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28/01/2012 - 07h00

Diário de solteirona argentina que virou série de TV chega às livrarias brasileiras

Marta Barbosa

Divulgação

Capa do livro

Capa do livro "Encontro às Cegas", de Carolina Aguirre

“Encontro às Cegas – 227 Dias para Arrumar um Namorado” (editora Benvirá, tradução de Adriana Navarro) é um livro que nasceu na internet, e já virou série de televisão em países como Argentina, Uruguai e Espanha. Originalmente, o diário de Lucía Gonzalez era um blog escrito secretamente pela argentina Carolina Aguirre. Digo secretamente porque fazia parte do projeto da escritora e roteirista manter a autoria em segredo, dando vida “virtual” à sua personagem, que chegou até a dar entrevistas.


Lucía é uma mulher de 30 anos, solteira, acima do peso e meio sem esperança com a rotina que leva. Sua vida ganha mais graça (para não dizer humor mesmo) quando ela se vê desafiada pela mãe a conseguir um namorado antes do casamento da irmã. A mãe faz uma aposta com outra filha, a que vai casar em 227 dias. “Lucía vai ao casamento sozinha, gorda e de vestido preto. E mais, se ela levar um namorado, eu pago a festa toda. Mas não valem amigos, colegas de trabalho ou acompanhantes de favor. Tem que ser um namorado de verdade!”

A aposta é o ponto de partida do diário virtual, que agora chega às livrarias brasileiras na versão livro. Lucía se parece com quase todas as mulheres de sua idade, dividindo inseguranças e sonhos. O texto é ágil, leve, bem humorado e muito visual. Agora, já desfeita a enganação quanto à autoria do blog, Carolina Aguirre se firma como uma escritora do seu tempo lançando a primeira novela, “El Efecto Noemí”, ainda sem tradução ao português. A seguir, a escritora explica suas motivações para escrever e fala sobre o novo livro.

  • A escritora argentina Carolina Aguirre

O que a fez criar o blog?
Tinha muita vontade de contar essa história e me parecia que reproduzir a dinâmica da telenovela das cinco da tarde, mas escrita, como os antigos folhetins, podia ser uma experiência incrível. E assim foi. E me diverti como nunca na vida.

Como é seu trabalho de construção de personagens? Quem são as mulheres que servem de inspiração?
Eu penso na história e depois em quais seriam os personagens que melhor poderiam levar adiante esse drama. Sempre elejo personagens que eu gosto, obviamente, porque não sei se alguém pode escrever bem algo que não lhe desperta interesse intenso e constante. Não me inspiro em ninguém em particular, mas sim, guardo coisas. Apelidos, formas de segurar a xícara, slogans, profissões, histórias. Como se guardasse fantasias e acessórios que depois uso quando armo um personagem.

A passagem do texto da internet para o papel requer muitos ajustes?
É uma adaptação como outra qualquer, de livro a televisão, de teatro ao cinema. São linguagens diferentes. 

Seu texto é muito visual. Quando você escreve te saltam as imagens?
Eu sou roteirista, assim que penso dessa maneira. Estou “formatada” como roteirista e penso em termos de cenas, pontos de virada (turn points) ou ação dramática. Se não vejo o que estou contando, ou melhor dito, se o leitor não pode ver, não serve.

Você participou da adaptação do texto para a televisão? 
Não. Quando se adaptou para TV eu já havia feito o blog e o livro, e estava escrevendo “El Efceto Noemí”, meu novo romance. Há que pensar que eu fiz todo mundo acreditar que Lucía existia, me fiz passar por elas por nove meses, enquanto as pessoas liam o blog. E depois, na Argentina lancei o livro como Lucía González, com pseudônimo, para não quebrar a ilusão. E como ao mesmo tempo havia editado outro livro com meu nome, dava entrevista sobre ambos, ao mesmo tempo, com duas vocês diferentes e dois celulares. Talvez tenha dado entrevista na mesma estação de rádio na mesma semana, mas não sabiam que as duas pessoas eram eu. Pensavam que eram duas escritoras diferentes.

Depois de dois livros em formato de roteiro, você acaba de lançar o seu primeiro romance, “El Efceto Noemí”. Você acredita que essa mudança no formato narrativo é uma evolução natural do seu trabalho?
Não, de jeito nenhum. Não sinto que publicar diretamente em papel seja uma evolução de publicar em internet, aliás, acho justamente o contrário. Mas eu queria provar como era escrever um romance na forma tradicional. A cegas, sozinha, sem que ninguém lesse durante três anos. E ademais, eu sempre penso na história primeiro. E depois decido se é um roteiro, um romance, um folhetim, um blog. “Encontro às Cegas” era um folhetim por capítulos, originalmente. “El Efceto Noemí” é um romance no qual trabalhei muito para que fosse lido de uma só vez, sem que o leitor pudesse deixá-lo antes do final. Espero ter conseguido.

É verdade que seu marido e seu próprio casamento são fontes de inspiração para você?
Tudo serve de inspiração, mas meu último romance foi um presente do meu marido. Estávamos tomando uma sopa que faço sempre e ele adora e lhe disse que aconteceria se um dia nos separássemos. Nunca mais ia pode tomar aquela sola. E ele comentou que talvez não conseguisse dormir à noite, se sentiria mal e não saberia o porquê. E disso trata meu novo romance: um homem que deixa sua mulher depois de 30 anos e já não pode voltar a dormir porque não come sua comida. É um divórcio contado através de uma geladeira.


"Encontro às Cegas - 227 Dias para Arrumar um Namorado"

Autor: 
Carolina Aguirre
Editora: 
Benvirá
Tradutor: 
Adriana Navarro
Páginas: 
320 páginas
Preço: 
R$35

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