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"Tocávamos em troca de espeto e refri", relembra dupla Zé Neto e Cristiano

A dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano - Rosa Marcondes/Divulgação
A dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano Imagem: Rosa Marcondes/Divulgação

Jonathan Pereira

Colaboração para o UOL

18/04/2019 13h06

Zé Neto e Cristiano falaram do sucesso no "Conversa com Bial" de ontem (17). A dupla sertaneja, que ganhou o troféu Melhores do Ano do "Domingão do Faustão" por "Largado às Traças", relembrou as dificuldades do início da carreira.

"A gente ganhava nada, tocava em troca de espeto e refrigerante. Não tocava em barzinho, era boteco, boteco mesmo. Como era região rural, ninguém queria pagar para tocar", recorda Cristiano, que decidiu largar o emprego na farmácia em que viraria gerente para tentar a sorte na música.

"Aquela peleja, eu meti o louco. Ganhava um salário legal, falei: 'vou cantar'. Alguns parentes viravam e falavam 'ih, vagabundo'. Meu pai disse uma frase que nunca vou esquecer: 'se não der certo, você é novo, corre atras, dá tempo. Tenta dois, três anos; se não virar, faz outra coisa'. Acho que se você não se empenhar, não se arriscar, ficar naquela zona de conforto, o que vai acontecer? Nada", continua.

Nem sempre a família entende, conta Zé Neto. "A minha apoiou, a dele também mas, quando você começa a cantar, no geral, tem um preconceito da família. Quando fala 'eu canto', perguntam 'e trabalhar, trabalha no quê?", diverte-se.

Maratona de shows

Eles tentam aproveitar ao máximo o sucesso. "Já chegamos a fazer 32, 33 shows por mês, três em uma noite. Não que a gente seja muito a favor, mas o escritório vende, a gente tem que cantar. Todo mundo acha que é fácil, mas já ficamos três noites sem dormir, tomando energético para ficar acordado, sem tomar banho...", confessa Zé, explicando o que os leva a aceitar.

"Hoje a gente tem ciência que nada é para sempre. Como a gente está nesse auge agora, aproveita. Sertanejo tem disso, tem esse fervor, todo mundo quer ir nos shows. Ao longo dos anos, as coisas vão acalmando".