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Chico Barney

O Agro é pop? Exaltasamba defende cotas para barrar sertanejo universitário

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Thell & Brilhantina esperam trazer o Exalta de volta aos holofotes Imagem: Reprodução
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Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

27/06/2017 13h52

O Exaltasamba ainda existe. Talvez esse seja o primeiro choque que você está sentindo ao ler a coluna de hoje. Mas certamente não será o único.

Durante boa parte da década passada até a saída de Thiaguinho, Péricles e Pinha em 2012, a banda ostentava uma popularidade comparável com a de Ivete Sangalo. Sucessos arrebatadores como "Livre Pra Voar", "Tá Vendo Aquela Lua" e "Um Minuto" consagraram Thiaguinho como artista pop relevante e elevaram o Exalta a um status impensável em pleno século 21.

Thell e Brilhantina, integrantes da banda desde a fundação, retomaram os trabalhos da banda em 2016. Agora como um quarteto e novamente contando com dois vocalistas, Jeffinho e Nego Branco, constroem uma trajetória menos suntuosa que a encarnação anterior.

Via assessoria de imprensa, fiz algumas perguntas para os decanos do Exalta. Estava interessado em descobrir como eles enxergam o atual momento do mercado fonográfico, a força do sertanejo universitário e em que pé está a situação com os antigos integrantes.

CONVERSAS REPUBLICANAS #2 - EXALTA

Coluna Chico Barney: O pagode parece viver um momento de retração, com poucos artistas atingindo uma abrangência maior. O público do gênero envelheceu e está interessado apenas na nostalgia dos sucessos antigos?

Exalta: O problema não se restringe ao pagode ou samba, porque o rock nacional, há mais de dois anos, não aparece uma única vez entre as cem músicas anualmente mais executadas nas rádios do Brasil. Nos últimos anos até o forró pé-de-serra vem perdendo espaço para o sertanejo universitário nas festividades dentro do São João no interior do Nordeste.

O problema é que a música nacional como forma de expressão cultural começou a morrer quando as emissoras de rádio institucionalizaram o pagamento de forma obrigatória para que uma nova música, de qualquer gênero, seja executada. Faz mais de 20 anos que as FMs não vivem comercialmente mais de spots comerciais e, com isso, o sertanejo universitário, que chegou no mercado com investimentos de muitos capitalistas ligados à pecuária e/ou agricultura, tomou conta da programação.

É lamentável que uma concessão dada pelo Estado Brasileiro (onde pode entender-se povo brasileiro), como acontece com as emissoras de rádio FM ou AM, seja utilizada para liquidar a música brasileira como forma de expressão cultural. Vivemos uma fase de extinção da MPB, do rock nacional, forró, samba, pagode o brega e qualquer outro segmento musical que não tenha um caminhão de dinheiro.

É claro que o público tem grande interesse pelo chamado pagode retrô. São músicas que, em outras épocas, foram muito executadas pelas rádios em todo o Brasil e que o público conhece e sabe cantar. Espaço para novos grupos e artistas existe, mas como um artista novo irá dispor de R$ 600 mil, R$ 800 mil para gastar em emissoras de FM pelo Brasil, apenas em praças e/ou cidades importantes, a cada dois meses para tentar fazer uma música nova virar sucesso nacional? Essa é uma grande realidade, um verdadeiro "segredo de polichinelo", que todo mundo sabe, mas não comenta.

Como vivemos em um país do "terceiro mundo", quem sabe no futuro, assim como já acontece hoje no caso das universidades, onde existem cotas para pobres e afrodescendentes, em algum momento o governo vai ser obrigado a estabelecer cotas de horários que obriguem as emissoras de rádio FM e AM do Brasil a executarem músicas de novos artistas de quaisquer gêneros musicais. Se a gente imaginar que o Ministério da Cultura, em 2017 começou o ano com um caixa zero para quaisquer investimentos, vemos que não existe nenhuma preocupação das autoridades quanto a cultura no Brasil.
 
