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Valor de obras roubadas por nazistas deve superar 1 bi de euros, diz Focus

Do UOL, em São Paulo*

05/11/2013 10h28

A coleção de mais de 1,4 mil telas apreendida pelas autoridades alemãs em um apartamento de Munique, na Alemanha, a qual inclui desde joias do século 19 até obras nunca catalogadas, também conta com obras desconhecidas de artistas como Marc Chagall e Otto Dix, segundo os investigadores do caso.

A promotoria de Augsburgo revelou nesta terça-feira (5) os primeiros dados oficiais sobre essa operação, iniciada em 2010 com um controle de alfândegas em um trem entre Suíça e Alemanha e que se estendeu até 2012, quando a polícia alemã chegou ao apartamento de Cornelius Gurlitt, de 80 anos, onde as obras foram encontradas.

Trata-se de 1.285 quadros não emoldurados e 121 emoldurados, sendo que o mais antigo é datado no século 16. De acordo com os investigadores, além da grande quantidade de sujeira e de pó, todas as obras se encontram em perfeito estado.

Na segunda-feira, o presidente do Registro de Obras de Arte Perdidas, com sede em Londres, Julian Radcliffe, disse acreditar que esta seja a maior descoberta de quadros roubados durante o Holocausto em muitos anos.  "Embora seja uma fração ínfima do número de obras que buscamos", declarou à AFP. 

A Focus calculou que o valor total dos mais de 1.400 desenhos, esboços e quadros pode superar 1 bilhão de euros, mas uma especialista que trabalha no caso e foi entrevistada pela AFP afirmou que é impossível fazer uma estimativa.

O governo alemão reconheceu que estava a par há vários meses da descoberta feita pela Alfândega. Também ajudou os investigadores com o deslocamento de especialistas em peças de arte avariadas e obras de arte roubadas pelos nazistas, explicou o porta-voz, Steffen Seibert.

Apreensão
O octogenário evidentemente sofre de um transtorno obsessivo de comportamento que leva ao acúmulo compulsivo de objetos. Em setembro de 2010, Cornelius Gurlitt foi parado por fiscais da alfândega em um trem que viajava da Suíça para a Alemanha. Ele estava com 9 mil euros em espécie em um envelope.

Apesar do transporte da quantia ser considerado legal, os investigadores decidiram seguir uma intuição e, alguns meses depois, conseguiram autorização para revistar o apartamento do idoso.

Segundo os primeiros elementos da investigação, Cornelius Gurlitt vivia há décadas sem um registro legal e sem trabalho na Alemanha. Ele ganhava a vida com a venda ocasional de obras reunidas em seu apartamento a proprietários de galeria de arte pouco escrupulosos a respeito da origem das peças.

Gurlitt herdou as obras de seu pai, Hildebrand Gurlitt, um colecionador de arte falecido em 1956 em um acidente de automóvel. Hildebrand Gurlitt, que inicialmente foi ameaçado pelos nazistas, sobretudo porque tinha uma avó judia, se tornou mais tarde indispensável para o regime de Hitler, ao qual ajudava a vender obras roubadas ou apreendidas no exterior.

Uma parte importante das obras encontradas procede, aparentemente, da espoliação de judeus, que tiveram as coleções de arte roubadas ou apreendidas no exterior. Segundo a Focus, pelo menos 300 obras de arte pertencem à lista de obras apreendidas pelos nazistas, que integravam a "arte degenerada", e pelo menos 200 delas são objetos de solicitações oficiais de busca.

As autoridades da Alemanha também optaram pelo sigilo o maior tempo possível em consequência do gigantesco desafio de identificar as obras, assim como de buscar a origem ou os herdeiros.

Entre as obras encontradas aparentemente está um quadro de Henri Matisse que pertenceu ao colecionador judeu Paul Rosenberg, que foi obrigado a abandonar a coleção quando fugiu de Paris. De acordo com a Focus, a herdeira legítima da obra é a jornalista francesa Anne Sinclair. Mas Anne Sinclair não foi informada da descoberta, segundo a revista.

*Com informações da EFE e AFP

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