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Felipe Neto nega interesse político e diz que 'não há salvadores da pátria'

Do UOL, em São Paulo

18/05/2020 23h35

Empresário e youtuber, com mais de 39 milhões de inscritos em seu canal, Felipe Neto negou interesse em entrar para o mundo da política e disse que "não há salvadores da pátria", durante entrevista ao "Roda Viva", da TV Cultura.

"A gente não vai ter salvadores da pátria. O Bolsonaro não tem como salvar a pátria. O [ex-ministro e juiz da Lava Jato] Sergio Moro não tem como salvar a pátria e ninguém tem como, isoladamente, salvar a pátria. É importante que as pessoas assimilem isso de uma vez por todas", disse ele.

"A política vive de engrenagens, de diálogo, de convivência no ambiente político para elucidar e solucionar os problemas coletivamente. Não há salvadores da pátria, nunca irá haver dentro de uma democracia", acrescentou.

Popular nas redes sociais, e cada vez mais ativo em questões de interesse público, Felipe Neto rechaçou a ideia de se candidatar futuramente.

"Nesse momento não tenho qualquer interesse político. O 'nesse momento' é importante porque já falei tantas coisas que cravei e depois mudaram de cenário... Não me imagino virando político. Inclusive, até para acalmar os ânimos de algumas pessoas que ficam achando que tenho intenção de candidatura presidencial", pontuou.

Cenário polarizado

Felipe Neto também falou sobre o cenário polarizado e disse que tenta se manter entre os seus limites: Ciro Gomes e João Amoêdo, ex-candidatos à Presidência em 2018.

"Falei recentemente numa entrevista que a gente tem um cenário polarizado, todo mundo sabe disso, virou um Fla x Flu, um Palmeiras x Corinthians gigantesco, ou você está de um lado ou do outro, e isso prejudicou muito o debate político no Brasil. Costumo traçar meus opostos, meus limites entre o Ciro e o Amoedo, não estou dizendo que poio nem um nem outro, mas onde eu tento manter a razoabilidade humana dentro desses polos."

"Caçar gay dá votos"

Questionado sobre a atuação do prefeito Marcelo Crivella, Felipe Neto relembrou o episódio da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, quando o político chegou a proibir a distribuição da obra "Vingadores, a cruzada das crianças", que continha um beijo gay. Na época, a medida causou polêmica e motivou Felipe Neto a comprar 14 mil livros para que fossem entregues gratuitamente a crianças e adolescentes na Bienal.

"Quando se aproxima da eleição, ele decidiu fazer aquela, enfim, palhaçada na Bienal do Livro, um episódio trágico. Ele fez com um objetivo só: a gente estava se aproximando das eleições, mas ele fez aquilo para ganhar apelo popular, porque infelizmente a gente vive num país onde caçar gays dá voto, isso é terrível e verdadeiro", afirmou.

"Quando vi que ele ia censurar revistas, e estávamos falando só das HQS, vi que era necessário interromper aquela ação de alguma maneira. A única coisa que eu conseguia pensar era: a gente está diante de uma censura histórica, se nada for feito vai entrar nos livros de história como o povo que permitiu que ele fizesse isso."

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