Vida longa ao rei

Por que Scar, ainda mais realista e assustador no novo O Rei Leão, é um dos maiores vilões da Disney

Rodolfo Vicentini Do UOL, em Los Angeles (EUA)*
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O vilão perfeito volta ao cinema

Quando O Rei Leão foi lançado, em 1994, a Disney colecionava grandes vilões recentes.

A Úrsula era um dos destaques de A Pequena Sereia (1989). Gaston conseguiu o posto de um dos personagens mais odiados das animações em A Bela e a Fera (1991). E Jafar de Aladdin (1992) foi um incrível antagonista para o herói da história.

Scar surgiu como uma alma dramática que poderia se encaixar em qualquer obra do dramaturgo William Shakespeare. Uma figura marginalizada no reino de seu irmão e que não se importa em matar alguém da própria família para alcançar seu objetivo: ser o único governante.

Simba canta durante O Rei Leão que o que ele mais quer é ser rei, mas a música é perfeita para o seu tio. A alma de Scar, consumida pela raiva, faz dele um personagem irônico, maléfico e melodramático.

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Na nova versão realista de O Rei Leão, que chega aos cinemas no dia 18 de julho, Scar perde as expressões praticamente humanas que tinha na animação. Por outro lado, a reprodução digital é tão autêntica que dá a ele um semblante ainda mais soturno.

E o trabalho do ator Chiwetel Ejiofor na dublagem do personagem, na versão em inglês do filme, foca na psicologia do vilão em vez de seus trejeitos performáticos, o que faz dele ainda mais impactante.

"O mais importante foi entender os fundamentos de sua psicologia, porque tudo o que ele faz é tão diabólico que às vezes você nem percebe isso", disse o ator em entrevista exclusiva ao UOL, em Los Angeles.

Fuja para bem longe

Scar entra em cena logo após o nascimento do sobrinho Simba, perseguindo um pobre ratinho e lamentando que sua candidatura ao reino ficou ainda mais ameaçada com o herdeiro de seu irmão.

O vilão chama tanta atenção quanto os protagonistas, seja pelos diálogos irônicos e o senso de humor peculiar até pelo visual marcante: a cicatriz na sobrancelha esquerda, os olhos verdes, o corpo esguio e magro, a juba mais escura que a de Mufasa e a maldade.

O grande termômetro que coloca Scar como um dos mais malignos personagens da Disney é a frieza com que ele mata seu irmão e tenta acabar com a vida de seu sobrinho, que ainda é um filhote. Como não consegue, ele pede para que Simba abandone o reino, e o deixa para morrer sozinho.

As atrocidades de Scar em O Rei Leão

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Assassina o próprio irmão

Scar bola um plano para tirar Mufasa do poder. Ele atrai a atenção do irmão usando Simba, o próprio sobrinho, como isca. Por fim, ele é o responsável por matar o rei e coloca a culpa no filhote.

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Manda o sobrinho para longe (e tenta matá-lo)

Com a morte de Mufasa, Scar precisa se livrar de Simba para ter caminho livre ao posto de comandante do reino. Ele coloca a culpa no filhote e ordena que ela fuja e que nunca mais volte. Em seguida, pede às hienas que matem o leãozinho.

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O regicida dá o golpe e toma o poder

Scar torna-se rei, como sempre sonhou. Ele diz para as leoas que o culpado pela morte de Mufasa foi Simba, que fugiu da região. E como único parente do leão, Scar será o responsável por governar o reino que sobrou.

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Tenta (novamente) matar o sobrinho

Simba volta ao reino após Nala encontrá-lo com Timão e Pumba. Agora crescido, o leão vai finalmente tomar seu lugar como o verdadeiro rei. Mais uma vez, Scar tenta matar o sobrinho, e quase consegue cumprir seu objetivo de forma parecida com a qual matou Mufasa.

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Um vilão para os outros odiarem

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Úrsula - A Pequena Sereia

Scar consegue atrair mais olhares do que Úrsula, de A Pequena Sereia, pelas consequências de suas ações -- afinal, ele matou o próprio irmão, tomou o lugar no reino e ainda tentou matar pela segunda vez seu sobrinho. Úrsula queria poder, mas não teve nenhum ação tão perturbadora quanto atacar alguém da família.

