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Mostra em Tóquio relembra os 40 anos do revolucionário Walkman

Walkman - Divulgação / Sony
Walkman Imagem: Divulgação / Sony

Nora Olivé

Em Tóquio

22/07/2019 06h04

Andar pela rua e ouvir música ao mesmo tempo era algo inconcebível até a aparição do Walkman, o pequeno reprodutor de áudio que introduziu o revolucionário conceito da música portátil e encantou o mundo há 40 anos.

Uma mostra retrospectiva em Tóquio repassa agora a história do aparelho que mudou a maneira de escutar música décadas antes da aparição do mp3 e das plataformas online.

"Quando comprei o Walkman com as minhas economias, estava tão feliz que parecia que ia explodir. Usava os fones até no banheiro e na mesa, e minha mãe brigava comigo", lembra o arquiteto Nobuo Araki em um texto que faz parte da exposição em cartaz no Ginza Sony Park neste mês de julho e agosto.

Como Nobuo, dezenas de celebridades japonesas contaram suas memórias para esta mostra interativa que permite aos visitantes ler essas histórias e escutar as mesmas músicas da época através de diferentes modelos do icônico toca fitas portátil.

Lançado em 1979, o aparelho introduziu a ideia de que a música já não deveria ser uma experiência entre quatro paredes, podia ser uma vivência personalizada e levada para onde quiser.

"Walkman é a marca que cria a cultura de carregar a música. Os jovens podem ouvir músicas onde quiserem, podem aproveitar de forma mais simples", contou à Agência Efe Ryoichi Numata, da equipe de comunicação da Sony.

O modelo azul e prateado TPS-L2 foi lançado em 1º de julho de 1979 no Japão pelo preço de 39 mil ienes, que naquela época equivaliam a R$ 270, e vendeu mais de 50 mil unidades em seus primeiros dois meses.

Uma segunda versão deste modelo acabou se tornando a mais vendida da história do Walkman, superando 2 milhões de unidades no mundo todo.

A retrospectiva percorre a história do famoso aparelho desde a sua chegada ao mercado, passando pela sua adaptação ao CD e ao MiniDisc, e terminando com os modelos mais recentes que funcionam através da reprodução digital.

Uma vitrine exibe mais de 200 modelos do Walkman que foram lançados, alguns deles tão icônicos como o Sports WM-B52, conhecido pela cor amarela, e outros menos famosos que foram versões limitadas.

"É uma marca muito importante para nós, que ainda produzimos atualmente", explicou Numata. O foco da Sony hoje em dia está em melhorar a qualidade da experiência musical.

Com áudio de alta resolução, até 256 Gb de memória interna, e um preço que passa dos R$ 10 mil, o modelo WM1Z produzido em 2016 percorreu um longo caminho desde os tempos da fita cassete, e é voltado a um público mais seleto.

Depois de três décadas e mais de 200 milhões de unidades vendidas no mundo todo, em 2010 a Sony retirou do mercado os Walkman que reproduziam fitas cassete, incapazes de sobreviver à concorrência dos CDs e depois o nascimento da música digital.

Embora a música portátil seja um prazer do qual todos desfrutamos há anos, a Sony quer lembrar aos nostálgicos que ainda podem desempoeirar seu antigo Walkman e reviver aqueles anos nos quais sair de casa com os fones era um privilégio.

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