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Indígenas brasileiros usam rap para reivindicar direitos sobre terras

30/10/2017 16h34

MUSICA-RAP-INDIGENAS:Indígenas brasileiros usam rap para reivindicar direitos sobre terras

Por Karla Mendes

RIO DE JANEIRO (Thomson Reuters Foundation) - A cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2014 no Brasil também marcou o início de uma campanha do adolescente Werá Jeguaka Mirim em defesa dos direitos de posse de terras indígenas por meio de suas canções de rap.

Ele e três outras crianças foram selecionadas para libertar uma pomba da paz durante a cerimônia, mas Werá rompeu com o protocolo e também ergueu um cartaz vermelho e preto com os dizeres "Demarcação Já!".

    Ele levou o cartaz escondido na cueca, sugestão de líderes indígenas de sua comunidade Krukutu de cerca de 300 membros, que mora na cidade de São Paulo.

    "Depois disso comecei a ver que a luta indígena (pela demarcação de terras) é muito importante. Este ato me transformou em um verdadeiro ativista", disse o jovem de 16 anos à Thomson Reuters Foundation.

    Werá, que já havia escrito contos e poesia indígena, começou a compor canções de rap poucos meses depois da cerimônia de abertura do Mundial e se rebatizou como Kunumi MC, o primeiro rapper indígena solo do país.

"Estas canções estão ajudando a levar conscientização sobre a demarcação de terras até entre povos indígenas", disse Werá.

    A demarcação de terras para os 900 mil nativos brasileiros é polêmica. Embora se tenha mostrado que a posse formal de terrenos por parte das cerca de 300 tribos indígenas do país preserve culturas e as florestas tropicais onde muitas delas vivem, planos para alocar novas terras para comunidades aborígenes estão travados há meses.

Líderes indígenas temem que manobras políticas acabem com suas reivindicações. Alguns parlamentares ruralistas poderosos propuseram mudanças no processo de demarcação de terras, incluindo a abertura de reservas indígenas a empresas mineradoras.

    De acordo com dados de outubro do grupo de ativistas Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, existem 33 propostas que ameaçam os direitos indígenas no Congresso Nacional.

    Destas, 17 estão ligadas à demarcação, incluindo uma que pede a permissão de exploração de recursos naturais em terra indígena e um novo arcabouço para o processo de demarcação de terras, segundo a Cimi.

    Uma das propostas mais controversas é transferir do governo federal para o Congresso toda a responsabilidade da tomada de decisões ligada à demarcação de terras indígenas.

    Conhecida como PEC 215, ela se tornou o nome de uma das canções do grupo de rap indígena Rap Oz Guarani, também de São Paulo.

O Brô MCs, grupo de rap indígena mais antigo do Brasil, luta por causas semelhantes na cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul.

Todos os rappers aborígenes usam o Facebook e o YouTube para divulgar suas canções, apresentações e eventos, torcendo para que seus protestos cheguem aos ouvidos dos parlamentares.

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