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05/04/2012 - 00h06

"O Livro das Coisas Perdidas" traz contos nem tão encantados para jovens de todas as idades

Marta Barbosa

Divulgação

Capa de

Capa de "O Livro das Coisas Perdidas"

Era novembro de 1939. Londres estava empilhada de sacos de areia e abrigos de metal e David, o pequeno herói de "O Livro das Coisas Perdidas", de John Connolly, vivia uma importante transição na sua vida. Em busca do consolo para as injustiças da vida, ressaltadas ainda mais pelos seus 12 anos, David se refugia na ficção, e faz a mais temida de todas as passagens para o mundo do conto de fadas: aquela sem retorno.
 
"O Livro das Coisas Perdidas" está na estante de infanto-juvenil, mas nada impede que seja uma agradável leitura adulta. Não apenas pela boa narrativa, mas principalmente pelo enredo bem desenvolvido. David é um personagem encantador, cheio de neuras e traumas. Parte da morte da mãe a grande mudança de perspectiva do olhar --da realidade para a ficção. A revolta de perder a figura materna impulsiona o garoto para outro mundo.
 
"Este mundo não era igual ao mundo de suas histórias, no qual o bem era recompensado e o mal, punido. (...) Este mundo não recompensava a coragem", dizia David. Seu estado de angústia ainda era agravado pela sensação de culpa pela morte da mãe, mas não uma culpa baseada na realidade. David achava que o não cumprimento por descuido de algum dos muitos pequenos rituais que criou pode ter agravado o estado de saúde da mãe, que desfalecia num "hospital".
 
Some a isso a decepção do garoto em conhecer --cinco meses, três semanas e quatro dias após a morte da mãe-- a mulher que viria a ser sua madrasta e mãe de seu irmão. A paixão pelos livros, e pelas possibilidades que a ficção abre, é a herança maternal que David se agarra com salvação.  Interessante como o autor torna física essa transformação psicológica do personagem, que começa tendo "a impressão de ouvir os livros conversando uns com os outros".
 
"Naquela noite, enquanto David estava no quarto, aqueles murmúrios dentro da cabeça somaram-se ao som que vinha dos livros. Foi obrigado a tapar as orelhas com o travesseiro para abafar o barulho daquela conversarada toda, enquanto as histórias mais antigas iam acordando e começando a procurar lugares onde pudessem crescer".
 
Mais para frente, na noite do primeiro ataque aéreo em Londres na Segunda Guerra Mundial, David é enfim transportado para o mundo dos livros. Nem sempre encantado, a ficção se revela bastante dura, trazendo de volta os contos de fada que ouvia da mãe em histórias sombrias. Para voltar para casa, David precisa enfrentar seus pesadelos, agora personificados em bruxas, lobos famintos, bestas e outras aberrações. 

"O Livro das Coisas Perdidas"

Autor: 
John Connolly
Editora: 
Bertrand do Brasil
Tradutor: 
Cecília Prada
Páginas: 
364 páginas
Preço: 
R$ 39, em média

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