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Corte espanhola apreende pintura de Picasso em disputa com banqueiro

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O quadro "Cabeça de uma Jovem Mulher", de Pablo Picasso, alvo de disputa entre um banqueiro espanhol e o governo do país Imagem: AFP PHOTO

Sarah White

De Madri (Espanha)

11/08/2015 14h32Atualizada em 11/08/2015 15h07

Uma pintura de Picasso pertencente a um dos banqueiros mais ricos da Espanha e apreendida na França em função de um veto de importação chegou nesta terça-feira (11) a um museu de Madri, onde ficará até que a disputa seja resolvida.

"Cabeça de uma Jovem Mulher", pintado em 1906 pelo artista nascido em Málaga, e avaliado em mais de 25 milhões de euros, foi confiscado por autoridades alfandegárias francesas no mês passado, a bordo de um iate no porto de Calvi, na Córsega.

Vista como um tesouro nacional na Espanha, cujo Supremo Tribunal proibiu sua exportação, a obra vem sendo alvo de uma batalha judicial há meses.

Tanto o quadro quanto a embarcação são de propriedade do bilionário Jaime Botín, parte da dinastia familiar que controlou o Santander durante várias gerações e irmão do ex-presidente do banco, Emilio Botín.

Após uma proposta da casa de leilões Christie's, Jaime Botín tentou exportar a obra para Londres, mas foi impedido pela corte em maio, um veredicto que seu escritório de advocacia declarou que ele está questionando. Mais tarde, uma tentativa de levar a pintura da Córsega para a Suíça levou as autoridades da França a apreendê-la.

O quadro ficará no principal museu de arte moderna espanhol, o Reina Sofia, até a situação ser resolvida, afirmou o Ministério do Interior, e não será exposto ao público.

Membros da Polícia Militar da Espanha viajaram à Córsega nesta terça-feira para retirar o quadro, disse o ministério, acrescentando que ele foi avaliado em 26,2 milhões de euros.

Organismos culturais espanhóis têm dito que a pintura é um exemplo raro do quanto a arte ibérica antiga influenciou Picasso, que a criou mais ou menos na época em que esteve em um pequeno vilarejo montanhoso nos Pireneus.

O advogado de Botín, Rafael Mateu de Ros, declarou em um comunicado que a pintura estava sendo mantida em um barco registrado na Grã-Bretanha e por isso não deveria estar sob jurisdição das autoridades espanholas.

"A pintura foi feita no exterior, foi adquirida no exterior e sempre foi mantida fora do território. A pintura não poderia ter sido exportada (da Espanha), legal ou ilegalmente", argumentou.

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