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Paulinho da Viola 'aglomerado' no show da Madonna deixou todo mundo confuso

Liv Brandão

Do UOL, em São Paulo

26/06/2020 04h00

Nos últimos dias, um "recorte" de jornal desenterrado pela jornalista Fabiana Moraes circulou pelo Twitter e logo ganhou as profundezas do WhatsApp. Na matéria publicada pelo Segundo Caderno, do jornal O Globo, em 8 de novembro de 1993, via-se ninguém menos que Paulinho da Viola (sim, o sambista) aglomerado com o público que lotou o Maracanã para ver o primeiro show de Madonna (sim, a diva pop) no Brasil.

Na imagem abaixo, capturada por Marcos André Pinto, Paulinho é visto sorridente, em sua costumeira tranquilidade, enquanto era imprensado por outros 120 mil fãs em pleno gramado do (até então) "maior do mundo". Classe até na muvuca!

O UOL então resolveu ir atrás do autor de "Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida" para entender o que diabos ele ("geralmente tímido e reservado", como o descrito no texto original) estava fazendo num show da Madonna, justamente na turnê do "Erotica".

A resposta você ouve ali em cima, mas um spoiler: se você chutou "por causa dos filhos", você acertou:

Você vê o que um pai faz pelos seus filhos, né... Foi a única vez que eu vi a Madonna ou mesmo vi um show no Maracanã. Mas não tenho muita lembrança, não, porque fiquei de olho nos meninos. Era uma multidão.

Pois é, para o vascaíno, o Maracanã é só para futebol e olhe lá. Na época da turnê de Madonna, os filhos de Paulinho estavam entre a pré-adolescência e adolescência, o que explica o furor. E, nessas, ele, que está "dando um trato" em sua coleção de 6 mil LPs durante a quarentena, disse que "escapou de uma outra":

Tenho uma filha que era apaixonada pelo Sebastian Bach [não confundir o então vocalista do Skid Row com o músico clássico], e quis muito ir no show do Skid Row no Maracanãzinho, em 1992. Ela era uma menina ainda, mas topei levá-la e decidi ficar esperando do lado de fora. Os seguranças me reconheceram, perguntaram se eu queria entrar, disse que não, mas mas pedi para eles tomarem conta dela, porque eu estava muito preocupado com aquela multidão de pré-adolescentes. Eu fiquei do lado de fora rezando, mas deu tudo certo.

Fofo demais, né?

Mas voltando à tal matéria sobre o show da Madonna... a foto de Paulinho não era a única pérola da reportagem, que o UOL disseca aqui:

Prefeito progressista (?)

O mesmo César Maia, prefeito do Rio que mandou fechar o lendário Circo Voador por ser "um antro de drogas, um centro de homossexualismo agressivo, um mercado de jovens, uma pocilga", saiu em defesa da cantora pop, que um ano antes havia lançado o polêmico (e maravilhoso!) "Erotica".

O erotismo de Madonna não introduz novidade alguma. Não há nada em seus shows que as crianças já não vejam na TV ou até mesmo nos outdoors espalhados pela cidade.

Nisso ele tinha razão. Os anos 1990 foram selvagens na TV brasileira (como esquecer da Banheira do Gugu ou do Sushi Erótico do Faustão, não é mesmo?).

'Uma combinação de mate e maconha'

Lembra de quando era possível aglomerar em shows sem um vírus tentando te matar? Nem tudo eram flores naquela época. Pelo menos, é o que diz o texto, cujo autor não foi identificado:

Mate e maconha foram os combustíveis mais consumidos pelo público, já que era praticamente impossível conseguir uma cerveja em meio ao tumulto

Espectador carrancudo

O funcionário público José Carlos Alves, então com 46 anos, estava lá curtindo a Madonna, mas concordou com a restrição do show a crianças menores de 14 anos.

Não por causa da Madonna, mas pelo tumulto. Ainda bem que minha filha não veio

O que será que a filha do seu José Carlos pensa hoje sobre ter perdido esse momento histórico —ao contrário dos filhos do Paulinho da Viola—, hein?