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La Casa de Papel


La Casa de Papel: cofre inundado não é mera ficção

Elenco da terceira parte de La Casa de Papel - Reprodução/Instagram
Elenco da terceira parte de La Casa de Papel Imagem: Reprodução/Instagram

Jeannette Neumann

16/08/2019 10h59

Criminosos vestem equipamento de mergulho para encarar um cofre de ouro inundado dentro do Banco da Espanha. Poderia ser um filme de James Bond, mas é a série La Casa de Papel, da Netflix.

O que parece um roteiro descolado da realidade se baseia em defesas existentes dentro do banco central espanhol. A instituição em Madri tem um compartimento dentro da caixa-forte que é inundado se ladrões de ouro conseguirem entrar. E este é apenas um dos obstáculos contra os larápios.

Os criminosos da terceira temporada de La Casa de Papel passam por uma porta blindada para chegar ao ouro. No mundo real, são três portas de aço. A primeira e maior delas pesa 16,5 toneladas e seu encaixe é tão perfeito que um fiapo impede que se feche. Passada a porta, existe um fosso de elevador com 35 metros que chega a uma antessala, que leva a uma ponte levadiça e à segunda porta blindada. É esse local que inundaria se ladrões conseguissem ultrapassar a primeira porta, acionando o sistema de segurança.

Desde que a obra foi concluída, em meados da década de 1930, nunca houve "tentativa de entrada não autorizada", segundo o Banco da Espanha.

No entanto, a fertilidade do imaginário popular sobre o cofre foi irresistível para os roteiristas de La Casa de Papel e para os fãs.

Mais de 34 milhões de lares assistiram a pelo menos alguns dos episódios da terceira temporada, lançada em julho, conforme e-mail enviado por uma porta-voz da Netflix.

Nas duas primeiras temporadas, o bando invade a Casa da Moeda para imprimir milhões de euros. Na terceira, o alvo é o banco central, pelo ouro e para pressionar autoridades a libertar um dos seus.

Manifestantes rodeiam o banco central, atiçados pelo Professor, que pede que os espanhóis venham em massa para apoiar o que ele chama de "resistência".

Há um tanto de verdade na revolta exibida no vídeo. Muitos espanhóis ainda ressentem o fato de o banco central não ter impedido práticas displicentes de empréstimo que alimentaram a disparada do mercado imobiliário e sua subsequente derrapada.

Esse ressentimento diminuiu diante da recuperação da economia e o comandante do banco central, Pablo Hernández de Cos, tem trabalhado para melhorar a reputação da instituição. Diferentemente da série, ele não em cinco guarda-costas armados como guerrilheiros. As cenas não foram filmadas no Banco da Espanha, mas a 3 quilômetros dali, no Ministério de Obras Públicas.

Na era dos ataques cibernéticos vindos de hackers e laptops, há um charme nostálgico em uma série focada nas barreiras físicas aos tesouros, como armadilhas aquáticas.

"Nos anos 1930, não havia circuito interno de câmeras de vídeo, não havia monitoramento remoto, não havia sensores sísmicos", lembra Seamus Fahy, presidente da Merrion Vaults, em Dublin. Ele já visitou centenas de cofres para locação ou venda por instituições financeiras que estão encerrando suas atividades.

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