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Regina Duarte fala em 'sair do ambiente raivoso' após deixar secretaria

Do UOL, em São Paulo

20/05/2020 13h51

Regina Duarte se manifestou no começo da tarde de hoje sobre a saída do comando da secretaria especial de cultura do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), sendo remanejada para a Cinemateca Brasileira.

Ela falou em "achar o caminho do meio" e "sair do ambiente raivoso que acomete parte do setor", depois de sofrer críticas da classe artística e um processo de fritura do presidente, a ponto de perder força no cargo, em que ficou por cerca de três meses.

"Continuo acreditando no sonho de achar o caminho do meio. Vou lutar sempre por escapar do ambiente raivoso que acomete parte do setor, um grupo que trabalha quotidianamente não para construir nada, mas para separar os criadores de arte, impondo o atraso, impedindo a conexão de todos", escreveu ela, no Instagram.

"Tudo isso é feito em nome de ideologias e ressentimentos partidários que nada tem a ver com o fazer cultural, com a mais nobre arte que mora nos corações e mentes da grande maioria da gente brasileira", acrescentou.

A saída da atriz aconteceu um dia depois de Bolsonaro almoçar com um dos nomes cotados para assumir o cargo, o ator Mário Frias.

Bolsonaro afirmou nesta manhã que Regina estava com saudade da família e que a mudança seria para o "bem" dela, em respeito ao "passado" da atriz - que encerrou um contrato de mais de 50 anos com a TV Globo para virar secretária - e "por tudo o que representa para todos nós". A Cinemateca fica em São Paulo, o que facilitaria que ela estivesse mais presente com a família.

Processo de fritura

Nos bastidores do governo, auxiliares diziam que tanto Bolsonaro quanto Regina estavam insatisfeitos um com o outro e se dedicaram a encontrar uma saída honrosa para a artista. O desembarque de Regina do governo foi selado hoje em um café da manhã no Palácio da Alvorada.

Bolsonaro já havia reclamado publicamente que Regina não dava expediente em Brasília e observou que ela trabalhava de São Paulo, pela internet, o que prejudicava a gestão da pasta. Regina, por sua vez, se via como um alvo do núcleo olavista atuante em larga escala dentro do Executivo. O grupo, formado por seguidores do ideólogo de direita e guru bolsonarista Olavo de Carvalho, exerceu pressão interna e também nas redes sociais para que a atriz fosse destituída do cargo.

Na esteira desse processo de fritura, Bolsonaro decidiu reconduzir ao comando da Funarte o maestro Dante Mantovani, que havia sido demitido por Regina dois meses antes. Esvaziada, a artista pediu para conversar com o presidente e expôs a sua insatisfação. Ela esperava ter carta branca - algo que foi prometido pelo presidente - para poder nomear os subordinados. Desde então, e também motivada pela vontade de trabalhar em São Paulo, começou a vislumbrar a sua saída da secretaria.

Ida à cinemateca

Bolsonaro postou um vídeo no Twitter ao lado da atriz para justificar a decisão, que atribuiu à distância. Regina definiu a mudança como um "presente".

"Acabo de ganhar um presente, que é o sonho de qualquer profissional de comunicação, de audiovisual, de cinema e de teatro, um convite para fazer cinemateca que é um braço da cultura em São Paulo. Ficar secretariando o governo na cultura dentro da cinemateca. Pode ter presente maior do que isso?", disse a atriz de 73 anos.

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