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16/08/2009 - 11h41

Em "O Belo Sexo dos Homens", filósofa narra redescoberta do corpo masculino

MARTA BARBOSA
Colaboração para o UOL
Florence Ehnuel é o pseudônimo de uma filósofa e psicoterapeuta francesa ocupada em relacionar a filosofia à vida cotidiana. Professora bastante atuante em Paris, ela até já recebeu um prêmio da Académie Française, em 2004, por aplicar o que chamam filosofia moral. Não é, por assim dizer, uma mulher vazia, muito menos desocupada. E talvez ai esteja o ponto forte do seu livro "O Belo Sexo dos Homens" (tradução de Véra Lucia dos Reis, publicado no Brasil pela Objetiva).
  • Em "O Belo Sexo dos Homens", filósofa narra redescoberta do sexo masculino



Bruna Surfistinha e Catherine Millet a parte, trata-se de um testemunho bastante detalhado da redescoberta do corpo masculino e o ressurgimento da própria sexualidade. Por volta dos 35 anos, Florence deixou o confortável espaço num casamento tradicional e se viu estimulada a viver aventuras amorosas. Não perdeu tempo.

Dos encontros casuais, relatados com pouco romantismo no livro, mas com muito erotismo, Florence foi construindo um mosaico interessante de descobertas sobre o corpo masculino. Despertou, como ela própria faz questão de esclarecer, para as belezas do sexo, que não tem nada a ver com amor ou casamento, mas que se tornaram complementares na sua vida.

A partir de suas próprias experiências, a autora vai liberando suas teses a respeito da sexualidade feminina. Aborda, por exemplo, a questão da poligamia em tempos modernos. Florence rejeita o sentido clássico de fidelidade. Desdenha qualquer relacionamento baseado no monopólio. "Parece que se apaixonar resulta em exclusividade, na concentração de toda a energia numa única pessoa", escreve. "Não sei por quê, mas eu diria que, para mim, é o oposto. Estar apaixonada por um homem me torna apaixonada por todos os lados."

Da mesma forma, o ciúme é visto como alguma coisa no mínimo desnecessária. Justificado, no máximo, como uma reação espontânea, incontrolável algumas vezes. Mas como base de regra de vida, um sentimento sem sentido, alienante, para dizer o mínimo. A escritora se justifica usando uma comparação no mínimo inusitada: relaciona o homem a um pico dos Pireneus. "Acho-o esplendoroso e sonho em escalá-lo regularmente. Apesar desse entusiasmo, não gostaria que me dissessem que será a única e exclusiva caminhada que terei o direito de fazer na vida, ou até mesmo no próximo decênio."

Mas não se engane. "O Belo Sexo dos Homens" não é um livro sobre a promiscuidade. Embora seja um relato capaz de deixar qualquer feminista de cabelo em pé, há um discurso social no testemunho de Florence. No fundo, parece o relato libertador de uma mulher que venceu a opressão sexual assumindo um papel de protagonista quando o assunto é sua própria sexualidade.

A autora assume, por exemplo, certo prazer em ser frágil diante do homem. Diz que a força masculina é um ponto de atração na relação heterossexual, e que não há submissão alguma em ser carregada, cortejada, e tratada como um ser delicado no jogo da conquista.

Também relata a observação do corpo como uma parte da relação sexual tão desejada quanto a penetração, ou o gozo. A escritora permite-se e defende o exibicionismo e o voyeurismo sem conotação patológica, mas sim como um estágio da intimidade, absolutamente necessário no espaço onde todo o desejo é permitido.

Para dar crédito a suas teses sobre sexualidade feminina, Florence cita de Jean Renoir a Platão. Deriva do "Banquete", aliás, a lição de poligamia que a autora sustenta. "Platão ensina que o amor pelos belos corpos é o primeiro grau na ascensão para outros amores menos carnais e muito mais compensadores para a alma." Então tá.


"O BELO SEXO DOS HOMENS"
Autor: Florence Ehnuel
Tradução: Véra Lucia dos Reis
Editora: Objetiva
Número de páginas: 112
Preço sugerido: R$ 39,90

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