O grupo deixou de assinar como Exaltasamba no material de divulgação, passando a ser apenas Exalta. Isso tem alguma coisa a ver com esse momento? Podemos esperar o grupo fazendo um som mais diverso, como o Art Popular e outros?

Quanto a simplificação do nome de Exaltasamba para Exalta se deu por três motivos:

A - Faz mais de dez anos que o público em geral adotou o diminutivo carinhoso de Exalta para falar do Exaltasamba. 

B - Mais uma vez o Exalta vem para o mercado reiniciando uma continuidade na história do grupo musical, revelando novos talentos para o Brasil. É o caso de Jeffinho, um garoto de apenas 22 anos que morava na comunidade da Serrinha em Madureira, no Rio de Janeiro, no qual identificamos um grande "talento nato" para a música brasileira; e Nego Branco, que durante toda sua vida acompanhou de perto a trajetória do Exalta e é um sambista nato e excepcional intérprete.

C - Como é do conhecimento das mídias, existe uma questão ainda pendente na esfera judicial quanto a utilização da marca Exaltasamba, originalmente usada até fevereiro de 2012, quando foram paralisadas as atividades pelo desligamento do grupo por parte do Thiaguinho, Péricles e Pinha para seguirem em carreiras solo. Em termos práticos, ao que tudo indica, a ideia dos três que saíram seria a de preservar a marca como um porto seguro em eventual naufrágio de carreiras solo, o que parece persistir em 2017, pois ainda tentam por meios judiciais barrar o Exaltasamba de voltar atuando no mercado.

E como processos cíveis no Brasil se estendem por muitos anos, acreditamos que paulatinamente a marca Exalta poderá suplantar a marca Exaltasamba em termos de mercado que é o fulcro central de importância para Thiaguinho, Péricles e Pinha. O que acontece é meio surreal, como fosse Ivete Sangalo ou Claudia Leitte tentando barrar por vias judiciais o trabalho das bandas que originalmente as revelaram como intérpretes para o mercado da música (NdCCB: a saber, Banda Eva e Babado Novo, respectivamente).

Por conta das divergências com ex-membros da banda, vocês sentem algum tipo de boicote por parte de veículos?

A grande dificuldade do Exalta no mercado atual é a mesma que dos demais artistas. O Exalta também não tem o caminhão de dinheiro para despejar nas emissoras de rádio FM do Brasil.

Como é a relação de vocês com outras bandas? Estão se sentindo bem recebidos nessa nova fase?

O grande problema do segmento do samba e do pagode reside muito provavelmente nas origens culturais das pessoas que atuam nesse meio. Dentro desse segmento nunca existiu, nem existe, um sentimento de união em prol do segmento no mercado. Todos são amigos de todos, porém todos se enxergam como concorrentes, mais em função de um "pseudo status" individual, do que o business propriamente dito. Ou seja, não existe o conhecimento geral do dito popular:  "Uma andorinha só não faz o verão". Bastante diferente do sertanejo, que entende que, quanto mais duplas de sucesso tiverem, mais forte é o segmento.

VIDA QUE SEGUE

 

EXALTA NA EUROPA

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Depois de uma turnê no começo do mês pela Europa, onde tocaram em regiões com a presença atuante de brasileiros, como Verona (Itália), Stuttgard (Alemanha), Geneve (Suíça), Dublin (Irlanda) e Londres (Inglaterra), o Exalta prepara seus próximos passos.

A banda acaba de gravar um single inédito, com direito a clipe e tudo. E no segundo semestre deve lançar um EP com outras seis músicas novas.

Continuaremos acompanhando esses baluartes da música realmente popular brasileira. Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Em notas relacionadas, leia a primeira edição de "Conversas Republicanas", o talk show da Coluna Chico Barney: "Nana Gouvêa sobre Trump, Temer e Shakespeare".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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