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Ziraldo, Verissimo e Zuenir Ventura preparam musical sobre a velhice

Leonardo Soares/UOL
Ziraldo é fotografado durante a 22º Bienal Internacional do Livro, em São Paulo (9/8/2012) Imagem: Leonardo Soares/UOL

Mariane Zendron

Do UOL, em São Paulo

27/08/2013 00h01

Na definição de Ziraldo, O Menino Maluquinho é uma cachoeira: não para, mas é muito produtivo. Sendo assim, Ziraldo é o próprio Menino Maluquinho. Com 81 anos de idade, ele está pronto para ser o grande homenageado da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, prepara o lançamento de oito livros para este ano e começa a escrever um musical sobre a velhice ao lado de Zuenir Ventura e Luis Fernando Verissimo. "Somos anciãos, mas isso é muito engraçado porque a gente não se sente nem velho. Quando você está vivendo a velhice, não percebe", diz o menino Ziraldo, ao UOL.

O cartunista, escritor e ilustrador contou que o espetáculo será para 2015 e que os três estão em fase de pesquisa. A pesquisa inclui a leitura de pensadores como Cícero e Epíteto e autores como Simone de Beauvoir, Tolstoi e Shakespeare. "Não sabemos se estaremos vivos até lá, mas estamos tentando fazer. Vai ser puro humor", diverte-se ele.

Nova safra do humor
Falando em humor, o cartunista que participou desde a primeira edição do semanário "Pasquim", reconhecido pela sátira e pela oposição ao regime militar, falou da nova safra de humoristas e citou o canal da internet Porta dos Fundos como um marco na comédia nacional. "O humor teve alguns marcos. Primeiro foi a revista 'Cruzeiro', que fez o brasileiro ficar muito exigente na qualidade do humor. Depois foi o 'Pasquim' e o Chico Anísio, que também fizeram humor inteligente. Agora é a vez desses meninos do 'Porta dos Fundos', que são muito inteligentes e muito criativos. Eles criaram situações engraçadas. O nível que eles alcançaram é uma revolução".

Homenagem na Bienal
Ziraldo também falou sobre o assunto que serviu como ponto de partida para esta entrevista, a homenagem que receberá na 16ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que vai de 29 de agosto a 8 de setembro, no Riocentro, na Barra da Tijuca. Nos dois sábados e nos dois domingos do evento, Ziraldo vai fazer sessões de autógrafos às 15h30. Estima-se que suas sessões de autógrafos reúnam 1.500 pessoas cada. "Toda iniciativa no sentido de incentivar o interesse pela leitura é bem-vindo. Por isso que eu topo essas paradas de rodar o Brasil em eventos literários. Estou em todas. A escola brasileira está preocupada com a inclusão. Tem teatro, coral, computador, mas não tem livro. Toda vez que eu vou em festa de inclusão, eu pergunto: cadê o livro?", diz ele. O escritor se mostra muito preocupado com o fato de o estudante chegar à universidade sem entender o que lê e incapaz de se expressar pela leitura.

Para ele, todos têm que trabalhar para transformar o Brasil em um país de leitores e ele acredita que não está sozinho nessa missão. "A literatura infantil brasileira é uma das melhores do mundo. Temos muitos bons autores: Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, Ruth Rocha, Adriana Falcão, Luiz Pimentel. Tem muita gente boa", disse ele. Para o autor, outra parte do desafio está com os pais dos pequenos leitores. "Os pais têm que encher a casa de livros e não colocar a leitura como dever. Não é como fazer exercício porque ninguém quer fazer exercício. Ler é ler. Temos que ler para as crianças e com as crianças. Esse é o caminho".

Lançamentos
Entre os lançamentos de Ziraldo estão "Os Homens Tristes", dedicado aos adultos, em que o pintor Paulo Vieira e o roteirista Gustavo Luiz Ferreira reúnem anotações e desenhos do cartunista, feitos ao longo de 60 anos de trabalho. A publicação tem prefácio do poeta Ferreira Gullar. Há também duas novas obras ligadas ao seu mais célebre personagem: "Maluquinho de Família" e "Maluquinho Pega na Mentira".

Ziraldo também lança mais um livro da série Meninos dos Planetas: "O Menino que Veio de Vênus", o sexto da coleção. Outra novidade é "Os Haicais do Menino Maluquinho". Uma parceria com Anna Muylaert, resultou em outros dois livros, também apresentados na Bienal do Rio:  "Adivinha que Dia é Hoje", e "O Menino que Tinha uma Panela na Cabeça". A quantidade de obras impressiona, mas ele diz que tem autor produzindo mais que ele. "Estava me achando todo pimpão, mas descobri que o Mauricio (de Sousa) vai lançar 22 livros este ano. Só que ele tem 100 pessoas ajudando ele. Quero ver lançar oito só com três pessoas na equipe", desafia ele, em tom de brincadeira.

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