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Romance vencedor do Clarín chega ao Brasil; autor diz viver de prêmios

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Gustavo Nielsen discursa durante a feira do livro de Porto Alegre, onde lançou "A Outra Praia" Imagem: Divulgação

James Cimino

Do UOL, em São Paulo

22/12/2012 05h00

Gustavo Nielsen já é bastante conhecido em sua terra natal, a Argentina, seja pelo seu talento na prosa, seja pela polêmica que o levou a processar um colega de profissão e sua editora por fraude em uma premiação na qual ele concorria na categoria de melhor romance com “Amor Enfermo”.

O colega em questão era Ricardo Piglia, autor do livro “Plata Quemada”, que ganhou adaptação para o cinema e que narra a história de um famoso assalto a banco ocorrido naquele país. Em 2005, editora e autor tiveram que indenizar Nielsen em 10 mil pesos, pois a Justiça entendeu que houve “favorecimento” a Piglia no caso.

“O prêmio era para livros inéditos e era um incentivo a iniciantes. O ‘Plata Quemada’ não podia ter ganhado, pois o Piglia já havia assinado contrato com a editora Planeta havia duas semanas. Me senti prejudicado por participar dessa jogada de marketing sem ganhar nada. Sem os prêmios não seria nada. Sou de classe média baixa e tudo o que tenho vem dos prêmios. Admiro Piglia e sua obra, mas o que ele fez foi conchavo”, contou Nielsen em entrevista ao UOL.

Reprodução
“Não sou um monstro, senhorita, não sou um ladrão; apenas tiro fotos da rua, da gente na rua. É a única coisa por que sinto um leve interesse; não me interprete mal, tenho família, ainda que tampouco esteja demonstrando um grande interesse por ela. O que sinto por essas fotos, uma vez que as revelo e as vejo, se parece a um afeto media- no, quase carinho. Não se trata de amor por você nem por ninguém; o amor desapareceu da minha vida; minha única paixão é este ruidinho, clique, o próximo que escute...”

Trecho do livro "A Outra Praia", de Gustavo Nielsen

Em 2010, ele levou o prêmio Clarín de melhor romance com “A Outra Praia”, sua primeira obra a ser publicada no Brasil apenas agora, em 2012, que narra a história de um homem que não ama mais a mulher e cujo único prazer é fotografar estranhos na rua.

O escritor, que também é arquiteto e artista plástico, diz que seu protagonista é fotógrafo devido a um temor que guarda desde a infância. “Quando tinha 12 anos comecei a tirar fotos da minha irmã e sempre tinha medo que aparecesse outra pessoa na foto. De certo modo é isso que ocorre no meu romance. O Antonio fotografa uma coisa e vai descobrindo outras coisas quando revela. De certa forma ele fotografa pessoas que pensam ser algo, mas que são outra coisa.”

Histórias paralelas
A obra de Nielsen se desenvolve em dois níveis, que correm em paralelo. O primeiro é o que retrata Antonio, em plena crise matrimonial. Para fugir da realidade de sua vida aparantemente sem sentido, entrega-se ao prazer de fotografar pessoas desconhecidas. Em um desses passesios conhece uma jovem por quem fica obcecado. Achando que ela é a resposta a todos os sesus questionamentos, resolve se afastar de sua família e se hospeda na casa de praia de um amigo.

Em outro plano, décadas após o retiro de Antonio, temos Lorena, uma jovem fotógrafa que herdou a profissão de seus pai, a quem perdera em um acidente de carro. Ela está namorando um escritor de histórias de terror que, coincidentemente, a convida para passar uns dias na mesma casa.
 
A conclusão da história, obviamente, cabe ao leitor descobrir, mas, pelo que se conhece do escritor, pode-se esperar um final feliz. Isso porque ele, que também é arquiteto, trata a literatura como seu momento de maior prazer e felicidade.
 
“Inclusive meu livro anterior, "Auschwitz", que é terrivelmente dramático, termina bem. É uma boa forma de selar o ato de escrever, que eu também considero muito feliz.”
 

"A Outra Praia"

Autor: Gustavo Nielsen
Tradutor: Henrique Schneider
Editora: Dublinense
Páginas: 176 páginas
Preço: versão impressa R$ 35

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