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Canadense Alice Munro vence o Nobel de Literatura 2013

Do UOL, em São Paulo*

10/10/2013 08h02Atualizada em 10/10/2013 11h21

A canadense Alice Munro, de 82 anos, venceu o Nobel de Literatura 2013, tornando-se a 13ª mulher a conquistar o prêmio. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (10), em Estocolmo, às 8h (horário de Brasília). Além do título, a escritora ganha também 8 milhões de coroas suecas (US$ 1,25 milhão). A cerimônia de entrega acontecerá em Estocolmo em 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador do prêmio, Alfred Nobel.

O júri do Prêmio Nobel a considera uma "mestra da narrativa breve contemporânea". Sua obra muitas vezes se concentra nas fraquezas da condição humana na diferença entre sua infância, na cidade conservadora de Wingham, e sua vida após a revolução social dos anos 1960. Por essas características, muitos a chamam de "Chekhov canadense". Entre suas obras estão os títulos "O Amor de Uma Boa Mulher" (2013), "Felicidade Demais" (2010), e "Fugitiva" (2006).

Nesta quarta, a casa de apostas canadense Ladbrokes colocava a autora como a segunda favorita ao prêmio, atrás apenas do japonês Haruki Murakami, autor dos livros “IQ84” e “Kafka à Beira-Mar”. O último canadense a levar o prêmio havia sido Saul Bellow, em 1976. 

"Suas histórias se desenvolvem geralmente em cidades pequenas, onde a luta por uma existência decente gera muitas vezes relações tensas e conflitos morais, ancorados nas diferenças de geração ou de projetos de vida contraditórios", destacou a Academia. "Encontramos geralmente em seus textos descrições de acontecimentos cotidianos mas decisivos, uma espécie de epifanias, que esclarecem a história e iluminam as questões existenciais", completou o júri do Nobel.

"Eu sabia que estava concorrendo, sim, mas nunca imaginei que ganharia", disse ela, ao telefone, à imprensa canadense. A Academia sueca não conseguiu avisá-la sobre o prêmio, mas deixou uma mensagem no telefone da escritora. Em comunicado oficial liberado pela sua editora Penguin Random House e publicado no jornal "The New York Times", a autora se diz surpresa por ganhar o "prêmio que vai deixar muitos canadenses felizes. Também fico feliz em saber que isso atrairá a atenção do mundo para a literatura canadense". 

Em 2012, o Nobel de Literatura foi concedido a Mo Yan, segundo chinês a ganhar o Nobel de Literatura –  Gao Xingjian foi premiado em 2000.

Planos de aposentadoria
Em entrevista ao jornal "The New York Times", em julho deste ano, Munro disse que provavelmente não voltará a escrever. A afirmação foi feita após o lançamento nos Estados Unidos de sua 14ª coleção de contos, intitulada "Dear Life". Ela já havia demonstrado vontade de se aposentar em 2006, mas garantiu que dessa vez deve mesmo parar.

Ela contou que se inspirou em  Philip Roth, que também anunciou sua aposentadoria após fazer 80 anos. "Ele parece muito feliz", disse ela na ocasião. Ela, que já enfrentou um câncer e uma cirurgia no coração, disse que agora está bem de saúde, ou melhor, não tão mal. "É como dizemos no Canadá. Não falamos: 'Nossa, como você está bem'. Dizemos: 'Você não parece tão mal'", brincou ela. 

Trajetória
Munro nasceu em 1931 em Wingham, no Canadá. É autora de diversos livros de contos, traduzidos para mais de 10 idiomas. Entre os numerosos prêmios literários recebidos ao longo de sua carreira, destaca-se o Man Booker Prize, em 2009. Ela também já conquistou o National Book Critics Circle e três vezes o Governor General, que é o mais alto prêmio de literatura no Canadá.

Ela começou a estudar Inglês e Jornalismo na University of Western Ontario, mas interrompeu os estudos para se casar em 1951, com Michael Munro. Com o marido, ela se mudou para Victoria, em British Columbia, onde o casal abriu uma livraria. A escritora, filha de uma professora e de um fazendeiro, escrevia desde a adolescência, mas seu primeiro livro só foi publicado em 1968, com o título "Dance of the happy shades", que recebeu bastante atenção da crítica canadense.

