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'Bom Dia, Verônica' é suspense que denuncia violência contra a mulher

Tainá Müller em cena da série "Bom Dia, Verônica" - Suzanna Tierie/Netflix
Tainá Müller em cena da série 'Bom Dia, Verônica' Imagem: Suzanna Tierie/Netflix

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

01/09/2020 09h00

Enquanto escrevia "Bom dia, Verônica" com sua co-autora Ilana Casoy, o escritor Raphael Montes brincava: "Você sabe que esse livro é uma série da Netflix".

A brincadeira, agora, está prestes a se tornar realidade, já que no dia 1º de outubro a plataforma vai estrear sua adaptação do livro publicado pela DarkSide Books, com Raphael e Ilana como roteiristas e produtores.

A história é um suspense. Verônica Torres (Tainá Müller) é uma escrivã da polícia que começa a investigar dois casos: o de uma mulher enganada por um golpista que conheceu online, e o de outra, Janete (Camila Morgado), que está em um relacionamento abusivo com um serial killer, Brandão (Eduardo Moscovis).

Parceria

"Bom Dia, Verônica", o livro, nasceu de um encontro entre Raphael e Ilana no festival de literário de Extrema (MG). Ele, escritor de sucessos policiais como "Suicidas" (2012) e "Dias Perfeitos" (2014); ela, criminóloga e autora de livros sobre crimes reais como "O Quinto Mandamento", em que se debruça sobre o caso de Suzane Von Richtofen.

Raphael Montes e Ilana Casoy nos bastidores de "Bom Dia, Verônica" - Suzanna Tierie/Netflix - Suzanna Tierie/Netflix
Raphael Montes e Ilana Casoy nos bastidores de 'Bom Dia, Verônica'
Imagem: Suzanna Tierie/Netflix

Após uma conversa em tom de brincadeira em um bar em Extrema, Ilana leu os livros de Raphael e gostou -e os dois começaram a costurar o que seria a história e quem seria essa protagonista. "Ele queria uma heroína mulher, e eu queria que ela fosse uma mulher invisível, pois eu vivo em um mundo em que as mulheres são invisíveis", conta a criminóloga.

O livro foi lançado em 2016 sob o pseudônimo Andrea Killmore, e despertou o interesse da Netflix um ano mais tarde, quando Raphael apresentou a executivos da plataforma o livro como um dos projetos em que gostaria de trabalhar -sem contar que era um dos autores. O resto é história, e os dois foram revelados como autores do livro em 2019, pouco antes de a Netflix anunciar publicamente a adaptação.

Denúncia

Para os dois, desde o início era importante que a história também propusesse uma reflexão sobre a realidade da violência contra a mulher. "Era muito importante fazer um thriller com viradas, mas não só. Era importante também discutir e denunciar alguns temas", explica Raphael.

Camila Morgado em cena da série "Bom Dia, Verônica" - Suzanna Tierie/Netflix   - Suzanna Tierie/Netflix
Imagem: Suzanna Tierie/Netflix

Isso se manteve na transição do papel para o streaming.

Quando aparece um crime na TV, você pensa como essa mulher caiu nesse lugar? Por que ela não fugiu? São temáticas sensíveis, e a série faz um lindo trabalho social de dar visibilidade a esse processo e às dificuldades também da polícia. Nós temos uma polícia sem dinheiro, uma cultura em que se investe mais em viatura do que em inteligência. E os salários também estão longe do ideal.
Ilana Casoy

Houve, claro, algumas adaptações necessárias para dar vazão aos pensamentos das personagens sem recorrer às narrações, especialmente no caso Janete.

Nesse sentido, a gente criou cenas do ciclo da violência doméstica: começa com pequenas ameaças, vai para um ato de violência e depois para o arrependimento, quando ele leva café da manhã para ela e pede desculpas.
Raphael Montes

Vida real x ficção

"Bom dia, Verônica" não é baseado em fatos reais, mas Ilana levou bastante de sua experiência como criminóloga para a trama. Janete, por exemplo, foi muito composta a partir de uma entrevista marcante que a escritora fez com a mulher de um assassino em série.

Eduardo Moscovis em cena da série "Bom Dia, Verônica" - Suzanna Tierie/Netflix   - Suzanna Tierie/Netflix
Imagem: Suzanna Tierie/Netflix

O marido dela tinha sido preso, e ela não sabia que ele matava, muito menos que ele matava em série. Ela chorava e falava 'doutora, me ajuda, onde que eu desligo o amor que eu sinto por ele? Eu quero parar de amá-lo, ele é um monstro, mas eu amo'.

No geral, porém, muito da história vem da troca entre as experiências de Ilana e a criação de Raphael como autor de ficção. "Tem realidades que a ficção não aguenta, e você precisa mesmo transformar. E tem coisas da realidade que você precisa colocar na ficção", explica.