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Bienal do Livro começa com palestra de Ballack e missão de evitar filas

Fabíola Ortiz

Do UOL, no Rio de Janeiro

29/08/2013 17h49

Com uma expectativa de receber 600 mil visitantes, a 16ª edição da Bienal Internacional do Livro Rio começou nesta quinta-feira (29) e pretende evitar a superlotação e longas filas que registrou na última edição.

“Fizeram entradas diversificadas e a ideia é todo dia diversificar as atrações para distribuir melhor a concentração de pessoas. Depois da experiência de 2012, a cada edição a gente vai aprendendo e aprimorando”, disse ao UOL a presidente do SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), Sônia Jardim.

A Bienal completa 30 anos com o desafio de atrair jovens leitores e acompanhar a tendência do mercado editorial. A feira de livros tornou-se o terceiro maior evento no calendário do Rio de Janeiro.

“A Bienal perde apenas para o Réveillon e o Carnaval. É um evento que começou com 104 expositores no Copacabana Palace e agora são 950. A cada edição a gente sempre abre um espaço novo e renova os nomes dos autores”, comentou.

Alemanha homenageada
Para inaugurar a homenagem da feira à Alemanha, o ex-jogador de futebol do Bayern de Munique e da seleção alemã Michael Ballack visitou o stand montado pela Feira de Frankfurt para o ano da Alemanha no Brasil. Apesar do bate-papo ter ficado em torno do futebol, Ballack comentou que a literatura pode ser uma ferramenta para divulgar a cultura alemã para os brasileiros.

“Muito além do futebol, há outras coisas que são importantes da cultura alemã que podem ser divulgadas pela escrita”, disse aos jornalistas. Perguntado se pretende escrever uma autobiografia, o jogador disse que ainda não tem esta ambição.

“Sou reticente ao tema, ainda não penso, não tenho intenção. Muitos jogadores fazem isso, mas não tenho a ambição de perpetuar minha experiência. Para vender livros é preciso ter histórias picantes e não sei se quero isso”, brincou Ballack que foi escolhido para ser um embaixador cultural da Alemanha.

Ao todo, 11 autores alemães estarão presentes na Bienal e o desafio, segundo a representante da Feira de Frankfurt, Marifé Boix, é aproximar os dois países, apesar da distância geográfica e linguística. “Uma língua é de origem românica e a outra latina. Tentamos através da cultura e literatura aproximar, intercambiar e planejar juntos no futuro. Temos uma exposição interativa da Alemanha para principiantes e vamos trazer ilustradores, já que o público da Bienal tem muitas crianças”, disse Boix ao UOL.

Até o dia 8 de setembro, haverá mais de 100 sessões de debates e bate-papos com autores Esta edição terá a maior leva de convidados estrangeiros, 27. Entre eles, o americano Nicholas Sparks, um dos autores mais lidos no mundo, com quase 100 milhões de exemplares de romances como “Diário de uma Paixão”, “Querido John” e o recente “À Primeira Vista”, traduzido para 45 línguas.

Outro fenômeno editorial que estará na Bienal é o americano James C. Hunter, de “O Monge e o Executivo”, que já vendeu três milhões de cópias no Brasil.

Representante da nova literatura erótica, Sylvia Day confirmou presença na Bienal. Ela escreveu o best-seller “Toda Sua”. Já Emily Giffin de “Presentes da Vida” e “Ame o que É Seu”, reconhecida no gênero chick lit, também está na lista dos convidados.

A Bienal receberá ainda o moçambicano Mia Couto, ganhador do Prêmio Camões; o argentino Cesar Aira, autor de mais de 70 livros; e o português Nuno Camarneiro, expoente da literatura portuguesa contemporânea e autor de “Debaixo de Algum Céu”.

Com 50 milhões de cópias comercializadas no mundo, a roteirista dos jogos eletrônicos “Assassin’s Creed”, Corey May, também estará no evento. O videogame inspirou a série de livros de mesmo nome, que já vendeu no Brasil mais de 450 mil exemplares.

Segundo Sônia Jardim, a grande novidade é o Placar Literário, um espaço dedicado ao futebol. Para a presidente do SNEL, futebol e literatura combinam. “O futebol é a paixão nacional”, brincou, ao destacar que a estratégia é fazer com que os amantes do esporte sejam seduzidos para o mundo literário.

“Temos também um espaço juvenil que tem tudo para bombar, é o Acampamento da Bienal”, comentou.

A Bienal do Livro reservou ainda uma área de 500 metros quadrados para uma atividade dedicada aos pequenos leitores, inspirada nos personagens de Ziraldo, como o Menino Maluquinho.

Salão de negócios
Inspirado em feiras internacionais, a Bienal criou um salão de negócios para promover trocas comerciais entre editores e agentes literários. Segundo Jardim, o salão atende a uma demanda do mercado para receber profissionais do livro de várias partes do mundo.  Já estão confirmados editoras e agências literárias dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Chile, Gana e do Brasil.

“Por ser o primeiro ano, não temos expectativa no volume de vendas. É um teste, se funcionar bem a gente repete na próxima edição”, comentou.

Primeiro dia com estudantes
Com quase tudo pronto e faltando apenas alguns retoque finais, os portões do Riocentro, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, abriram para o público às 13h. Centenas de estudantes de escolas públicas já se aglomeravam na entrada principal a espera para entrar.

Um grupo de cinco amigas adolescentes de Duas Barras, a 180 quilômetros do Rio, veio conferir o primeiro dia da feira.

“É a primeira vez que viemos para conhecer a bienal, nunca tínhamos vindo. Queria conhecer algum escritor famoso como a Thalita Rebouças. Eu gosto de ler romances”, disse ao UOL Juliana Andrade, 15, que estuda em um colégio estadual e veio acompanhada de sua turma do primeiro ano do Ensino Médio. A adolescente estava sentada no chão da bienal esperando a abertura dos portões e se dizia ansiosa para percorrer os corredores e stands.

Animadas, as amigas Beatriz Lourenço e Nilcilene Mendonça, de 16 anos, se dizem amantes de livros, mas criticam que muitos adolescentes de sua idade não curtem ler porque acham chatas as obras que têm que ler na escola.

“Hoje em dia eles só ficam no Facebook. Eu gosto de ler romances e mistérios, como da Stephenie Meyer (autora de 'Crepúsculo')”, disse.

Ao lado de Beatriz, Nilcilene, estudante do segundo ano do Ensino Médio de Engenheiro Pedreira, na Baixada Fluminense, veio à feira de livros para conhecer pessoalmente seus autores prediletos, Thalita Rebouças, Nicholas Sparks e a ex-rebelde Mel Fronckowiak.

“Muitos acham chato ler, mas não faltam bons livros, falta interesse. Alguns dizem que é cansativo ler e preferem ver filmes”, comentou. Aficionada por livros, a adolescente está prestes a terminar seu primeiro livro e é direcionado para um público jovem da sua idade.

“Estou até escrevendo um livro inspirado nas minhas histórias, no que eu queria e não queria viver. Comecei a escrever em 2012 e já tem 145 páginas. Quero muito poder publicar”, disse.

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