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Live, feats e fundo verde: clipes 'made in quarentena' apontam tendências

Drake no clipe de "Toosie Slide" - Reprodução
Drake no clipe de "Toosie Slide" Imagem: Reprodução

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

02/06/2020 04h00

Esqueça a grandiosidade, elenco numeroso de dançarinos e locações milionárias em paraísos espalhados pelo mundo. Com o isolamento social e as sérias restrições de produção impostas pela pandemia, videoclipes musicais vêm sendo pensados e produzidos de forma diferente no Brasil e no mundo. E desse caos e das dificuldades pode, sim, vir a luz.

Veja abaixo quem vem lançando clipes diferentes na pandemia e que tendências eles estão apontando no segmento, que podem ser utilizadas ou inspirarem novas estéticas na produção audiovisual de clipes quando a crise do coronavírus passar.

Lives podem virar clipe

Ninguém sabe se as lives vão de fato vingar como novo formato de show, mas, se se isso acontecer, clipes retirados desse tipo de apresentação devem virar tendência, com suas produções enxutas e muitos closes no rostos dos artistas. Wesley Safadão fez isso com três músicas, "Vai Lá", "Esfriou Demais" e "Hoje é Dia", que saíram logo após sua live em abril.

Com a pandemia, tudo mudou. Encontramos nas lives a forma de levar nosso trabalho até a galera. O projeto já ia ser gravado em São Paulo, apenas adaptamos à nova realidade
Wesley Safadão

Clipes colaborativos

Que tal chamar fãs e amigos famosos para participar de seu clipe, seja cantando ou dançando, com vídeos gravados da câmera do celular? É um formato simples e que funciona, até para expandir o conceito do "feat". Esse é o conceito do clipe de "Mete Dança", do produtor Ruxell, que traz imagens enviados por Iza, Lexa e Aretuza Lovi, entre fãs e amigos.

Ficamos felizes de poder contar com grandes amigos, fãs, dançarinos, artistas, influenciadores, humoristas que simplesmente só se preocuparam em passar a sua energia através da dança
Ruxell

E não só no Brasil

Esse formato de feats com danças a aparições também tem ganhado espaço internacionalmente. Exemplo disso é "Malibu", da cantora alemã Kim Petras, que reuniu em vídeo em estilo caseiro diversas celebridades e influenciadores, como Paris Hilton, Jonathan Van Ness, Charli XCX, Demi Lovato, Jessie J e Madelaine Petsch, além da brasileira Pabllo Vittar. Será que ela foi longe demais?

Chroma Key

A famosa técnica do "fundo verde" viveu seu auge nos anos 1970 e, nos últimos tempos, passou a ser revisitada. Na quarentena, com as limitações de produção, tornou-se uma saída recorrente. Supla lançou seu novo clipe, "Meu Próprio Mundo", com esse recurso, reproduzindo dentro de casa um sonho psicodélico de baixo orçamento.

Meu sobrinho, Teodoro, aparece no clipe, mas a grande estrela é o gatinho do meme que aparece [risos]. Convidei um amigo para filmar, e ele tinha um chroma key. Foi tudo feito na minha casa, com todo mundo usando álcool em gel, máscara e vindo em horários diferentes.
Supla

O chroma key também é usado em Charli XCX em 'Claws', outra faixa lançada na quarentena

Telas verticais estilo Stories

Videoclipes gravados em estúdio ou em casa, com tela dividida verticalmente, filtro e várias tomadas em lugares diferentes. Parecem com os Stories do Instagram (ou mesmo o TikTok) e é uma forma barata e rápida e filmar. Marília Mendonça fez desse jeito o vídeo de "Vira Homem (Todos os Cantos)", estrelado por ela e parceiros de banda.

A tecnologia é uma grande parceira nesse momento, né? Toda a produção musical foi definida por trocas de áudios no WhatsApp e as orientações de como seriam as gravações fizemos por 'call' com o meu produtor e os músicos da minha banda
Marília Mendonça

Plano-sequência

Com a proibição de aglomerações, ficou difícil juntar dançarinos e figurantes no mesmo local. Artistas solitários são a nova tônica de videoclipes. Para fugir da mesmice, Drake recorreu a uma solução interessante em "Toosie Slide": gravar longos planos-sequência (cena única, sem corte), com suas dancinhas potencialmente virais, enquanto mostra um pouco de suntuosa mansão no Canadá. Deu certo.

Dancinhas

Falamos de dancinhas? O trio americano Haim lançou um clipe, "I Know Alone", bem ao estilo aeróbica FitDance. Só precisou de uma câmera, um tripé e uma coreografia na cabeça das integrantes, que são irmãs. Já que estamos na era do Fortnite e dos passinhos, que costumam virar desafios em plafaformas como o TikTok, elas não podem estar erradas.

Uma cadeirinha e um violão

O cantor Edu Chociay lançou o vídeo de "Problema" da forma mais simples possível. Sentou em frente à câmera e tocou e cantou a música, com som de estúdio sobreposto às imagens. É o mesmo formato que milhões de cantores e aspirantes do YouTube —muitos são descobertos assim. Uma edição mínima anda dá um charme e projeta uma tendência minimalista.

Lyric vídeos e animações

Os lyric videos —clipes em que geralmente o artista não aparece, deixando o protagonismo para a letra— viveram seu auge cerca de cinco anos atrás. Agora surgem como uma possível solução, já que os artistas precisam ficar em casa. Eles podem, por exemplo, ser incrementados por animações de motion design, feitas à distância, como acontece no clipe de "Trippin", da DJ e produtora Samhara.