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Transformados em mitos, super-heróis de Stan Lee têm futuro garantido

Sebastian Artz/Getty Images
Stan Lee Imagem: Sebastian Artz/Getty Images

De Paris (França)

13/11/2018 18h57

Os super-heróis como Homem Aranha, Hulk ou X-Men parecem ter um futuro garantido, apesar da morte de seu criador, Stan Lee. Transformados em mitos da cultura popular mundial, são muito presentes, especialmente no cinema.

"Os super-heróis são nossas mitologias contemporâneas. Personagens que graficamente e culturalmente influenciam a moda, a arte de rua, a pop art, o desenho, a TV e o cinema: sua importância é considerável", ressalta Jean-Jacques Launier, fundador do museu de Arte Lúdica de Paris, que desde 2014 dedicou duas exposições a estes personagens.

Nascidos em 1938 com o aparecimento do Super-Homem, seguido no ano seguinte pelo Batman, os super-heróis caíram no esquecimento depois da Segunda Guerra Mundial, para voltar com força no fim dos anos 1950 e 1960 graças a Stan Lee, que criou o Quarteto Fantástico em 1961 para a Marvel.

Logo vieram os personagens do Homem-Aranha, Hulk, X-Men, Homem de Ferro e Pantera Negra, referentes da cultura popular mundial, dos videogames aos brinquedos, passando pelo cinema.

As primeiras adaptações em desenhos animados e filmes datam dos anos 1950. Com a mudança de século e o surgimento da tecnologia digital, foram melhorados os efeitos especiais, e a Disney adquiriu a Marvel em 2009.

Atualmente, uma dezena de filmes de super-heróis estreiam por ano.

Evoluem com o tempo

"Os super-heróis são os valores seguros das grandes produções de Hollywood", explica Jessica Assayag, responsável pela programação da Comic Con Paris, dedicada à cultura dos quadrinhos e à cultura pop. "Seu universo lhes permite realizar filmes cada vez mais ambiciosos".

A fórmula do sucesso reside primeiro nos superpoderes dos personagens, mas também no fato de que eles têm problemas muito humanos, o que permite ao público se identificar com eles.

"O super-herói da Marvel, e os que se inspiraram em sua receita, vem dizer que o dinheiro não traz felicidade", explica Xavier Fournier, especialista em super-heróis. "É comovente ver um cara que tem os poderes do Homem-Aranha mas que quando tira a máscara, tem problemas para pagar o aluguel e se preocupa com sua tia velha e doente".

O sucesso também se explica pela capacidade dos super-heróis de se adaptar a sua época.

Assim, no período dos primeiros heróis de Stan Lee, havia "a Guerra Fria e o medo da bomba atômica. O Homem Aranha é picado por uma aranha radioativa, Hulk é impactado por raios gama, os X-Men são denominados os filhos do átomo", lembra Launier.

"Vingadores: Guerra Infinita", que estreou este ano e representou o quarto maior sucesso de bilheteria mundial da história do cinema, "fala da superpopulação", enquanto em "Pantera Negra", primeiro filme de um super-herói negro, "aborda-se as raízes das pessoas", afirma.

"Os quadrinhos souberam evoluir com o tempo e abarcar os problemas atuais. Houve comics sobre o Watergate, a guerra do Vietnã... Hoje, fala-se dos problemas raciais e de transgêneros", explica Jean Depelley, especialista em quadrinhos.

Tudo indica, portanto, que os filmes de super-heróis têm pela frente um futuro promissor: "Enquanto houver criatividade, não haverá estagnação", aponta Assayag.