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Ateus, irmãos Castro abrem portas de Cuba para Igreja e papas

07/09/2015 17h38

Por Marc Frank

HAVANA (Reuters) - Batizados como católicos romanos e educados por jesuítas, Fidel e Raúl Castro se voltaram contra a Igreja ao declararem Cuba um Estado ateu, perseguindo padres e fechando escolas religiosas após assumirem o poder na revolução de 1959.

Ao atingirem a velhice, no entanto, eles restabeleceram contato com a Igreja e são anfitriões agradáveis e frequentes de visitas papais.

Quando o papa Francisco chegar a Cuba em 19 de setembro, ele vai se tornar o terceiro pontífice consecutivo a visitar a ilha governada por comunistas.

A estadia de três noites de Francisco marca uma nova relação entre a Igreja e Cuba e destaca uma menor rigidez na posição dos Castro em relação à religião na qual cresceram e contra a qual lutaram.

Em troca, a Igreja se tornou menos combativa e desempenhou um papel crucial em assegurar a reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, no ano passado.

Fidel Castro, aos 89 anos e aposentado, tem elogiado repetidamente os valores cristãos, tendo no padre e intelectual brasileiro Frei Betto um amigo próximo.

Raúl Castro, de 84 anos e sucessor do irmão como presidente, foi além, abrindo canais de comunicação com líderes da Igreja dentro de Cuba e fazendo concessões, tais como a libertação de milhares de presos políticos e a permissão de procissões religiosas.

A Igreja tem apoiado os esforços de Raúl Castro em reformar a economia ainda comandada ao estilo soviético, e o papa Francisco atuou pessoalmente como mediador quando Cuba e Estados Unidos concordaram em colocar de lado as hostilidades remanescentes da Guerra Fria.

Raúl Castro se reuniu este ano com Francisco em Roma, onde disse ter ficado impressionado com a “sabedoria e modéstia” do papa.

“Se o papa continuar a falar como fala, mais cedo ou mais tarde vou começar a rezar novamente e voltarei para a Igreja Católica, e não estou brincando”, disse Raúl Castro a jornalistas na ocasião.

A declaração causou espanto ao redor do mundo e, sobretudo, em Cuba, onde a Igreja reagiu com cautela.

“Eu não ouvi dizer que eles tenham retornado à Igreja, mas as pessoas evoluem um bocado ao longo de suas vidas”, disse Dionisio García, arcebispo de Santiago de Cuba e presidente da Conferência Cubana de Bispos.

Ele destacou a existência de uma maior liberdade religiosa em Cuba.

“As coisas melhoraram para todas as religiões. Acredito que a mentalidade do Estado tenha mudado. Existe mais tolerância neste momento com as práticas religiosas. Não é tudo que se poderia desejar, mas mudou para melhor”, disse García.

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