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Shows de K-Pop podem voltar à China com distensão com a Coreia

O grupo sul-coreano BTS, fenômeno do K-pop - Rich Fury/AMA2017/Getty Images
O grupo sul-coreano BTS, fenômeno do K-pop Imagem: Rich Fury/AMA2017/Getty Images

Daniela Wei e Jing Zhao

21/02/2019 14h52

Promotores de shows chineses estão buscando autorização para as bandas sul-coreanas se apresentarem no país, segundo pessoas a par do assunto, um sinal do crescente otimismo sobre o descongelamento das relações entre os dois países.

Os laços entre Pequim e Seul estão tensos desde que a Coreia do Sul concordou em 2016 em ser a sede de um sistema de defesa antimísseis dos EUA fortemente contestado pela China. Nenhum grande músico sul-coreano se apresentou na China desde então e os promotores de shows não se deram ao trabalho de convidar artistas coreanos por alguns anos porque acreditavam que o governo rejeitaria esses pedidos de visto.

Mas recentemente eles começaram a fazer esses pedidos, de acordo com as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque o assunto é politicamente delicado. Não está claro se o Ministério da Cultura e Turismo do país está inclinado a aprovar alguma das solicitações, disseram eles.

Artistas de K-pop como a BTS, que no ano passado se tornou a primeira banda sul-coreana a liderar os rankings da Billboard nos EUA, não conseguiram obter autorizações para se apresentar na China durante anos, como parte de uma campanha mais ampla contra as empresas coreanas. A rixa levou a China a lançar uma série de medidas punitivas que custaram bilhões de dólares à economia coreana em negócios perdidos.

É por isso que as apostas nessas licenças podem ser muito maiores do que o destino de alguns concertos.

"As pessoas estão se preparando", disse Archie Hamilton, diretor administrativo da empresa de promoção de música Split Works, com sede na China. "Há muito dinheiro lá."

A Big Hit Entertainment, a agente de capital fechado da BTS, preferiu não comentar. O Ministério da Cultura da China não respondeu a um pedido de comentários enviado por fax.

Ira

A ira da China em relação à decisão da Coreia, em 2016, de implantar o sistema de Defesa Terminal de Áreas de Alta Altitude (Thaad, na sigla em inglês) teve um alto custo. As agências chinesas pararam de vender excursões em grupo para o país, as lojas da gigante coreana do varejo Lotte Group subitamente começaram a ser suspensas por violações da segurança contra incêndios e os programas de TV coreanos começaram a desaparecer dos serviços de streaming chineses. O Banco da Coreia estimou que a reação da China suprimiu 0,4 por cento do crescimento econômico do país asiático menor naquele ano.

Mas há sinais de que a ira da China está diminuindo. A proibição de excursões em grupo foi parcialmente suspensa em 2018, as novelas sul-coreanos estão de volta à TV e as músicas de K-pop estão sendo promovidas em serviços de streaming chineses.

A K-pop tem se mostrado relativamente resiliente apesar da proibição efetiva das apresentações, já que a demanda por música da BTS, da Girls 'Generation e da BlackPink aumentou na China, de acordo com Bernie Cho, cuja empresa fornece serviços de distribuição para centenas de artistas coreanos. As tensões políticas não impediram que as gigantes chineses da internet Tencent Holdings e Alibaba Group Holding tivessem laços com as três maiores empresas de música da Coreia. O setor de música da Coreia do Sul gerou US$ 98 milhões em vendas em 2016 na China, seu segundo maior mercado externo depois do Japão, de acordo com o Serviço de Informações Estatísticas da Coreia.

"A K-Pop é pop internacional na Ásia", disse Cho, presidente da DFSB Kollective. "As empresas chinesas estão assinando contratos exclusivos e investindo em empresas de música de forma ativa, o que atesta a crescente confiança no mercado."