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Polícia chinesa teria advertido artista Ai Weiwei para evitar comparecer a audiência judicial

Andy Wong/AP
20.jun.2012 - O arquiteto e artista plástico Ai Weiwei, mais famoso dissidente da China, é barrado por policiais do lado de fora de sua residência em Pequim Imagem: Andy Wong/AP

20/06/2012 13h30

O artista dissidente chinês Ai Weiwei disse nesta quarta-feira (20) que a polícia o havia advertido a ficar longe de uma audiência judicial referente a um o processo que sua empresa sofre por sonegação de impostos. A pena pode chegar a até 15 milhões de iuans (US$ 2,4 milhões).

No mês passado, a Corte Distrital Chaoyang, em Pequim, concordou em ouvir a versão apresentada pela empresa que comercializa os trabalhos de Weiwei sobre o caso. Esta é uma mudança de postura por parte dos tribunais, que são rigorosamente controlados pelo Partido Comunista e se recusam a conceder audiências a dissidentes.

Os partidários de Weiwei afirmam que o caso foi forjado como parte de uma represália às críticas sociais feitas pelo artista.

Weiwei disse que, apesar de os tribunais aceitarem seu processo, a polícia o alertou para não comparecer à audiência. Foram enviadas várias viaturas para estacionar fora do estúdio onde ele mora. "Você nunca vai chegar lá. Nem tente", relatou o artista de 55 anos sobre o que a polícia teria dito a ele.

"Esta nação pode ter qualquer coisa, eles podem ter um satélite que vai para o céu e a lua, mas eles nunca podem dar-lhe uma razão clara sobre o porquê", disse ele. "Isso é ridículo, certo? Não há nenhuma conversa, nenhuma discussão. Talvez eles nem sequer saibam a razão. É uma nação realmente misteriosa."

Crítico do governo, Weiwei é o principal artista contemporâneo da China e tem sido uma irritação persistente para autoridades locais. Esforços para silenciá-lo são ineficazes, já que Weiwei segue se comunicando com fãs pelo Twitter e chega a incitar um fórum público para discutir o seu caso fiscal. Weiwei foi detido em abril de 2011 e mantido isolado até sua liberdade condicional no ano passado.

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