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Integrantes da banda Pussy Riot criticam Putin após serem soltas por anistia

23/12/2013 19h26

Por Maria Vasilyeva e Nikolai Isayev

KRASNOYARSK/NIZHNY NOVGOROD, Rússia, 23 Dez (Reuters) - Duas integrantes da banda russa punk de protesto Pussy Riot, libertadas nesta segunda-feira, ridicularizaram a anistia do presidente Vladimir Putin que permitiu a antecipação de sua saída da prisão, dizendo se tratar de jogada de propaganda, e prometeram lutar pelos direitos humanos.

Nadezhda Tolokonnikova, de 24 anos, gritou "Rússia sem Putin", após sua libertação de uma prisão na Sibéria, horas depois de a colega da banda Maria Alyokhina, 25, ter sido solta da prisão na cidade de Nizhny Novgorod, à margem do rio Volga.

As moças ainda precisariam cumprir dois meses de pena, mas foram soltas dias depois que um indulto de Putin levou à libertação do ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky, oito meses antes do término de sua sentença de dez anos de prisão, decisões amplamente vistas como estratégia para melhorar a imagem da Rússia antes de sediar os Jogos de Inverno, em fevereiro.

"É um ato cínico e repugnante", disse Nadezhda, parecendo relaxada em um casaco preto e camisa xadrez, em declarações à Reuters no apartamento de sua avó na cidade siberiana de Kransoyarsk, onde estava presa.

Nadezhda e Maria foram sentenciadas a dois anos de prisão por um protesto em que falaram palavrões contra Putin em uma igreja ortodoxa russa em 2012, depois de um julgamento que críticos do Kremlin dizem ter sido parte de uma campanha repressiva contra opositores de Putin, em seu terceiro mandato presidencial.

O caso provocou indignação no Ocidente, mas despertou bem menos simpatia no país do que no exterior. Elas iriam ser libertadas no início de março.

Putin, que nega prender pessoas por razões políticas, disse que a anistia iria mostrar que o Estado russo é humano.

No entanto, a medida não beneficia o líder oposicionista Alexei Navalny, que está impedido de disputar eleições por vários anos após uma condenação por roubo - que está suspensa ─, que ele diz se tratar de vingança do Kremlin por seu ativismo. No poder desde 2000, Putin não descarta a possibilidade de disputar em 2018 um novo mandato de seis anos.

Maria concordou com críticos que disseram que a anistia era muito limitada e não um ato de misericórdia, mas um gesto de propaganda política de Putin.

"Não acho que isso seja um ato humanitário", disse ela, em comentários ao canal russo de TV e Internet Dozhd. "Minha atitude em relação ao presidente não mudou."

Nadezhda, que fez uma greve de fome no começo do ano para chamar a atenção para as duras condições e longas horas de trabalho forçado na prisão onde estava anteriormente, disse que vai lutar pelos direitos dos prisioneiros.

"Tudo está apenas começando, portanto, apertem os cintos", disse ela, sugerindo que a integrante da Pussy Riot - presa por uma "oração punk" na principal catedral da religião majoritária na Rússia - vai continuar a se valer de protestos para chamar a atenção para suas causas.

"Nós vamos unir nossos esforços em nossa atividade pelos direitos humanos", declarou Maria em Nizhny Novgorod. "Nós vamos tentar cantar nossa música até o final."

"NÃO TENHO MEDO"

Envolta em uma grossa jaqueta verde da prisão e com seus longos cabelos encaracolados à solta, Maria disse que teria rejeitado a anistia se tivesse sido opcional. Ela afirmou que quer se concentrar na luta pelos direitos de quem está atrás das grades.

"Não tenho medo de mais nada", afirmou.

Em uma reviravolta, Putin surpreendentemente indultou Khodorkovsky, o ex-dirigente da empresa petrolífera Yukos que estava preso desde 2003 e havia sido condenado em dois julgamentos que críticos disseram ser uma punição por ele desafiar o líder do Kremlin.

Khodorkovsky, que foi libertado na sexta-feira e viajou para a Alemanha, declarou que Putin está procurando melhorar sua imagem ao mesmo tempo que mostra estar confiante em seu controle do poder, depois de contornar enormes manifestações de protesto da oposição e conquistar um terceiro mandato no ano passado.

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