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Ruínas de cidade do Iraque preservam lembranças de Agatha Christie

REUTERS/Khalid Al-Mousily
O que Israel e Agatha Christie têm em comum? Imagem: REUTERS/Khalid Al-Mousily

Isabel Coles

Nimrud (IRAQUE)

04/08/2017 13h47

Agatha Christie já morou aqui, mas só restam lembranças dos tempos que a famosa escritora britânica de livros policiais passou entre as ruínas da antiga cidade iraquiana de Nimrud.

A casa de barro e tijolo que a autora de "Assassinato no Expresso do Oriente" ocupou desapareceu há tempos. Se ela estivesse viva, provavelmente ficaria chocada com o que foi feito da cidade assíria onde trabalhou ao lado de seu marido arqueólogo cinco décadas atrás.

O Estado Islâmico atacou Nimrud com escavadeiras, marretas e dinamite três anos atrás, parte de sua ofensiva generalizada contra a herança cultural do Iraque.

As forças militares do país retomaram o local no início de sua campanha para expulsar os jihadistas de Mosul, que fica cerca de 30 quilômetros ao norte.

A casa onde Christie viveu foi derrubada alguns anos antes disso, e as pessoas que a conheciam já morreram. Mas seu nome ainda é reconhecido por alguns locais, embora a maioria não saiba por que ela é famosa.

"Só sabemos que ela era britânica", disse Abu Ammar, que mora no vilarejo mais próximo das ruínas.

Célebre por seus detetives Miss Marple e Hercule Poirot, Christie está no Livro Guinness de Recordes Mundiais como a escritora de ficção mais vendida de todos os tempos. Seus 78 romances policiais venderam 2 bilhões de cópias em 44 línguas.

Christie visitou o Iraque pela primeira vez antes de o país conquistar a independência do Reino Unido, em 1932, e conheceu o homem com quem se casaria em uma escavação arqueológica no sul do país.

O casal passou algum tempo em Mosul e mais tarde se mudou para Nimrud.

"Que belo lugar era", escreveu. "O (rio) Tigre ficava só a uma milha de distância, e no grande morro da Acrópole grandes cabeças assírias emergiam do solo. Era um trecho de terreno espetacular pacífico, romântico e impregnado do passado".

 Essa descrição contrasta com o presente.

O morro no qual as ruínas estão situadas está rodeado de arame farpado para afastar os saqueadores, e até recentemente corpos de vítimas das batalhas flutuavam correnteza acima pelo Tigre. Estátuas colossais de touros alados - ou lamassus - que montavam guarda na entrada de um palácio jazem desmembradas em uma pilha.

Grande parte disso foi descoberto nos anos 1950 pelo marido da autora, Max Mallowan. O interesse da própria Christie por arqueologia é evidente nos livros "A Morte no Nilo" e "Morte na Mesopotâmia", e ela começou a escrever sua autobiografia em Nimrud.

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