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Youtuber Lucas Maciel atribui preconceito à maconha no Brasil ao racismo

Lucas Maciel em uma plantação de maconha - Divulgação
Lucas Maciel em uma plantação de maconha Imagem: Divulgação

Rafael Godinho

Do UOL, Rio

08/06/2020 04h00

Apresentador do "Trampo Zika", na MTV, Lucas Maciel investiu em um documentário sobre a maconha no YouTube. O ex-pupilo do "Pânico na Band" gravou os três episódios da produção no Uruguai, país latino onde a erva foi legalizada, e viveu uma verdadeira "imersão canábica". Em conversa exclusiva com UOL, Lucas afirmou que o projeto é zero apelativo e tem a intenção de mostrar também o uso medicinal da planta.

Não é só para chapar e ficar 'doidão'

Preconceito com a maconha no Brasil: racismo?

Apesar de ter sido gravado no fim de 2019, o episódio publicado neste domingo (7), pontualmente às 4h20 da tarde (sacou?), traz uma ao centro da discussão um tema bastante falado nos últimos dias: o racismo. Tudo porque o apresentador entrevista o brasileiro Guilherme Marcel em um hostel cannabico, e eles discutem a origem do preconceito com a maconha no Brasil.

A história da criminalização da erva aqui no nosso país anda de mãos dadas com o racismo. O Brasil foi a primeira nação do mundo a criminalizar a droga e isso tinha relação direta com a popularidade da maconha entre os escravos, que precisavam ser punidos a todo custo, toda hora

Medo de boicote e perder seguidores

Desde que começou a ler publicações sobre o uso medicinal da maconha e a pesquisar sobre a legalização no Uruguai, Lucas teve a ideia de fazer o documentário, mas ficou receoso com a receptividade do projeto.

Nunca havia pensado em falar sobre, até porque rola um boicote do assunto nas redes sociais e principalmente no YouTube, onde eu posto meus formatos experimentais

Mas o youtuber garante não ter sofrido nenhum tipo de retaliação. Ele atribui o respeito ao foco na informação, histórias de superação e entrevistas com quem pode acrescentar ao debate.

O feedback está bem positivo, tanto de quem estuda o assunto quanto de quem nem é fã da erva. Acho que troquei uma parcela do público. Alguns saíram e outros chegaram. Mas, na conta final, acabou sendo mais benéfico

Usuário assumido da cannabis

Lucas não hesita ao ser questionado se é usuário de maconha.

Sim, eu fumo há um bom tempo. Sempre me ajudou muito a controlar a ansiedade, a trabalhar nos meus projetos [criação, roteiro e edição], mas confesso que depois dessa viagem e de gravar o documentário, minha relação com a erva mudou um pouco [risos]

Durante as gravações, o apresentador trabalhou em um clube de cultivo legalizado e viu de perto todo o processo da cannabis até chegar ao produto final. A experiência o fez mudar a forma de consumo.

Até o momento de preparar o cigarro mudou. Estou contemplando, apreciando mais. Deixei de fumar em rolês com muita gente. A conexão ficou mais pessoal, íntima, papo brisa mas tem sentido [risos]

'Legalize já'

Como é de se imaginar, Lucas é totalmente a da legalização da maconha por motivos econômicos e medicinais. Recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou o uso de alguns medicamentos à base de cannabis no Brasil. Mas, para efetuar o tratamento, o paciente precisa preencher os requisitos impostos pelo órgão regulador, vinculado ao Ministério da Saúde.

Quem faz uso da erva, seja recreativo ou medicinal, faz independente de ser legalizado ou não, pelos vários benefícios que falamos no doc, como o tratamento de doenças crônicas. A legalização pode criar uma arrecadação de impostos muito significativa, além de empregos e vários outros produtos para o comércio

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