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Sepultura é proibido de tocar no Líbano, mas ainda quer se apresentar no país

Rafael Mendes/Divulgação
Integrantes do Sepultura Imagem: Rafael Mendes/Divulgação

De Beirute (Líbano)

2019-04-24T16:55:00

24/04/2019 16h55

Os organizadores do show no Líbano do grupo brasileiro de heavy metal Sepultura não desistiram de fazer com que a banda possa se apresentar no país árabe no próximo dia 28, apesar de existirem poucas possibilidades de as autoridades permitirem a entrada dos músicos no país.

"Ainda não conseguimos suprimir a proibição, mas seguimos tentando, embora as possibilidades sejam mínimas", hoje à agência Efe Bassel Deaibess, um dos fundadores da Skull Session, a produtora responsável pela apresentação marcada para o próximo domingo em Beirute.

Deaibess acrescentou que a "ordem de proibir a entrada do Sepultura no Líbano foi dada pelo chefe da Segurança Geral, que é a máxima autoridade neste sentido".

Anteriormente, a Skull Session informou em comunicado que os integrantes do Sepultura --Paulo Jr., Andreas Kisser, Derrick Green e Eloy Casagrande-- tiveram suas solicitações de vistos negadas por "insultar os cristãos, serem adoradores do diabo, terem realizado um show em Israel e terem gravado um vídeo em apoio a esse país".

Divulgação/Netflix
Show da banda Sepultura Imagem: Divulgação/Netflix

Esses foram os argumentos apresentados pelas autoridades do Líbano, país que não reconhece o Estado de Israel e não tem relações com o mesmo, que é considerado "inimigo".

"Queremos esclarecer que as acusações são totalmente falsas. O grupo não tocou em Israel e o videoclipe critica o racismo desse país, mas sem nomeá-lo, e nele os membros do grupo tomam chá com árabes", disse o promotor do evento em defesa da apresentação do grupo brasileiro.

No vídeo da canção "Territory", lançado em 1993, há imagens de Israel, da bandeira do país e de seus soldados, mas o grupo mantém uma postura crítica com relação à nação judaica e de apoio aos palestinos.

Sobre as acusações de insultar a religião cristã, a Skull Session ressaltou que o Sepultura "não adota nenhuma ideologia ou demonstra afinidade com qualquer pensamento".

"Ao contrário, através de suas canções, pede que as pessoas se voltem para Deus, rejeita uma sociedade automatizada e anormal, e, por isso, alguns os consideram adoradores do diabo", acrescentou a produtora.

Por outro lado, um organizador do evento associado à Skull Session, que pediu anonimato, disse à Efe que a apresentação do grupo coincidiria com a celebração da Páscoa por parte dos cristãos libaneses, e, por isso, a comunidade religiosa pediu que o grupo fosse impedido de entrar no país.

O Sepultura se apresentaria junto com outros três grupos locais --Phenomy, World in Silence e Eden-- e está previsto que o evento aconteça no próximo domingo, mesmo sem a presença da banda brasileira.

"O evento não foi proibido, apenas a entrada do Sepultura no Líbano", concluiu Deaibess.

Em 2016, as forças de segurança egípcias impediram a realização de um show do Sepultura pouco antes de seu início nos arredores do Cairo, argumentando que a banda não dispunha das permissões pertinentes. Além disso, meios de comunicação locais classificaram os músicos da banda como "adoradores de satã".

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