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"Cidade Corona": murais de artistas cubanos retratam angústia e pedem coragem

25/05/2020 17h05

HAVANA (Reuters) - Um esqueleto irrompe do solo para agarrar uma criatura alada fantástica. Uma figura agachada de máscara se arrasta atrás de um emaranhado de rostos aflitos e membros descarnados. Uma borboleta esvoaça para fora da boca de um corpo inerte.

Bem-vindo à "Cidade Corona", uma reunião de murais do artista cubano Yulier Rodriguez instalados no quintal da casa de um amigo no sul de Havana.

Rodriguez é um de vários artistas urbanos que usam os muros de Cuba para expressar angústia, mas também esperança, em reação à pandemia de coronavírus -- alguns em espaços públicos, outros, como ele, em particular por medo de ter problemas com as autoridades comunistas.

Cuba relatou 1.947 casos de coronavírus e 82 mortes até o momento. Dados oficiais mostram que a ilha caribenha registrou menos de 20 casos novos por dia ao longo da semana passada, muito menos do que os 50 a 60 que ocorriam diariamente em meados de abril.

"Eu me senti compelido a expressar a energia do momento, a maneira como esta doença arrasta todos em seu caminho, sejam ricos ou pobres, militares ou civis", disse Rodriguez à Reuters.

As pichações começaram a ganhar ritmo em Cuba em meados da década de 2010, em parte devido à influência crescente da cultura internacional coincidente com a abertura lenta do país, que permitiu um acesso maior à internet e a oportunidade de viajar.

Para alguns artistas, os muitos edifícios abandonados ou dilapidados da nação são a tela perfeita. O lado ruim é que os espaços públicos são controlados rigidamente, por isso os artistas têm que ser cuidadosos -- seja com sua mensagem, seja com sua identidade.

Em uma obra mais otimista no centro de Havana, a "Coragem" do artista "Mr Myl" aparece enaltecida em letras maiúsculas acima de um mural em preto e branco de vários andares de altura que mostra uma criança de máscara em um prédio arruinado.

(Reportagem da Reuters TV)

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