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Vencedor do Nobel, Handke se recusa a responder perguntas sobre guerras nos Bálcãs

06/12/2019 12h49

ESTOCOLMO (Reuters) - O escritor austríaco Peter Handke, vencedor do prêmio Nobel de literatura em 2019, disse na sexta-feira que prefere uma carta de ódio anônima a perguntas sobre seu apoio a Slobodan Milosevic, o homem forte da Sérvia durante as guerras nos Balcãs nos anos 1990.

A escolha de Handke pela Academia Sueca tem sido amplamente criticada por ele ter manifestado apoio a Milosevic, que morreu detido no tribunal de crimes de guerra da ONU em Haia. Handke falou no funeral de Milosevic em 2006.

O escritor se reuniu com jornalistas em Estocolmo, onde vai receber o Nobel.

Questionado se aceitava que houve um massacre em Srebrenica na Bósnia, Handke visivelmente trêmulo respondeu dizendo que recebeu muitas cartas de apoio dos leitores depois de ser agraciado com o prêmio de 9 milhões de coroas suecas (935 mil dólares) em outubro.

Mas ele disse que também recebeu uma carta anônima com papel higiênico. Tinha uma espécie de "caligrafia de merda", disse ele.

"Eu digo que prefiro o papel higiênico, uma carta anônima com papel higiênico dentro, a suas perguntas vazias e ignorantes", disse Handke.

O autor de 77 anos disse que queria agradecer aos leitores por suas cartas de apoio, mas se recusou a falar sobre a ex-Iugoslávia. "Não quero responder nenhuma das suas perguntas", disse ele na sala cheia de jornalistas.

Protestos estão planejados para terça-feira em Estocolmo, quando o rei da Suécia entrega a Handke o prêmio.

A Academia Sueca não esta fora da controvérsia e ainda está tentando traçar uma linha sob um escândalo sexual que a forçou adiar o prêmio de 2018.

Escolhas para laureados com o prêmio já foram criticadas no passado. O prêmio de 2016 para Bob Dylan foi ridicularizado por muitos como populista demais. A Academia também já foi criticada por escolher vencedores que são muito obscuros.

A Academia defendeu sua decisão de conceder o prêmio a Handke dizendo que ele havia claramente condenado o massacre de Srebrenica, apesar de reconhecer que ele havia feito "comentários provocativos, inadequados e pouco claros em questões políticas".

Mas um membro da Academia disse nesta sexta-feira que boicotará as cerimônias deste ano em protesto contra a honraria concedida a Handke.

"Não participarei da semana do Nobel deste ano", disse Peter Englund em uma carta ao diário Dagens Nyheter. "Comemorar o Prêmio Nobel de Peter Handke seria uma hipocrisia grosseira da minha parte."

Englund comandou a Academia até 2015 e continua sendo um de seus 18 integrantes.

(Por Simon Johnson)

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