Entre lobos e leões

Como os Starks e os Lannisters se tornaram as famílias decisivas para os jogos de "Game of Thrones"

Beatriz Amendola Do UOL, em São Paulo
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Há muitas formas de se definir a história de "Game of Thrones", a série-fenômeno da HBO que começa a se despedir do público no próximo domingo, dia 14 de abril, às 22h.

Pode ser pelo embate dos vivos contra os mortos, representados pelos temidos White Walkers; pode ser pela transformação de seus jovens protagonistas, forçados ao amadurecimento precoce pelas circunstâncias adversas. Mas, definitivamente, a série não seria a mesma sem a oposição de suas duas famílias mais poderosas: os Starks e os Lannisters.

Os lobos do Norte e os leões do Sul foram responsáveis pelas intrigas que moveram a série por sete temporadas. E os relacionamentos entre eles serão decisivos mesmo com o exército dos mortos batendo à porta de Westeros.

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A origem de tudo

A tensão entre Starks e Lannisters move "Game of Thrones" desde o primeiro episódio, quando o rei Robert Baratheon chegou a Winterfell para pedir que seu grande amigo, Ned Stark, se tornasse seu principal conselheiro, ocupando o cargo de Mão do Rei. A comitiva real trouxe a tiracolo os três irmãos Lannister: Cersei, a rainha; Jaime, gêmeo dela e membro da guarda real; e Tyrion, o anão.

Ao fim da primeira hora da série, os destinos das famílias se entrelaçaram de forma irrevogável quando Jaime empurrou Bran, um dos filhos de Ned, do alto de uma torre, logo após o garoto flagrar ele e Cersei fazendo sexo. Nada mais apropriado para as centenas de atrocidades com que a produção da HBO nos brindaria nas temporadas seguintes - e para marcar a derrocada das relações entre os lobos e os leões.

Do empurrão em diante, foi tudo por ladeira abaixo para as famílias. A loba gigante de Sansa teve de ser sacrificada após uma briga entre Arya e Joffrey; Ned e Cersei passaram a viver em pé de guerra; Catelyn prendeu Tyrion. Foi uma sequência dramática de eventos que culminou naquele que é um dos momentos mais emblemáticos da série: a decapitação de Ned Stark, que descobriu que o rei Joffrey e seus irmãos não eram filhos legítimos de Robert, mas frutos da relação incestuosa de Cersei e Jaime.

O resto é história.

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"O inverno está chegando"

Família mais poderosa do norte de Westeros, os Starks definitivamente sabiam do que estavam falando com o lema de sua Casa. O inverno pode ter demorado, mas chegou ao continente, (mal) acompanhado pelos White Walkers. Até o embate contra os mortos, porém, os Starks sofreram, e não foi pouco.

Após a decapitação de Ned Stark, provavelmente o personagem mais honrado que já passou pela série da HBO, seus filhos ficaram espalhados por Westeros, sozinhos. Bran e Rickon permaneceram em Winterfell, que foi tomada por Theon Greyjoy, e tiveram de fugir; Sansa, prometida a Joffrey, tornou-se praticamente uma refém em Porto Real; Robb partiu para a guerra contra os Lannisters; e Arya fugiu da capital, dando início a uma longa jornada. Jon Snow, o bastardo de Ned Stark, também passou por poucas e boas.

A desunião não fez bem à família: Robb e a mãe, Catelyn, perderam a vida no infame Casamento Vermelho, que teve o dedo dos Lannisters; mais tarde, o caçula Rickon também morreria, pelas mãos do sádico Ramsay Bolton - aliado dos Lannisters. Os sobreviventes passaram por toda a sorte de provações, entre abusos e (múltiplas) tentativas de assassinato, e ainda viram o seu lar, Winterfell, cair nas mãos dos Greyjoy e, em seguida, dos Bolton.

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Sansa

No início, ela era uma adolescente mimada, apaixonada pelo terrível príncipe Joffrey, o que lhe rendeu o posto de personagem mais odiada pelos fãs da série. Mas Sansa, mesmo sofrendo pela tortura psicológica por parte de Cersei, aprendeu na marra a arte da corte. Forçada a se casar com Tyrion, ela conseguiu escapar de Porto Real e se casou com Ramsay Bolton, que a estuprou em uma das cenas mais controversas da série. Após sua fuga e seu reencontro com Jon Snow, teve um papel decisivo na retomada de Winterfell, com a Batalha dos Bastardos.

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Bran

É um dos personagens mais envoltos em mistério. Paraplégico após o empurrão de Jaime, começou a ter visões inexplicáveis com um corvo de três olhos e saiu em uma longa jornada para encontrá-lo. No processo, descobriu que é um warg e que consegue entrar na mente dos animais. Quando conheceu o corvo, passou a ser treinado para controlar seus poderes: visões do passado, do presente e do futuro. Em uma delas descobriu a real paternidade de Jon Snow, uma informação decisiva na reta final da série. Suas habilidades também devem se provar valiosas na batalha contra os White Walkers.

