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Como Regina Duarte se queimou com a classe artística em dois meses

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

20/05/2020 10h55

Regina Duarte abriu mão das novelas e de um contrato de mais de 50 anos com a Globo para assumir a função de secretária especial da Cultura do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Com dois meses na função, a atriz deixou o cargo após uma "fritura" para assumir o comando da Cinemateca, em São Paulo. Ela alegou que o motivo para a sua saída era o desejo de ficar mais próxima da família.

Climão com artistas

A crise com a classe artística começou logo que a "namoradinha do Brasil" foi confirmada no cargo de secretária. A primeira saia justa ocorreu quando ela postou uma montagem com fotos de artistas que supostamente a apoiavam, mas vários dos atores que estavam nas imagens não concordaram com o uso de suas fotografias por serem críticos ao atual governo. O caso mais ruidoso foi o de Carolina Ferraz, que teve uma reclamação em áudio vazado nas redes sociais.

"Regina, não imaginei que você fosse colocar minha foto ou a foto de qualquer um, colega nosso, sem comentar ou pedir autorização da gente, né? Realmente, torço para que você consiga exercer e fazer a diferença em um governo que desprestigia tanto a classe artística, que persegue tanto a classe artística", afirmou Carolina.

Regina chegou a retirar a montagem e a postar outra, mas voltou a ser criticada.

Revolta na CNN

Em uma entrevista constrangedora neste mês para a CNN Brasil, já em meio à crise dentro do governo Bolsonaro, Regina Duarte se revoltou com um vídeo de Maitê Proença. Ela se irritou com o vídeo em que a atriz fala sobre o incômodo com o descaso do governo com a classe artística.

"É inexplicável o silêncio sobre uma política para o setor. Nós estamos sobrevivendo de vaquinhas. Nesse túnel comprido, e sem futuro a vista para arte, que afinal, se faz juntando gente. Mas, afinal, até quando isso vai se sustentar? São muito poucos os que têm reservas financeiras para milhares [de artistas] que estão à míngua. Enquanto isso, morrem os nossos gigantes: Rubens, Aldir... Nenhuma palavra de nosso presidente, de nossa secretária. Regina, eu apoiei desde o início o seu direito a posição que divergia da maioria. Regina, fala com a gente", se queixou Maitê.

Regina reclamou sobre a participação da colega de profissão acreditando que era um vídeo antigo, quando na verdade o depoimento era novo. Bastante irritada, ela falou ao vivo: "Muito obrigada. Muito obrigada. Foi preciso eu dar um chilique. Me desculpem os telespectadores. Para quê? Quem é você [Daniela Lima, apresentadora da CNN]?",

Manifesto dos artistas

A entrevista de Regina Duarte para a CNN Brasil repercutiu muito mal com a classe artística. Isso porque ela enalteceu a ditadura militar no Brasil, minimizando as mortes e torturas do período. Ela também menosprezou a cobertura da imprensa sobre as mortes ocasionadas pela pandemia de covid-19.

Um grupo de 512 atores, músicos, escritores e outros profissionais ligados à indústria cultural, assinou um manifesto com críticas a então secretária da Cultura. "Como artistas, intelectuais e produtores culturais, formamos a maioria que repudia as palavras e as atitudes de Regina Duarte como Secretária de Cultura. Ela não nos representa", diz o manifesto.

Não se posicionou sobre mortes de artistas

Regina Duarte também foi bastante criticada pela suposta falta de empatia em não se manifestar sobre as mortes de personalidades do meio artístico, como Moraes Moreira, Flávio Migliaccio, Rubem Fonseca e Aldir Blanc. Tanto o público nas redes sociais quanto os artistas se indignaram com esta postura da então secretária.

"Você não nos representa"

Autores da Globo também vieram a público depois do manifesto organizado pelos artistas. Ao todo 29 escritores se uniram em repúdio à Regina Duarte.

"Como artistas, formamos a maioria que repudia as palavras e as atitudes de Regina Duarte como Secretária de Cultura. Ela não nos representa", diz o trecho da carta, assinada por nomes como Walcyr Carrasco, Vincent Villari e Maria Adelaide Amaral, Miguel Falabella, Emanuel Jacobina, entre outros.

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