PUBLICIDADE
Topo

Zélia Duncan lança disco como "antídoto" a turbulência dos dias atuais

Roberto Setton
Imagem: Roberto Setton
Adriana de Barros

Colunista de Música do UOL, onde atuou 20 anos na área de Entretenimento, com coordenação de coberturas em grandes festivais e do Carnaval. É curadora do edital 2020 Natura Musical e integrou o Superjúri 2019 do Prêmio Multishow. Eleita uma das cinco melhores jornalistas musicais do Brasil pelo WME Awards by Music2. Apresentadora do podcast Fala Zé na rádio Energia 97 ao lado de Zé Antônio Constantino e Hélio Cosmo Leite.

06/06/2019 07h00

"Tudo é Um", novo trabalho autoral de Zélia Duncan, acaba de ser lançado. Produzido por Christiaan Oyens, o álbum reúne parcerias com Chico Cesar, Zeca Baleiro, Dani Black, Fred Martins, Dimitri BR, Moska e Oyens

Nele, a cantora olha para o início de sua carreira e reúne 11 faixas que remetem ao pop folk de quando tudo começou. Um disco repleto de delicadeza, que exalta a calmaria, leveza e todos elementos que fogem dos momentos turbulentos vividos nos dias atuais.

Enviei algumas perguntas para a cantora baseada nas frases de cinco faixas do álbum e também sobre sua vida ativa nas redes sociais. Leia abaixo:

Adriana: Pra você, qual é a receita pra não sofrer? - De "Canção de Amigo", cuja letra foi inspirada em três amigas que Zélia tem Brasília, dos tempos de colégio. Sempre que a cantora está por lá, elas dão um jeito de se encontrar.
ZD: Na música a receita é aceitar a imperfeição e gostar de ser quem se é! Nisso eu acredito muito. E um amigo por perto, sempre ajuda a manter a lucidez!

Quando você pede calma e bota a alma pra pensar? - De "Feliz Caminhar" feita com seu parceiro das antigas, o cantor Moska. Ele é coautor da música e as cordas foram gravadas na Rússia.
Isso é mais um desejo do que algo que eu realmente consiga realizar sempre, mas garanto que quando a raiva ou a irritação atuam, o melhor é tentar respirar e compreender do que se trata! em tempos como o de hoje, cheios de ódio e localização, deve-se exercitar diariamente.

O que você faz quando a espera é tempo demais? - De "Só Pra Lembrar" estava na fila para ser gravada e entrou neste trabalho. A faixa é uma parceria com Dani Black.
Lembra porque tá esperando, e quem. Pensa se vale à pena. Na canção, o que acalma é a espera é se sentir amado. O amor sempre salva a espera, escuridão, a aridez da vida.

Capa de "Tudo é Um" - Divulgação - Divulgação
Capa de "Tudo é Um"
Imagem: Divulgação
O que te alegra o dia? - De "Me Faz Uma Surpresa" é uma parceria com Zeca Baleiro, outro amigo de longa data de Zélia. O arranjo de metais é de Christiaan Oyens.
Minha casa, meu violão, meus cachorros, dar uma boa corrida, conseguir frear a pressa. Visitar minha mãe, coisa aparentemente simples.

O que te espera do lado de fora? - De "Medusa" é a segunda música do álbum feita em parceria com Zeca Baleiro com baixo tocado por Kassin.
O mistério, sempre. E se o mito da Medusa quiser me paralisar, eu abro as asas e voo.

Você é uma artista que usa muito as redes sociais para se posicionar em relação ao momento político atual do país e é ativa na combate ao ódio. Como esse posicionamento impacta nas plateias dos seus shows?
Positivamente. Descobri que os fabricantes de ódio, agressão e violência, não são necessariamente a nossa plateia, nunca seriam. Quem consome cultura sabe o quanto ela faz diferença na vida, o quanto faz companhia e faz pensar. Os artistas são o povo, nascemos colados, por isso metemos medo, porque sabemos nos comunicar. Meus shows têm sido cada vez mais comunhão de pensamentos e coração.

O disco não parece da mesma autora dos tuítes. Ele é repleto de delicadeza e traz calmaria em músicas de autoaceitação, paciência, caminhos leves... Nele, você tentou buscar a calmaria para a era turbulenta que vivemos?
Meus tuítes não são raivosos, são críticos. Eu procuro o diálogo, converso com muita gente e bloqueio os estúpidos, sem conversa, tenho mais o que fazer. E também aprendo, leio, dou risada. Aprendi a lidar ali, eu acho. Meu disco está gentil, macio, não foi programado, mas acho que eu estava precisando. Como um antídoto.

Você é bastante ativa no twitter. Já sofreu algum tipo de ameaça?
Agressões várias, pelo Face também, mas sei que tem gente que recebe coisas bem piores e terríveis, vamos vendo. É muito deprimente ver o Brasil assim?temos que nos encontrar, ir aos eventos culturais e frequentar os amigos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL