Romance e safadeza a bordo

Como foram os quatro dias no cruzeiro de Wesley Safadão pelo litoral

Felipe Branco Cruz Do UOL, no Oceano Atlântico
Ederson Lima/Divulgação

Por volta das 10h, os baldinhos de gelo carregados de latinhas de energético e garrafas de vodka ou gim já ocupavam as mesas na beira da piscina. O espaço era dividido por quem acabava de chegar depois de algumas horas de sono e por aqueles que estavam na balada desde a noite anterior. O cenário era ideal para selfies e gritinhos de "uhuuulls". Mais topzera, impossível.

Foram assim as manhãs nos quatro dias a bordo do primeiro navio temático de Wesley Safadão, o WS On Board. O navio zarpou no sábado, dia 24 de novembro, e voltou na terça-feira, dia 27, com cerca de 3,2 mil pessoas que navegaram de Santos, no litoral de São Paulo, até Búzios e a Ilha Grande, no Rio. Em alto mar, foram sete shows e mais de 70 horas de programação, além de muita pegação ao som de música eletrônica, forró e sertanejo.

Se apresentaram no palco montado no deck principal os artistas Bell Marques, Márcia Fellipe, Jopin, Thiaguinho, Gabriel Diniz e, claro, Safadão, que tocou ininterruptamente no mais longo show da sua carreira, por seis horas seguidas, das 3h30 da madrugada até as 9h30 de segunda.

O UOL acompanhou os quatro dias de festa e conta a seguir o que viu por lá.

Flávio Moraes/UOL Flávio Moraes/UOL

Um rapaz que usava um boné escrito "se não aguenta, desembarca" contou que tinha gastado na noite anterior mais de US$ 1.000 (cerca de R$ 3.874) só em bebida e iria repetir a dose no dia seguinte. Atingir esse valor não era tão difícil. O baldinho de vodka Beluga com seis energéticos custava US$ 255 (R$ 988,09 + 15% de serviço obrigatório). Pelo menos, o gelo era grátis.

O restaurante com comida inclusa no valor do ingresso não tinha luxos: o cardápio era de pizzas, hambúrgueres, saladas, batatas fritas, massas, frutas. Tudo o que se encontraria num restaurante a quilo comum. Mas a bebida, inclusive refrigerantes, não era liberada.

O cruzeiro temático também marcou a vida de muitos casais. Foi o caso dos paulistanos Diego Guerreiro, 35, e Pamela Marques, 22. O objetivo de Diego era pedir a namorada em casamento em cima do palco, mas não conseguiu porque a produção do evento não permitiu. "O pedido não deu certo, mas a viagem será inesquecível. Nós já combinamos voltar para o quarto toda vez que escutarmos a música 'Só Para Castigar' para ficarmos juntinhos."

Números da festa

  • Público total

    O navio estava com a capacidade total com 3.274 hóspedes e 1.370 tripulantes

  • Preços das cabines

    A mais simples custava R$ 2.268 e a mais cara, com varanda, valia R$ 6.828

  • Tamanho da festa

    Foram mais de 70 horas de atrações e seis shows, com Bell Marques, Márcia Fellipe, Tirulipa, Jopin, Thiaguinho, Gabriel Diniz e Wesley Safadão

  • Preço das bebidas

    Combo com uma garrafa de gim + 6 Red Bull: US$ 245; água: US$ 2,10; refrigerante: US$ 2,70; energético US$ 6,10; Heineken: US$ 4,50

Flávio Moraes/UOL Flávio Moraes/UOL

Vai, Safadão!

O domingo seguiu nessa toada até às 3h30 da madrugada de segunda, quando Wesley Safadão finalmente subiu ao palco, e onde ficou até às 9h30 da manhã. Os fãs queriam mais. Emocionado, Safadão disse que não queria que aquele momento acabasse nunca mais.

Após o show, algumas pessoas não tiveram força nem para voltar para os quartos e dormiram nos corredores ou apoiadas nas mesas. "Este é um dos dias mais importantes da minha vida", disse Safadão, adiantando que em 2019 ele fará uma nova edição do cruzeiro.

Os shows ocorreram em um palco montado no deck do 14ª andar e os quartos onde o público iria dormir iam até o 13º. Quem foi vencido pelo cansaço e desceu para o quarto para descansar certamente conseguiu ouvir boa parte do show durante toda a madrugada.

Bell Marques contou que a vantagem de fazer shows em navios é a falta de vizinhos para reclamar do som alto. "Podemos tocar a noite inteira porque estamos no meio do nada e ninguém vai reclamar".

A julgar pela maratona de shows a bordo, o artista fez valer o preço da viagem e entregou para os fãs praticamente todos os hits da sua carreira. Com tantas horas de show, deu tempo até para ele repetir (duas ou três vezes) os sucessos "Aquele 1%", "Romance com Safadeza", "Acabou Acabou", "Amor Falso" e "Camarote".