O casal teve três filhas, mas se divorciou em 1972, quando ela regressou ao seu estado natal e tornou-se escritora-residente na sua antiga universidade. Voltou a casar-se em 1976, com Gerald Fremlin. A partir daí consolidou a carreira de escritora. Sua obra tem influência de grandes escritoras, como Katherine Anne Porter, Flannery O’Connor, Carson McCullers e Eudora Welty, assim como James Agee e especialmente William Maxwell. 

  • Selo criado pelo Nobel da Literatura 2013

As 13 vencedoras:

2013 - Alice Munro (Canadá)

2009 - Herta Müller (Alemanha)

2007 - Doris Lessing (Grã-Bretanha)

2004 - Elfriede Jelinek (Áustria)

1996 - Wislawa Szymborska (Polônia)

1993 - Toni Morrison (EUA)

1991 - Nadine Gordimer (África do Sul)

1966 - Nelly Sachs (Suécia)

1945 - Gabriela Mistral (Chile)

1938 - Pearl Buck (EUA)

1928 - Sigrid Undset (Noruega)

1926 - Grazia Deledda (Itália)

1909 - Selma Lagerlöf (Suécia)

Favoritos
Os americanos Joyce Carol Oates e Philip Roth também estavam entre os favoritos ao Prêmio Nobel de Literatura deste ano. Também figuraram nas listas de possíveis sucessores do chinês Mo Yann, vencedor da premiação em 2012, o norueguês Jon Fosse e a bielorrussa Svetlana Alexijevich.

O nome de Murakami surgiu com força na imprensa sueca e nas casas de apostas, onde também foram cogitados expoentes como a argelina Assia Djebar, o húngaro Peter Nadas, o queniano Ngugi wa Thiongo, o tcheco Milan Kundera, o irlandês William Trevor, o israelense Amós Oz e o dramaturgo norueguês Jon Fosse.

A lista de poetas foi reduzida após a concessão do Nobel em 2011 ao sueco Tomas Tranströmer, embora permaneçam o sírio Adonis, seguido do sul-coreano Ko Un e do australiano Les Murray.

Thomas Pynchon, Margaret Atwood, Don De Lillo, Cormac McCarthy e o cantor Bob Dylan são outros americanos mencionados, já que nomes desse país não ganham desde 1993, quando a autora Toni Morrison levou a premiação.

A Academia recuperou recentemente as literaturas francesas e hispânicas, que não recebiam o Nobel há duas décadas, ao contemplar francês Jean Marie Le Clézio (2008) e o peruano Mario Vargas Llosa (2010).

O triunfo ainda recente do autor de "A Cidade e os Cachorros" dava, em teoria, poucas chances a escritores hispânicos como os espanhóis Javier Marias, Eduardo Mendoza, Enrique Vila-Matas e Antonio Gamoneda, assim como o argentino César Aira e o nicaraguense Ernesto Cardeal.

A academia sueca concedeu o Nobel de Literatura ao mexicano Octavio Paz (1990) exatamente um ano depois do prêmio ter sido dado ao espanhol Camilo José Cela.

A eleição de Vargas Llosa e a dos britânicos Harold Pinter (2005) e Doris Lessing (2007) demonstrou que a Academia também pode recuperar "eternos candidatos" considerados há muitos anos, o que pode colocar na briga os italianos Claudio Magris e Umberto Eco, o holandês Cees Nooteboom, o albanês Ismail Kadare e o português Antonio Lobo Antunes.

Embora as listas prévias sejam uma tradição, elas não costumam acertar com muita frequência, salvo em casos isolados, como o do turco Orhan Pamuk, indiscutível favorito e finalmente ganhador em 2006, e do próprio Mo Yann, que já aparecia nas apostas do ano passado.

Em sua já centenária história, a Academia Sueca mostrou que também é capaz de escolher nomes inesperados, como o da austríaca Elfriede Jelinek ou da alemã Herta Müller.

A Academia insiste em afirmar que só premia autores e não suas obras nem seus países, embora as eleições pareçam considerar, às vezes, mais questões políticas ou rotação geográfica do que a qualidade literária.

*Com informações da AFP, AP e Reuters

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