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'Normal People' tem as melhores cenas de sexo da TV, mas não é só isso

Marianne e Connell, personagens da série "Normal People" - Divulgação
Marianne e Connell, personagens da série 'Normal People' Imagem: Divulgação

Liv Brandão

Do UOL, em São Paulo

01/08/2020 04h00

Se você acompanhou o anúncio dos indicados do Emmy deve ter ignorado o nome de Paul Mescal entre os indicados a melhor ator em minissérie ou filme para a TV por "Normal People". Normal (sem trocadilhos). É muita coisa mesmo. Mas aproveito este espaço para espalhar a palavra dessa serie irlandesa que estreou no Starz Play (serviço de streaming do canal americano que chegou timidamente ao Brasil).

O que é que 'Normal People' tem?

Com seus 12 episódios de meia hora cada, "Normal People" é uma das melhores coisas que você vai ver na TV esse ano —e vou além, a série baseada no incensado best-seller de Sally Rooney ("Pessoas Normais", lançado aqui pela Companhia das Letras) traz algumas das melhores cenas de sexo da TV.

Mas hein?

Sem puritanismos, querida leitora, querido leitor: sexo é bom e muita gente gosta. E vê-lo bem retratado, principalmente pelo casal que protagoniza a série —formado por Mescal e por Daisy Edgar-Jones— é um deleite. As cenas dirigidas por Lenny Abrahamson (indicado ao Oscar por "O Quarto de Jack") e por Hettie McDonald ("Doctor Who") são realistas, naturais e mostram o que têm que mostrar. E, por isso mesmo, são super eróticas — mas tudo embalado por uma direção extremamente sensível.

Um baita gatilho para esses tempos de 'carentena'

Mas calma. Não não quero dizer que a série valha só pelas cenas de sexo. Ela é inteira maravilhosa (e, me arrisco a dizer, uma das poucas adaptações que superaram o livro). Mas o sexo é um importante recurso narrativo para acompanhar os encontros e desencontros de Marianne Sheridan e Connell Waldron desde os tempos de colégio até chegar à faculdade.

Na adolescência, ele é o cara popular e meio fraco das ideias que não banca o relacionamento com a garota-problema do colégio. Vale frisar que a mãe dele, adorável, é faxineira na casa dela, a pobre menina rica esnobada pela família. Na faculdade, o jogo entre os dois se inverte: Marianne enfim percebe a fragilidade de Connell, um garoto calado e inseguro perto dos amigos cabeça dela.

Mesmo assim, os dois nunca deixam de se amar, se adorar, se desejar

Falando assim, parece até uma história banal, mas né? Estamos falando de "pessoas normais", como você e eu. Gente que tem problemas, que entende errado o que o outro quis dizer, que tem cravos e espinhas (obrigada por isso, TV inglesa), que não consegue expressar com clareza o que sente.

E tudo isso é narrado através de cenas curtas, em que muito fica subentendido. As transas de Marianne e Connell (entre si ou com outros parceiros) desempenham, portanto, o papel de falar o que está se passando pela cabeça dos protagonistas. Não à toa, uma das poucas cenas longas da série —com 3 minutos e meio num episódio de meia hora, é muita coisa!— é uma belíssima cena de sexo com começo, meio e fim, que diz muito sobre os dois, aquilo que eles mesmos não têm coragem de dizer.

Nudez total e natural

Aliás, a nudez dos dois —sim, tem nu frontal masculino e tem camisinha, essa raridade na dramaturgia— representa muito o estágio de entrega em que cada um se encontra. Nos tempos de colégio, só Marianne aparece nua, sempre da cintura para cima. Na faculdade, quando ele dá o braço a torcer e se entrega também, os dois aparecem completamente despidos. Até porque ali eles enfim são adultos. É curioso notar como ela sempre se despe antes, dando a sensação de que ela está sempre levando aquela relação para frente —o que é totalmente verdade.

Um dos grandes trunfos da série, é, portanto, contar uma história de amor sincera e real, daquelas com altos e baixos, medos, alegrias, vacilos e acertos, em que o sexo não é tratado de forma gratuita, mas sim como parte intrínseca da relação daquele casal. Como a que pessoas normais, como eu e você, vivemos. Vale (e muito) o play.

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