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Romance adulto da autora de "Harry Potter" divide opiniões dos críticos

Andrew Winning/Reuters
A autora britânica J. K. Rowling, que escreveu os livros da série Harry Potter Imagem: Andrew Winning/Reuters

Mike Collett-White

27/09/2012 10h09

A primeira incursão de J.K. Rowling na ficção adulta dividiu os críticos, e muitos acham que falta magia a "The Casual Vacancy", romance que chega às livrarias nesta quinta-feira.

Independentemente disso, o novo trabalho da autora da série "Harry Potter" tem lugar quase assegurado nas listas de best-sellers, uma vez que Rowling atrai muita atenção por parte da imprensa e do público devido ao sucesso alcançado com a série infanto-juvenil.

"The Casual Vacancy" aborda as diferenças sociais numa pequena cidade inglesa chamada Pagford, num enredo que também incorpora uso de drogas, sexo entre adolescentes e violência doméstica.

Michiko Kakutani, do The New York Times, comparou alguns personagens esnobes e tacanhos à odiosa família Dursley do universo de Harry Potter.

"Só se pode admirar sua sagacidade em enfrentar as esmagadoras expectativas criadas pelo fenômeno global que foi Harry Potter", escreveu Kakutani. "Infelizmente, o mundo da vida real que ela desenhou nessas páginas é tão deliberadamente banal, tão depressivamente clichê, que 'The Casual Vacancy' é não só frustrante – é chato."

Outros críticos foram mais condescendentes, e várias resenhas em jornais dos EUA e Grã-Bretanha consideraram o romance aceitável.

"'The Casual Vacancy' não é uma obra prima, mas não é de todo ruim: inteligente, esforçado, e muitas vezes engraçado", disse Theo Tait, no britânico Guardian. "O pior que se poderia dizer a respeito, realmente, é que ele não merece o frenesi midiático que o cerca. E quem hoje em dia acha que mérito e publicidade têm algo a ver um com o outro?"

Publicidade, aliás, é o que não faltou no primeiro trabalho de Rowling após os sete volumes da série "Harry Potter", que venderam 450 milhões de exemplares no mundo todo. Em Londres, muitas livrarias abriram antes do normal para atender à demanda, e nos EUA o livro saiu com uma tiragem inicial estimada em 2 milhões de exemplares.

Andrew Losowsky, do Huffington Post, disse que o romance merecia ser publicado, mas talvez não esteja à altura da expectativa que gerou. "Será que esse livro seria publicado se não fosse pelo nome na capa? Quase certamente (sim). Será que alguém prestaria muita atenção a ele e à sua mensagem? Provavelmente não."

Mas ele também disse que Rowling, de 47 anos, deveria insistir na ficção adulta, embora a autora já tenha dito que seu próximo trabalho provavelmente será infantil.

"Embora algumas sequências pareçam estar a algumas versões de ficarem prontas, outras são escritas com uma fluência e uma beleza que sugerem que poderia haver mais e melhores obras vindo da sua pena."

Boyd Tonkin, do Independent, opinou que Rowling se sai melhor na descrição dos personagens mais jovens, ao passo que seus pais às vezes parecem caricaturais. "Toda a turbulência social e hormonal que os últimos volumes de ?Potter' precisavam cobrir com eufemismos de fantasia aparecem plenamente à vista aqui."

O conservador Daily Telegraph criticou o tratamento dado à classe média no livro. "Enquanto Rowling dá o devido respeito aos personagens mais pobres e maltratados, subindo na escala social ela fica ocupada entalhando (personagens) grotescos", escreveu Allison Pearson, que deu três estrelas ao livro.

Rowling é considerada a primeira escritora (ou escritor) a fica bilionária com a venda de livros e direitos para o cinema, mas ela começou a carreira literária, na década de 1990, num momento de dificuldades financeiras, como mãe solteira e desempregada, dependente de benefícios sociais. Ela é uma tradicional apoiadora do Partido Trabalhista.

Mas talvez a crítica que mais desagrade à autora tenha sido a de Monica Hesse, no The Washington Post. "Ao longo de 'The Casual Vacancy', eu não conseguia deixar de ter um pensamento dominante, que a devotada fã que existe em mim odeia partilhar, já que tenho certeza de que é o que Rowling mais detesta escutar: esse livro seria um pouco melhor se todo mundo tivesse uma varinha de condão."

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