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"The Band's Visit" vence Bob Esponja e Frozen e ganha 10 prêmios no Tony Awards

Michael Zorn/Invision/AP
"The Band's Visit" ganhou dez de 11 prêmios no Tony Awards Imagem: Michael Zorn/Invision/AP

Sergi Santiago

Da EFE, em Nova York

11/06/2018 01h36

A obra "The Band'sVisit", aclamadíssima pela crítica e, pouco mais discreta em bilheteria, foi a vencedora da edição de número 72 do Tony Awards ao conseguir dez dos 11 prêmios aos quais concorria, entre eles o de melhor musical. O tradicional evento premiou as melhores produções teatrais da Broadway e ficou marcado por Robert De Niro quebrar o protocolo e dizer: "Foda-se o Trump!".

A obra concorria com três musicais baseados em filmes muito famosos: "Sponge Bob Square Pants" - que se conformou com uma estatueta -, "Frozen" e "Mean Girls", que ficaram sem prêmio.

"The Band'sVisit", que narra a história de uma banda de músicos egípcios que aterrissa por erro em Israel, também é baseada em um filme, neste caso muito menos conhecido, e conseguiu estrear na Broadway após ter tido sucesso fora do circuito comercial.

Um dos momentos mais emocionantes foi quando o ator de origem árabe Ari'elStachel recebeu sua estatueta de melhor ator coadjuvante e agradeceu a oportunidade de interpretar um personagem da sua raça em uma praça como a Broadway, algo que "jamais" imaginou que aconteceria.

"Os meus pais estão aqui esta noite. Evitei ir a muitos eventos com eles porque durante muitos anos tentei não parecer do Oriente Médio. E depois dos atentados de 11 de setembro foi muito muito difícil para mim, e me escondi e perdi muitos eventos especiais com eles", disse o ator.

O outro vencedor da noite foi "Harry Potter and The Cursed Child", que somou seis estatuetas, entre elas a de melhor obra, demonstrando que os US$ 68 milhões que custou montá-la - e que a transformaram na mais cara da história da Broadway - foram bem investidos.

De sua parte, "Angels in America", que narra a crise da aids em Nova York, ganhou três estatuetas, entre elas o prêmio de melhor reposição de um musical e melhor ator, recebido por Andrew Garfield.

"Vivemos em um momento político no qual a comunidade LGBTQ teve que lutar pelos seus direitos com mais intensidade que nos últimos 25 anos, desde a crise da aids", declarou Garfield, que definiu a sua obra como a "antítese" do presidente dos EUA, Donald Trump.

As referências a Trump não ficaram aí: a veterana Glenda Jackson subiu ao palco para receber seu prêmio de melhor atriz por "Three Tall Women" e aproveitou para agradecer aos atores de cor por seu trabalho e destacar que "a América sempre é grande", não fazia falta devolver-lhe seu esplendor.

Robert De Niro não usou ironias e alfinetou: "Foda-se Trump!", levantando uma das maiores ovações da noite. Apesar disso, teve o áudio cortado na transmissão de TV

O lado latino da festa veio com Lindsay Mendez ao ficar com o prêmio de melhor atriz coadjuvante em um musical por "Carousel", oportunidade que aproveitou para lembrar suas origens mexicanas.

"Quando vim para Nova York me disseram que trocasse meu sobrenome de Mendez para Matthews ou não conseguiria trabalho", lembrou a atriz, que após valorizar a ideia a descartou porque seus avós, Sara e Mario Mendez, ficariam "devastados".

Também brilharam outros latinos, como a porto-riquenha Chita Rivera e o colombiano John Leguizamo, que receberam um prêmio honorífico por sua carreira, prêmio que também recebeu Bruce Springsteen.

Acompanhado de um piano, "The Boss" se destacou com uma das atuações mais eletrizantes, ao interpretar uma cena de seu novo musical biográfico.

Se há dois anos a cerimônia foi marcada pelo tiroteio de Orlando, nesta ocasião se lembrou as vítimas de Parkland, e alguns alunos do instituto interpretaram "Seasons of Love" do musical "Rent".

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