Coluna

Adriana de Barros

Diretor de "O Outro Lado do Paraíso" revela como criou a trilha da novela

Montagem UOL
Alabama Shakes, Radiohead, The XX, Renato Russo e George Thorogood estão na trilha sonora de "O Outro Lado do Paraiso" Imagem: Montagem UOL
Adriana de Barros

Adriana trabalha no UOL desde 2000, passou pelas rádios Mix FM, 97Rock e pela gravadora Sony Music.

10/11/2017 04h00

Não é de hoje que as trilhas sonoras das novelas e minisséries da Globo chamam a atenção do telespectador, mesmo dos menos assíduos. Com “Vidas Secretas”, “Velho Chico”, “Dupla Identidade” e outras produções foi assim.

No ar desde o último dia 23, "O Outro Lado do Paraíso" atrai mesmo quem não acompanha a trama. É impossível não olhar para a TV para saber o que está rolando quando começa tocar “Boomerangue Blues”, música de Renato Russo, que nem chegou a ser gravada em estúdio pelo cantor. O único registro é uma gravação caseira, que veio à tona no fim dos anos 1990.

Isso acontece pelo efeito da boa trilha sonora que embala os capítulos do folhetim das 21h da Globo. A música ajuda a entrar no clima da trama.

Ao se deparar com imagens do Tocantins, região Norte do Brasil, onde se passa maior parte da história, o telespectador não encontra o óbvio. Conhecida como região onde o sertanejo predomina, o estilo mais tocado nas rádios de todo Brasil até consta na lista de canções, mas não tem privilégios.

Isso porque o diretor artístico Mauro Mendonça Filho, responsável pela composição da trilha sonora, acha que essa visão de o interior do Brasil ser caipira é muito ultrapassada. Fora que "O Outro Lado" está longe de ser uma novela sertaneja.

"Tentei fazer uma ligação entre o Brasil e o sul dos Estados Unidos. Fomos buscar o som dos bares americanos", explica ele, que levou uma seleção de músicas em seu iPad para a locação e ficou testando o que funcionava. Alguns foram descartados por falta de licença para execução.

Sem pensar diretamente nos personagens, mas nas situações, o diretor escolhia as canções a partir da identificação do cenário com a música. Foi assim que ele chegou a nomes dos anos 1970 como Emerson, Lake & Palmer, Lynyrd Skynyrd e George Thorogood, do indie rock como Daughter, Alabama Shakes, The XX e rock do Radiohead. "Depois de o Tarantino pegar tudo que ele ouvia e levar para seus filmes, foi-se o tempo que a televisão tem que tocar hits atuais para fazer sucesso em novela. Música boa não tem validade."

Grande admirador do rock progressivo e do punk rock, Mauro Mendonça está fazendo sucesso com sua trilha. O radialista e pesquisador musical Roberto Maia, que está no ar de segunda à sexta no “Show do Tatola” na Rádio 89 FM de São Paulo, não cansa de elogiar a escolha do playlist. “Já tem algum tempo que as trilhas das novelas têm me surpreendido. Ultimamente estão cada vez melhores. Já achei boa da novela anterior, mas esta está se superando”, elogia Maia, que é colecionador de discos de trilhas.

Para o radialista, as novelas estão se tornando um novo canal para o público ter acesso a novas músicas. “A novela ajuda bastante mostrar o som porque ele [telespectador] está ouvindo todos os dias, além disso, o visual e a trilha ajudam muito a novela se destacar”, diz ele, que acompanha a trama e a considera “bem real” em relação aos temas.



Trilha ameniza violência

O diretor acredita que as trilhas instrumentais são as responsáveis por tornarem leves as cenas mais intensas como a violência entre o casal Gael (Sérgio Guizé) e Clara (Bianca Bin) e outras situações de personagens que sofrem na trama. "Tento contrabalançar essa violência com o visual e a trilha", diz Mauro.

João Paulo Mendonça, irmão de Mauro, que trabalha há 30 anos na TV, foi quem produziu e gravou os temas instrumentais. As cordas que compõem as músicas foram gravadas com uma orquestra na Rússia.

Mauro Mendonça Filho frisa a importância de uma questão mundial ser abordada por uma novela e não acredita que isso possa afugentar o público. "A novela claramente não fica no meio do caminho. A gente está ao lado de quem sofre", diz o diretor, que admite que inicialmente não é agradável, mas é um assunto que deve ser abordado.

Musical 'American Idiot'

Inspirado no sétimo álbum de estúdio do Green Day, de 2004, Mauro Mendonça Filho está em fase captação para montagem do musical "American Idiot", que estreou na Broadway em 2009.

O diretor está animado para mostrar um "musical bem rock'n'roll" e trabalha com 2018 para a data de estreia. Di Ferrero, vocalista do NX Zero, deve compor o elenco.

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