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Pintor britânico Lucian Freud morre aos 88 anos

21/07/2011 20h58

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - O pintor britânico Lucian Freud, cujos retratos intransigentes fizeram dele um dos artistas mais reverenciados e cobiçados do mundo, morreu aos 88 anos.

William Acquavella, que foi seu marchand em Nova York durante muitos anos, disse que o neto de Sigmund Freud morreu na quarta-feira à noite na sua casa, em Londres, vítima de uma doença não especificada.

"Minha família e eu lamentamos a perda de Lucian Freud não só como um dos grandes pintores do século 20, mas também como um amigo muito querido", disse o marchand em nota.

"Como o máximo artista figurativo da sua geração, ele imbuiu a arte do retrato e da paisagem com percepção, drama e energia profundos. Sua companhia era estimulante, humilde, cálida e inteligente. Ele viveu para pintar e pintou até o dia em que morreu, bem afastado do ruído do mundo da arte."

Freud chegou ao final da vida sendo muito valorizado pelo mundo artístico que desprezava. Sua obra "Benefits Supervisor Sleeping" (1995), que retrata uma mulher nua e obesa dormindo em um sofá, foi vendida por 33,6 milhões de dólares pela casa Christie's em 2008, marcando um novo recorde num leilão para um artista vivo.

Na época, a compra foi atribuída ao bilionário russo Roman Abramovich.

Ele tendia a pintar pessoas conhecidas - familiares, amigos e colegas -, mas também teve uma encomenda famosa: retratar a rainha Elizabeth 2a, em 2001.

O retrato resultante - em que a rainha aparecia com aspecto severo, nada lisonjeiro - dividiu a crítica. Arthur Edwards, fotógrafo do tabloide Sun, reagiu assim: "Deveriam pendurá-lo no banheiro".

Freud nasceu em 1922, em Berlim, numa próspera família alemã que fugiu do nazismo rumo à Grã-Bretanha em 1933. Em 1939, ele adotou a cidadania britânica. Seu irmão mais novo, Clement, foi um conhecido escritor, político e apresentador de rádio e TV na Grã-Bretanha.

Lucian Freud frequentou várias escolas, inclusive de arte, mas, segundo relatos, assistiu a poucas aulas. "Eu era muito solitário. Mal falava inglês. Era considerado bem enfezado, do que me orgulhava bastante", disse o artista certa vez.

Ele teve uma breve passagem pela marinha mercante antes de se voltar para as artes e realizar suas primeiras exposições na década de 1940.

O artista teve vários relacionamentos, e acredita-se que deixe vários filhos ilegítimos.

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