No dia seguinte, Safadão ainda ainda arranjou forças para subir no palco outras duas vezes e participar dos shows de Thiaguinho e Gabriel Diniz. Em ambos, quase não cantou porque sua voz estava rouca. "Eu literalmente cantei muito aqui no navio", brincou.

Flávio Moraes/UOL Flávio Moraes/UOL
Flávio Moraes/UOL Flávio Moraes/UOL

Pegação topzera

A tripulação dizia para os passageiros que o clima de pegação aparentemente só não era maior do que no Carnaval, quando rolam os "Carnavios". Para potencializar a formação de casais (e evitar brigas), a organização distribuiu pulseirinhas vermelhas (para os casados), amarelas (namorados) e verdes (solteiros), facilitando o approach.

Muitos diziam estar vivendo a "melhor balada da vida". Os amigos forrozeiros e fãs de Safadão, Gabriel Araújo, 22, e Márcio Souza, 23, saíram de Natal, no Rio Grande do Norte, para participar do cruzeiro. "Coloquei no braço a pulseirinha verde porque não quero perder tempo", disse Gabriel. "Assim é mais fácil conversar com a mulherada".

Lá pelas 5h da manhã, durante o show de Safadão, muitos homens já estavam sem camisa e as mulheres com a maquiagem borrada. Um segurança cubano contabilizou informalmente 15 brigas de casais pelos corredores, a maioria por traição. Era como se todo mundo estivesse vivenciando um episódio do reality "De Férias com o Ex", da MTV.

O humorista Tirulipa brincou com o fato no show que fez no teatro do navio. "É normal se perder nesses corredores, entrar no quarto errado e só reencontrar o namorado dois dias depois".

Como ninguém queria fazer feio, a academia também ficou lotada nos quatro dias. Instalada na popa do navio, estava estrategicamente próxima de outros serviços de luxo. O público com mais grana tinha à disposição até uma clínica de estética onde era possível aplicar botox por US$ 310,5 (uma ampola), cerca de R$ 1.197, além de serviços de massagens, drenagens e salão de beleza.

Flávio Moraes/UOL Flávio Moraes/UOL

Fãs do Safadão

Flávio Moraes/UOL Flávio Moraes/UOL

Tatuagem especial

Marco Antônio Silva, 44, chamava a atenção das pessoas no navio. No braço esquerdo, ele ostentava uma tatuagem feita 15 dias atrás com a logomarca do navio "WS On Board". "O Safadão mudou a minha vida e me tirou da depressão. Eu tomei um chifre, me separei. Fiquei na merda. Quando comecei a ouvir as músicas dele, elas me botaram para cima. Parece que foram feitas para mim".

Flavio Moraes/UOL Flavio Moraes/UOL

Camareiro fanático

Safadão também tinha fãs entre a tripulação. O camareiro Erick Coutinho, 24, era um deles. Quando soube do cruzeiro temático, ele estava trabalhando em outro navio e pediu transferência só para ver seu ídolo. Graças ao trabalho no cruzeiro, Erick também pôde acompanhar o trio elétrico do Safadão no Carnaval da Bahia. "Coincidiu do navio parar em Salvador no dia do show do Safadão. Não pensei duas vezes e corri atrás do trio".

Flávio Moraes/UOL Flávio Moraes/UOL

Fã tardia

A empresária de Fortaleza, no Ceará, Alessandra Cardoso nunca foi fã de nenhum artista em sua adolescência e só foi descobrir o que é ser fanática por alguém depois dos 40 anos. E foi por Wesley Safadão. Mãe de dois filhos, de 24 e 25 anos, ela não liga para as críticas que eles fazem ao seu fanatismo. "Eles dizem para mim: 'Mãe, você não tem vergonha, nessa idade, de ficar correndo atrás do Safadão?'. Sou tiete mesmo".

Flávio Moraes/UOL Flávio Moraes/UOL

Família Safadão

A bordo, Safadão estava se sentindo em casa com a presença da mãe, a Dona Bill, da mulher, Thyane Dantas, e dos três filhos, Yhudy, Ysis e o bebê Dom. Safadão caminhou poucas vezes pelos corredores do navio (sempre cercado por fãs enlouquecidas), mas sua família circulou com relativa tranquilidade.

Dona Bill, por exemplo, foi reconhecida por vários fãs, que a abordaram para pedir fotos e para entregar bilhetinhos para o cantor. Os filhos também foram vistos, sempre acompanhados da babá

A bordo, Safadão até organizou uma festa surpresa, em um local fechado, para Yhudy, que completou 8 anos. "A gente fica tantos dias na estrada que é difícil coincidir o data do aniversário dos meus filhos quando eu estou por perto. Desta vez, fiz essa surpresa para ele aqui dentro", disse o cantor.

Curtiu? Compartilhe.

Topo