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Arya

Mais rebelde dos irmãos Stark, sempre esteve mais interessada em aprender a lutar do que ser uma dama. Com sua espada Agulha, presente de Jon, Arya se tornou uma exímia combatente, a ponto de derrotar o Cão e matar Meryn Trant. Sempre com o objetivo de se vingar daqueles que fizeram mal a sua família, ela aperfeiçoou suas habilidades durante seu treinamento na Casa do Preto e Branco, em Bravos, e retornou aos Sete Reinos, onde deu o troco nos Frey pelo Casamento Vermelho. Mas ainda resta uma pessoa em sua lista de alvos: Cersei Lannister.

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"Ouça-me rugir"

Os Lannisters, marcados por seus cabelos claros, sempre tiveram um grande poder: o dinheiro. Ser a família mais rica de Westeros garantiu um exército poderoso e um lugar privilegiado ao lado do Trono de Ferro --ou no próprio, após a morte de Robert Baratheon.

Monopolizando o poder político e econômico dos Sete Reinos, a família conseguiu se manter no topo da hierarquia de Westeros, com o patriarca Tywin Lannister mexendo os pauzinhos por trás das cortinas. O que eles tinham de força, no entanto, faltou em harmonia familiar, o que lhes custaria caro.

Da quarta temporada em diante, a família começou a sofrer revezes significativos, a começar pela morte do cruel Joffrey, orquestrada por Olenna Tyrell e Petyr Baelish. Tywin acabaria morto pouco depois pelas mãos do filho que sempre desprezou, Tyrion - o que só faria crescer o ódio de Cersei pelo irmão mais novo.

Myrcella e Tommem, os outros filhos de Cersei e Jaime, encontrariam seus fins trágicos também - ironicamente, por conta de decisões estratégicas tomadas pela mãe.

No meio disso, foi o relacionamento dos gêmeos que se manteve mais ou menos constante, já que ambos compartilham uma conexão intensa, embora difícil de explicar. "Uma vez que duas pessoas fisgaram uma à outra, é muito difícil desfazer isso", refletiu o ator Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime, em conversa com o UOL em fevereiro.

O amor é uma coisa estranha. E é isso que eu acho muito interessante no relacionamento de Cersei e Jaime, porque, na superfície, é errado e você sabe que eles não deveriam estar juntos. É fácil dizer isso de fora. Mas eles estão juntos.

Cersei

Ao longo das temporadas, ela foi a vilã mais consistente e também a mais complexa. Cersei, quem melhor entendeu a política de Westeros, tirou muitas vidas com suas maquinações cruéis, mas também sofreu em um casamento sem amor, foi humilhada e viu seus três filhos morrerem. Agora, grávida e sem nada a perder, ela se senta no Trono de Ferro com a intenção de dominar os Sete Reinos. Porém, traiu sua promessa de ajudar na luta contra os mortos e enviou Euron Greyjoy atrás de um exército de mercenários. A rainha só não contava que isso a afastaria de Jaime.

Jaime

No início era um cavaleiro arrogante, conhecido como Regicida por ter matado o Rei Louco, Aerys Targaryen, de forma desonrosa. Aos poucos se tornou um dos personagens mais interessantes. Após ser capturado por Catelyn Stark, embarcar em uma jornada solitária ao lado de Brienne e perder a sua mão direita, o cavaleiro mostrou outro lado de sua personalidade: na verdade, havia matado o Rei para impedir que ele explodisse Porto Real. Só conseguiu assumir para Myrcella que era o seu verdadeiro pai, e o fez logo antes de a filha morrer em seus braços, envenenada por Ellaria Martell. Seu rompimento com Cersei, ao fim da sétima temporada, parece indicar uma virada definitiva.

Tyrion

O mais desprezado e subestimado dos três irmãos Lannister, o caçula caiu nas graças do público por seu humor afiado. Mas por trás de seu jeito debochado e da paixão por bebidas e prostitutas, havia um grande estrategista. Dono de algumas das frases mais marcantes da série, como "eu bebo e sei das coisas", Tyrion provou sua habilidade para política ao servir como Mão do Rei para Joffrey e, mais tarde, para Daenerys, a quem ainda permanece leal.

Alianças

A oitava temporada de "Game of Thrones" marca o início de uma nova fase para os lobos e os leões. Pela primeira vez desde que a série estreou, dois irmãos Lannister - Jaime e Tyrion - estarão lutando lado a lado com os Starks. Tudo em nome de uma causa muito maior do que o ocupante do Trono de Ferro: conter o avanço dos White Walkers e garantir a sobrevivência do povo de Westeros.

A chegada deles a Winterfell não deve transcorrer sem atritos: Jaime reencontrará Bran pela primeira vez após o fatídico empurrão, enquanto Tyrion reverá Sansa anos após o casamento forçado. São questões que devem ser superadas rapidamente, já que está programada para o terceiro episódio da temporada sua grande batalha, que ocorrerá justamente no lar dos Starks.

Pressupondo que todos sobrevivam (ou boa parte deles, pelo menos), só há um empecilho para a paz reinar plenamente entre as duas famílias: a ambição de Cersei. Ela não parece muito disposta a ceder seu lugar no Trono de Ferro, ainda que esteja em uma posição precária, com poucos aliados confiáveis e com sua própria família contra ela. Seu final, ao que tudo indica, será trágico, mas abrirá caminhos para um novo governante dos Sete Reinos.

E ele pode - por que não? - ter sangue nortenho.

Teaser mostra destruição após batalha

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