória, o que todos nós somos, ele é tomado pelas tentativas de voltar no tempo, e você pode se identificar com isso, além de sua maneira muito original de fazer isso", disse Englund.

O escritor francês Patrick Modiano não figurava nas listas de apostas de críticos para o Prêmio, que até então mantinha o queniano Ngugi wa Thiong'o, o japonês Haruki Murakami e a bielorrussa Svetlana Aleksijevitj entre os favoritos.

Modiano nasceu um subúrbio a oeste de Paris, dois meses depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em julho de 1945. Seu pai era de origem italiana judaica e conheceu sua mãe, uma atriz belga, durante a ocupação de Paris. Os efeitos da ocupação nazista na França também são tema frequente em suas obras.

Entre os candidatos frequentemente mencionados que ainda estão na espera, então o escritor tcheco Milan Kundrea, o escritor albaniano Ismail Kadare, o romancista argelino Assia Djebar e o poeta sul-coreano Ko Un. Outros críticos ainda sugeriram os israelenses Amos Oz e David Grossman, assim como os americano Richard Ford e Philip Roth. Em 2013, o Nobel premiou a escritora Alice Munro, que se concentra nas fraquezas da condição humana, também conhecida como a "Chekhov canadense".

O prêmio de Literatura foi o quarto Nobel a ser concedido este ano. A premiação recebe o nome do inventor da dinamite Alfred Nobel e é entregue desde 1901 por feitos em ciência, literatura e paz, de acordo com seu testamento.

Divulgação
Selo que a Academia Sueca criou para Patrick Modiano, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2014 Imagem: Divulgação
Abaixo, veja os vencedores do Nobel de Literatura dos últimos anos:

2013: Alice Munro (Canadá)
2012: Mo Yan (China)
2011: Tomas Tranströmer (Suécia)
2010: Mario Vargas Llosa (Peru)
2009: Herta Müller (Romênia)
2008: Jean-Marie Gustave Le Clézio (França)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)
2006: Orhan Pamuk (Turquia)
2005: Harold Pinter (Reino Unido)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2003: John Coetzee (África do Sul) 

Com informações da Reuters*

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