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Filme de Peter Jackson dá voz para soldados em gravações feitas há 100 anos

att Baron/BEI/Shutterstock
O cineasta Peter Jackson, da trilogia "O Senhor dos Anéis" Imagem: att Baron/BEI/Shutterstock

Jayson Mansaray

Londres (Reino Unido)

09/10/2018 18h38

Para seu novo documentário sobre a Primeira Guerra Mundial, "They Shall Not Grow Old", o diretor Peter Jackson foi categórico que soldados deveriam contar suas próprias histórias.

Para fazer isto, o aclamado diretor neozelandês contratou especialistas em leitura labial para analisarem antigos filmes mudos da guerra e revelarem as conversas que aconteceram nas trincheiras e nos campos de batalha há 100 anos.

Estas palavras foram misturadas com entrevistas de ex-soldados entre 600 horas de filmagens dos arquivos da BBC para criar um documentário que inclui somente falas dos próprios soldados, em uma guerra a cores, como eles presenciaram.

"Houve muitos documentários feitos sobre a Primeira Guerra Mundial ... e eu decidi por este para usar estritamente apenas as vozes dos caras que lutaram lá?, disse Jackson, diretor das trilogias "O Hobbit" e "O Senhor dos Anéis", à Reuters nesta terça-feira. "Então sem historiadores, sem narração, sem nada?"

Filmes antigos foram meticulosamente restaurados. Computadores foram usados, não somente para acrescentar cor às filmagens em preto e branco, mas para remover imperfeições, preencher emendas e reconstruir frames desaparecidos de filmes que foram gravados com menos frames por segundo do que hoje em dia.

Especialistas forenses em leitura labial, que normalmente trabalham com a polícia para determinar o que pessoas disseram em vídeos sem som de câmeras de segurança, foram capazes de decifrar as palavras faladas há um século nos filmes. Atores foram contratados para dar aos soldados uma voz.

O filme terá sua pré-estreia mundial na semana que vem no BFI London Film Festival.

"Esta não é uma história sobre a guerra", disse Jackson. "Esta é a história da experiência humana de lutar na guerra".