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Guerra cultural é eixo do governo, diz autor de livro sobre bolsonaristas

Pesquisador afirma que estratégia dos apoiadores de ter um inimigo para combater o tempo todo pode colapsar a administração; Imagem ilustrativa - Flávio Costa/UOL
Pesquisador afirma que estratégia dos apoiadores de ter um inimigo para combater o tempo todo pode colapsar a administração; Imagem ilustrativa Imagem: Flávio Costa/UOL

Wilson Tosta

Do Estadão Conteúdo, no Rio de Janeiro

23/06/2020 09h46Atualizada em 23/06/2020 11h58

O professor João Cezar de Castro, da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) disse que êxito do bolsonarismo — com sua paixão mobilizadora nas redes sociais e nas ruas — inviabiliza o governo Jair Bolsonaro.

"A guerra cultural é o eixo do governo. Por isso mesmo, a guerra cultural não deixa que haja governo. Esse é o paradoxo. Este governo vai entrar em colapso administrativo", contou em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

O pesquisador é titular de Literatura Comparada na instituição e explica o paradoxo citado do discurso bolsonarista no livro "Guerra Cultural e Retórica do Ódio (Crônicas do Brasil)", que lançará em julho.

Ele destaca a necessidade dos seguidores do presidente e dele próprio de ter, o tempo todo, inimigos a combater. Esse fator levará a administração ao colapso, prevê.

Isso estaria evidente no combate à covid-19. "É muito claro: a morte não é um meme, e vida não se reduz à disputa de narrativas", afirmou.

O autor contou que é possível estabelecer relações do governo brasileiro com outros países. "Não estou negando que seja possível fazer um estudo da guerra cultural bolsonarista que valorize a proximidade de tudo que o governo Bolsonaro realiza e que pode ser encontrado em governos da Turquia, da Hungria".

João Cezar enxerga que na pandemia, o exemplo de o presidente ter, por necessidade, um inimigo para combater.

"Em lugar de administrar a crise, de vislumbrar um futuro difícil e se antecipar a ele, Bolsonaro gasta o tempo inteiro criando inimigos políticos", disse. O professor ainda afirmou que os grupos de apoio do presidente estão cada vez mais extremistas, " e não somente isso, as milícias digitais estão indo para as ruas".