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Ronald Biggs mantém atitude provocadora até em seu funeral

03/01/2014 18h49

Por Alexander Winning

LONDRES, 3 Jan (Reuters) - Ronald Biggs, conhecido por sua participação no "Grande Assalto ao Trem Pagador", chegou ao seu funeral nesta sexta-feira em um carro coberto por um arranjo de flores na forma de dois dedos em "V", um gesto obsceno na Grã-Bretanha e símbolo que adotou como desafio às autoridades britânicas.

Biggs, um criminoso que tornou-se celebridade durante uma vida de fuga depois do notório roubo em 1963, morreu no mês passado aos 84 anos em uma casa de repouso em Londres.

Ele havia cumprido apenas 15 meses dos 30 anos de prisão a que fora condenado quando fugiu em 1965, seguindo para a Austrália e, depois, para o Brasil, de onde ostentava sua liberdade com festas em locais exóticos e entrevistas à imprensa britânica.

Mas depois de 36 anos foragido, Biggs retornou à Grã-Bretanha em 2001, falido e em más condições de saúde, voltando à prisão até que foi solto em 2009, por causa da doença.

Em seu último ano de vida, Biggs apareceu duas vezes em público, frágil e empurrado numa cadeira de rodas, mas sem manifestar arrependimento por sua atuação no assalto ao trem postal real, no qual sua gangue roubou 2,6 milhões de libras esterlinas (4,2 milhões de dólares), equivalentes a 40 milhões de libras pelo valor de hoje.

No funeral do mentor do assalto, Bruce Reynolds, em março do ano passado, Biggs encontrou forças para erguer os dois dedos diante das câmeras.

Nesta sexta-feira, um cortejo de motociclistas do Hell's Angels e uma banda tocando "When The Saints Go Marching In" conduziram o caixão de Biggs para um crematório no norte de Londres, seguido por sua família e várias figuras do submundo, observado por um grupo da mídia e algumas pessoas que passavam pelo local.

"Biggs não era um grande criminoso, mas tinha um olhar para a publicidade. Isto é um circo, e todos se encantavam com ele", disse o morador da região David Rose, que acompanhou o momento em que o caixão envolto nas bandeiras britânica e brasileira passava sob forte chuva.

HERÓI OU VILÃO?

O Grande Assalto ao Trem Pagador tornou-se um dos fatos marcantes da Grã-Bretanha nos anos 1960, coincidindo com o caso Profumo -um escândalo de sexo e espionagem que abalou o establishment britânico- e a ascensão dos Beatles e outros heróis da classe trabalhadora. Deu origem a vários filmes.

Biggs, o mais famoso membro da quadrilha, foi uma espécie de Robin Hood moderno para alguns, e um vilão sem arrependimento para aqueles que apontam a violência usada contra o maquinista.

Nascido no sul de Londres, Biggs sempre disse que nunca se arrependeu do roubo, já que lhe deu "um pequeno lugar na história".

Depois de escapar da prisão de Wandsworth, em 1965, escalando uma parede com uma escada de corda, ele usou sua parte no saque para fazer uma cirurgia plástica e pagar a passagem para a Austrália.

Depois, foi para o Brasil, via Panamá e Venezuela, perseguido por seu grande adversário, o detetive da polícia britânica Jack Slipper. Como ele teve um filho com uma brasileira, o governo do Brasil não podia extraditá-lo.

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