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"Vinicius de Moraes estaria compondo letras para funk", diz Calcanhotto

Fabíola Ortiz

Do UOL, no Rio de Janeiro

07/09/2013 21h54

"Se estivesse vivo hoje Vinicius de Moraes estaria compondo letras para funk", disse Adriana Calcanhotto em homenagem ao poeta na noite deste sábado (7), na Bienal do Livro no Rio de Janeiro. “Tem gente que acha um horror. Não gosto da ideia de linha evolutiva na MPB, é mais complexo que isso. Tem uma coerência, hoje o funk é tratado como um dia o samba foi e toda a ligação que ele tinha com a música de preto”, comentou.

Para Calcanhotto o funk é um “ritmo incrível”, mas que não é apreciado pelas pessoas, tal como ocorreu com o samba. “Alguns dizem que ele estaria se revirando no caixão. Eu digo que não, ele vai rebolar no caixão”, brincou. Ao lado dos poetas Antonio Cícero e Eucanaã Ferraz, Adriana Calcanhotto participou de uma homenagem ao centenário de Vinicius no Café Literário. Os três declamaram uma seleção de poesias do escritor, como “Soneto da Separação”.

Aos jornalistas a cantora disse que Vinicius deixa como legado “a liberdade, o desejo de correr riscos, de apostar e de saltar sem rede”. Na sua opinião, o poeta esteve a frente de seu tempo e fez revoluções na música e na cultura brasileira. “Ele revolucionou a maneira de escrever letras no Brasil. A vida dele é o grande legado junto com a poesia”. No entanto, de tão popular que Vinicius de Moraes se tornou, a academia começou a “subestimar a sua potência” como poeta, destacou.

“O que ele fez foi transmitir a alta poesia através da música, ele demarcou isso na história da música brasileira. Eu ouvi Arca de Noé e muitas estrelas da música hoje foram formados ouvindo Arca de Noé. Ele entra na vida das pessoas desde muito cedo e vira um poeta íntimo, um poeta popular”, comentou.

Neste domingo (8), Calcanhotto volta à Bienal para lançar seu livro "Antologia ilustrada da poesia brasileira - Para Crianças de Qualquer Idade” (Ed Casa da Palavra).