Brincando de ser feliz

Prestes a celebrar 50 anos de estrada, Chitãozinho e Xororó mostram sucessos no Estúdio UOL

Do UOL, em São Paulo Mariana Pekin/UOL

Chitãozinho e Xororó encerram 2019 com uma grande expectativa. No próximo ano, eles completam 50 anos de carreira. Para terminar com chave de ouro, a dupla esteve do Estúdio UOL para encerrar mais essa temporada com um pocket show com clássicos em clima intimista.

A festa foi comandada pela apresentadora Marina Person. Além das músicas que marcaram a vida de muitas pessoas, como a clássica Evidências, eles também bateram um papo com jornalistas convidados.

Com seu tradicional bom humor, a dupla fala sobre um polêmico grupo de WhatsApp, o sucesso de algumas canções e o segredo para manter a voz em alta.

Mariana Pekin/UOL
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Quando a gente cansa, a galera canta

Na saída de show de rock, na festa da firma ou no karaokê, Evidências faz parte da vida de todos os brasileiros. A dupla não esperava tanto da canção, mesmo ela dando início a um estilo novo para eles, não mais tanto sertanejo.

"Quando gravamos, a gente não imaginava tudo isso. Quando disco saiu, a música foi sucesso de imediato. Foi ela e depois veio Nuvem de Lágrimas. Música ficou lá, sucesso nosso, show para caramba. Depois, quando começou sucesso do karaokê, lá vem Evidencias de novo. Tivemos de regravar várias vezes", explicou Chitãozinho.

Ela foi em um momento que a gente devia modernizar muito a música. Fazer com metais, teclado, som de bateria. Não é sertanejo, é uma música pop e ficou

Mariana Pekin/UOL Mariana Pekin/UOL
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Simples e sábios

65 anos de um lado e 62 do outro. A voz? Intacta. A dupla começou a se cuidar um pouco mais próximo do cinquentenário de carreira, mas Xororó relembra de um conselho que recebeu de uma de suas inspirações, Tonico e Tinoco.

"Ouvi de uma vez de um cara que a gente admirava, começamos cantando repertório deles. A gente estava no hotel de rodoviária e falaram que Tonico e Tinoco estavam no bar, que iam dormir no hotel. Fomos cumprimentá-los e convidamos para tomar canja e depois ia para a noite, para gandaia. Eu vivia com problema de voz, era muito jovem ainda. Convidamos e eles falaram: 'não, rapaz, vamos para o hotel agora, amanhã vai acordar de madrugada. Xororó, melhor remédio para voz é o sono'.

"Eram simples, mas eram sábios. Estavam com 50 anos de carreira. Eles preservam a voz, se resguardam. Fui para o hotel e nunca mais sai depois do show. Todos saem, me chamam de relógio cuco, só sai de casa para cantar"

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Seriedade x bagunça

E não é apenas quando o assunto é cerveja que a dupla relembra de Leonardo, companheiro de Amigos. O cantor sertanejo também é o responsável por tumultuar

"A gente tem horário, ensaio. É muito difícil ensaiar cinco. Bom que todo mundo conhece a música do outro, então, quando está cantando com Zezé, a gente canta junto. Xororó gosta da coisa mais rápido, mais profissional. A gente descontrai bastante e às vezes até perde o foco. Mais no sentido de conduzir a gente para as coisas saírem da melhor forma possível".

A gente curte mais hoje do que curtia naquela época. Temos mais tempo para se encontrar. Pelo WhatsApp, temos nosso grupo. Imagina um grupo que tem o Leonardo, não presta. O que menos fala é trabalho. Era para falar de projeto. Já tenho criança em casa, vive pegando o telefone, tem coisa que não dá para ver ou proteger.

Chitãozinho e Xororó - Páginas de Amigos

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Aquele fio de cabelo no paletó...

Nesta trajetória que se aproxima dos 50 anos, uma canção que já fez muita gente curtir uma dor de cotovelo é Fio de Cabelo, conhecida por quebrar barreiras e abrir portas nas rádios FMs para o sertanejo.

Percebemos nos anos 1980 que muitas duplas se apresentavam simplesmente com uma viola e um violão, no máximo um acordeon, sempre um som muito acústico, nada plugado. Quando começamos a fazer show com banda, bateria, a gente percebeu diferença grande e outras duplas fizeram isso.

"Uma vez fomos tocar em uma usina perto de Botocatu, tinha uma dupla que abriu o show nosso. Era João Paulo e Daniel. Estava no ônibus se arrumando e ouvindo, quando entrou uma banda com dois caras cantando muito. Eles não tinham gravado primeiro disco ainda. Então, a gente percebeu que o sucesso nosso e mentalidade mudou o jeito"

Chitãozinho e Xororó - Brincar de Ser Feliz e Fio de Cabelo

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Inspiração em Marília Mendonça

Mas coisas boas atuais também mexem com o sentimento dos dois. Esse é o caso da artista Marília Mendonça, uma das mais tocadas de 2019. Para eles, a entrada de mulheres no cenário sertanejo é extremamente importante.

"A gente sempre comentava isso. Lá nos Estados Unidos é bem igual. Aqui é só música de macho, precisa colocar feminino. O talento que essas meninas têm. Você vê o trabalho da Marília Mendonça, eu ouço tudo no meu celular, nas viagens, cada letra linda, cada história, parece que está sofrendo de verdade. Espero que não".

Chitãozinho e Xororó - Sinônimos

Um 2020 especial para a dupla

E para os fãs que anseiam novidades, 2020 não será apenas de comemorações. Os trabalhos inéditos voltarão a fazer parte da rotina de Chitãozinho e Xororó, que já estão há 13 anos sem lançar discos.

"A música é sempre a coisa mais forte. Temos quatro músicas inéditas a serem lançadas. Esses dias apareceu uma música tão linda, eu comentei com o Xororó, se a gente cantar com Milton Nascimento vai ficar uma obra de arte"

"Eu me emociono quando estou com ele. Aquele cara parece um santo. Se Deus quiser, ele vai aceitar".

Assista ao show completo e entrevista no Estúdio UOL

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