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Dois meses após incêndio, só 9% das doações foram repassadas a Notre-Dame

Catedral de Notre Dame, que passa por reparos após incêndio  - Bertrand Guay/AFP
Catedral de Notre Dame, que passa por reparos após incêndio Imagem: Bertrand Guay/AFP

14/06/2019 13h47

No dia seguinte ao incêndio que destruiu parcialmente a Catedral de Notre-Dame de Paris, a solidariedade parecia ter sensibilizado as maiores fortunas da França. No entanto, entre as promessas de doações que chegaram a 850 milhões de euros (cerca de R$ 3,7 bilhões), apenas 9% foram cumpridas.

A informação foi revelada hoje pela rádio France Info. Segundo o Ministério da Cultura da França, as doações recebidas até o momento chegam a 80 milhões de euros (cerca de R$ 350 milhões).

O montante que chegou aos cofres das fundações que gerenciam o patrimônio francês corresponde a pequenas doações particulares, sob forma de cheques, transferências e até mesmo dinheiro vivo. Segundo a France Info, muitos doadores também decidiram recuar, ao perceberem o grande sucesso da mobilização em prol da catedral.

O ministro francês da Cultura, Franck Riester, tentou minimizar a situação, em entrevista hoje ao canal France 2. "O que acontece é que pode haver pessoas que prometem, mas, no final, não realizam a doação. Mas, sobretudo --e isso é normal-- as doações serão feitas progressivamente em função da evolução das obras", afirmou.

Catedral é consumida pelo fogo em abril - Fabien Barrau/AFP
Catedral é consumida pelo fogo em abril
Imagem: Fabien Barrau/AFP

Doações "ainda são bem-vindas"

Riester sublinhou que a "onda de generosidade deve continuar" e que "as doações ainda são evidentemente bem-vindas". O ministro também explicou que grandes mecenas como as famílias Arnault e Pinault --que prometeram, respectivamente, 200 milhões de euros e 100 milhões de euros-- querem saber o que será feito com o dinheiro que se engajaram a doar. Isso impede que o Estado possua o dinheiro antes que a reconstrução do monumento seja iniciada.

Entretanto, segundo Riester, as obras ainda não puderam começar porque a igreja ainda passa por trabalhos de segurança para evitar desmoronamentos. De acordo com o ministro, essa parte da reforma pode demorar semanas antes que a reconstrução da catedral seja iniciada.

Enquanto isso, os investigadores continuam a trabalhar sobre a causa do incêndio. A igreja e seus arredores continuam fechados para a frequentação. A primeira missa após a tragédia de 15 de abril será celebrada neste sábado (15) para um pequeno grupo de religiosos, em uma capela da Notre-Dame que não foi atingida pelas chamas.

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