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Malévola - Bela Adormecida

Malévola, a bruxa má de A Bela Adormecida, foi humanizada em uma aventura solo com Angeline Jolie e em uma sequência que será lançada ainda em 2019. Porém, mesmo com um visual marcante, a antagonista tem uma abordagem feita pela Disney muito mais infantil do que a trama de O Rei Leão.

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Cruella Cruel - 101 Dálmatas

Cruella de Vil, a vilã de 101 Dálmatas, que tinha como passatempo esfolar os cães para transformar as pelagens em belos casacos, consegue chegar perto de Scar. Ainda assim, o tio de Simba é mais maligno do que a personagem pelos planos mirabolantes e a ideia de que "os fins justificam os meios".

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Príncipe Hans - Frozen

Frozen: Uma Aventura Congelante virou um blockbuster tão importante para uma geração quanto O Rei Leão já foi, mas a história centrada no drama de Elsa e o núcleo cômico formado por Anna, Olaf e Kristoff não deram espaço para o príncipe Hans -- que muitos nem se lembram que era o inimigo na trama.

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O novo Scar

No filme dirigido por Jon Favreau, Scar carrega a aparência de um animal mais velho e que já enfrentou muitos combates na vida. Assim como sua versão cartunesca, ele é magro e exibe a cicatriz que dá nome ao seu personagem no olho esquerdo.

A ironia está presente ainda nos diálogos do leão, mas os exageros, as expressões humanas, os sorrisos maquiavélicos não existem mais. Scar agora é um animal fúnebre que quer tomar o poder sem se importar em matar a família e negocia com as hienas como um político com as piores intenções.

A adaptação do personagem foi um dos grandes acertos do remake, que explorou mais a psicologia doentia do antagonista do que a performance teatral. Assim, o vilão que já dava medo agora é ainda mais assustador e com uma aparência mais perigosa do que o visto na animação clássica.

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A voz de Scar

O ator Chiwetel Ejiofor conversou com o UOL sobre como construiu o personagem

"Eu não estudei leões ou como eles se comportam na vida real. O fundamental foi entender a relação que Scar tem com poder e status", disse o ator Chiwetel Ejiofor em entrevista exclusiva ao UOL, em Los Angeles, sobre como foi dublar Scar no novo O Rei Leão.

O britânico não levou em consideração outros vilões ou o trabalho de Jeremy Irons na animação original. Ele se aprofundou na mente do antagonista poderoso para incorporar a sua melhor interpretação.

"Eu preferi encontrar o lado psicológico dele e deixar a voz seguir naturalmente. Quando eu comecei a fazer Scar, eu fazia com a minha mesma voz, porque isso não importava para mim. Mas aos poucos foi ficando diferente pelo jeito grave como ele fala", diz o ator, indicado ao Oscar por 12 Anos de Escravidão.

Chiwetel admite que adorou o desafio de atuar apenas com a sua voz, e que essa ramificação da sua profissão é sempre um risco para um ator. "Quando você está de frente para a câmera e não pode se comunicar, você precisa usar os olhos, as expressões e o corpo. E adoro o oposto disso, quando você só tem a voz sem sua imagem."

Ele percebeu apenas que tudo se encaixou quando esteve junto com os colegas de elenco e viu uma cena completa. "E então você vai percebendo, quando os atores se juntam, como as vozes são compreendidas e é um processo colaborativo muito bonito".

O britânico sabe que sua voz pode não agradar a todos que vão assistir ao filme, especialmente pela lembrança nostálgica da animação e da dublagem marcante de Scar (que, na versão brasileira, ficou a cargo de Jorgeh Ramos em 1994, e na nova versão será a voz de Rodrigo Miallaret).

"Eu tenho noção de que algumas pessoas vão gostar, outras não, e isso é a vida. Mas foi verdadeiro para mim."

Assista ao trailer de O Rei Leão

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