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Adriana de Barros

Dado e filho de Renato Russo divergem sobre material inédito da Legião

Montagem UOL
O guitarrista Dado Villa-Lobos e Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo Imagem: Montagem UOL
Adriana de Barros

Adriana trabalha no UOL desde 2000, passou pelas rádios Mix FM, 97Rock e pela gravadora Sony Music.

03/12/2018 10h09

O racha entre Giuliano  Manfredini, filho de Renato Russo, e o músico Dado Villa-Lobos parece estar longe do fim. Eles não entram em acordo sobre lançamentos de conteúdos inéditos da Legião Urbana. O filho de Renato apresentou uma lista de material em vídeo [veja abaixo] que gostaria que chegasse aos fãs. Dado Villa-Lobos, no entanto, acredita que todo material ao vivo da banda já foi usado da melhor maneira em áudio.

"É ruim fazer relançamentos, sendo que temos uma lista de material inédito. Os fãs merecem mais", justifica o herdeiro de Renato Russo.

Dado, por sua vez, lamenta não ter autorização de Giuliano para os áudios inéditos que ficaram fora do álbum "Dois" (1986), projeto semelhante ao realizado com o primeiro disco "Legião Urbana". "Nesses outakes teríamos inéditas como 'Juízo Final', de Nelson Cavaquinho, entre outras possibilidades que nem sequer tive acesso, pois perante a negativa junto à Universal, detentora dos direitos fonográficos da Legião, não pude dar continuidade ao projeto", explica.

Para Dado Villa-Lobos, o show do Metropolitan (1994), que consta na lista de Giuliano, é o duplo "Como é Que Se Diz Eu Te Amo", lançado em 2001, e o do Parque Antártica é o "Quatro Estações Ao Vivo", que saiu em 2004. "Fizemos o que havia de melhor com nosso material 'ao vivo'", explica o guitarrista da Legião.

"Desafio o Dado a ir na [gravadora] Universal e autorizar o lançamento do material inédito da Legião. Eu já abri o baú do Renato. Por que ele não abre o da Legião?", questiona Giuliano Manfredini, repetidas vezes em conversa com a coluna no final do mês passado, em São Paulo.

Em relação às apresentações ao vivo, Giuliano sonha com um show-tributo ao pai com pessoas que tivessem a ver com o legado. Para ele, o show promovido por Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e André Frateschi não representa o que foi a arte do Renato, que levava meses para compor uma canção.

A coluna procurou a gravadora Universal, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto.

Espólio de Renato

Giuliano Manfredini, 29 anos, único filho de Renato Russo, é representante legal de toda obra do pai. Ele rebate críticas que recebe desde que decidiu "tirar do baú" materiais inéditos.

"Não desmontei o apartamento, só o levei a um maior número de pessoas. Você já viu uma exposição como a do Renato no MIS? Ela foi premiada. Encontrei no apartamento cerca de 300 cassetes em sacos de lixo. Estão todas aqui catalogadas e já foram recuperadas", disse, apresentando a lista do material resgatado.

Ele concedeu ao MIS total acesso ao apartamento do Rio de Janeiro, onde o músico viveu os últimos anos de sua vida, confiando à equipe do museu sua catalogação, conservação e adaptação para a exposição, com a curadoria de André Sturm, então diretor da instituição. Os fãs tiveram acesso a objetos pessoais como fotos, manuscritos, instrumentos musicais, fanzines, letras de músicas, desenhos e cartas de fãs. 

 A mostra, que ficou em cartaz entre setembro de 2017 e janeiro de 2018, foi premiada como "Melhor Exposição do Ano", promovida pelo Guia da Folha, pelos votos dos críticos e públicos.

Giuliano também liberou a canção "Boomerangue Blues" para abertura da novela "O Outro Lado do Paraíso", da TV Globo. Foi ao ar o som original, quase como uma demo do cantor. Outro ponto polêmico sobre o legado de Renato foi o bazar beneficente promovido pelo Retiro dos Artistas com peças pessoais do líder da Legião Urbana.

A irmã de Renato Russo, Carmen Manfredini, em uma carta aberta, acusou o sobrinho de "se livrar" do valioso acervo do artista. "Como pode Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo, que deveria zelar por todo esse patrimônio, leiloar simplesmente tudo? Se desfazer do mesmo como não significasse nada?", escreveu ela. 

"[Os objetos] são reminiscências de artigos pessoais do dia a dia do Renato. Roupas, pijama, mobília, cabeceira. Essas coisas que não pertencem ao patrimônio artístico/cultural dele. Para a causa do Retiro dos Artistas têm valor muito grande, para eles cuidarem dos artistas velhinhos", argumentou Giuliano em entrevista à rádio 89 FM.

"As pessoas estão falando de fake news só agora, mas sou vítima desse tipo de notícia desde 2013", desabafou.

Veja abaixo a lista de shows que Giuliano quer lançar em DVD:

Metropolitan - Rio de Janeiro (1994)
Parque Antártica - São Paulo (1990)
Parque do Ibirapuera - São Paulo (1994)
Jockey Club Arena - Rio de Janeiro (1990)
Parque das Mangabeiras - Belo Horizonte (1991)
Vitória - (1992)
Recife (1992)
Sorocaba (1992)
Taubaté (1990)
Morro da Urca 
Porto Alegre