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Criadora conta segredos de 'Batwoman', série comandada por heroína lésbica

"Batwoman" vai ao ar no canal pago HBO, às 22h das sextas-feiras - Divulgação
'Batwoman' vai ao ar no canal pago HBO, às 22h das sextas-feiras Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

15/05/2020 04h00

"Batwoman", a série dedicada à super-heroína da DC, estreou no Brasil há poucas semanas pela HBO, mas os americanos vão conferir já neste domingo o episódio final da primeira temporada da série, encurtada pela pandemia da covid-19.

O plano original era ter 22 episódios, como contou ao UOL Caroline Dries, criadora e showrunner da série.

Tinha tudo perfeito na minha cabeça. É como um lindo castelo de cartas que havíamos construído, mas a covid nos atrapalhou.

Agora, a primeira temporada da série vai acabar no episódio 20, o que, no fim das contas, não é assim tão ruim. "Conseguimos finalizar o episódio antes da paralisação e ele tem um gancho muito forte no final. Então, nos sentimos bem sortudos, considerando as circunstâncias."

Mas a pandemia não foi o único assunto do papo com o UOL. Caroline falou como é fazer a primeira série protagonizada por uma super-heroína lésbica —interpretada por Ruby Rose— e contou segredos dos bastidores, indo do uniforme usado pelo alter-ego de Kate Kane a como é fazer parte do Arrowverse, o universo compartilhado em que se encaixam ainda séries como "Arrow", "Flash" e "Supergirl".

A série é parte do Arrowverse, e a Batwoman esteve no crossover da 'Crise nas Infinitas Terras'. Como é desenvolver uma série que se conecta com tantas outras? É necessário fazer muitas concessões para que esse universo funcione?

A resposta é um grande sim. Nossa concessão foi no tom. Tentamos manter as coisas mais pés no chão, com uma pegada "true crime". Kate é uma mulher lutando contra bandidos. E, de repente, ela é amiga de uma alien que conhece outros aliens. Temos Flash e todos esses personagens com superpoderes que precisam coexistir no nosso mundo. Tentamos reunir todos esses personagens de forma orgânica, sem mexer muito no tom da série.

Acho que 'Batwoman' se beneficiou muito da 'Crise nas Infinitas Terras'. Foi difícil descobrir como encaixar nossa série no meio disso tudo, mas acho que conseguimos ser bem-sucedidos.

Ruby Rose já disse algumas vezes que 'Batwoman' é a série que ela gostaria de ter visto quando era adolescente. Quão desafiador e animador foi trazer às telas essa personagem que é parte da comunidade LGBT?

Minha sensação é muito parecida com a da Ruby. A única diferença é que eu tive uma espécie de melancolia nostálgica, quase como uma inveja de quem pode assistir à série agora.

Eu não tive nada assim, e minha vida, ou até interações sociais simples, poderia ter sido diferente se eu sentisse que me encaixava, pelo menos um pouco. E, em um paradoxo, a série não teria saído como saiu se eu tivesse tido algo como ela. Eu precisei passar pelas minhas experiências para que a série fosse o que ela é e para que, espero, outras pessoas possam se identificar com ela.

Ao longo da temporada, a Batwoman se assume publicamente para a população de Gotham. Como você decidiu de que forma mostraria essa jornada na série?

Eu achei que era uma grande contradição que Kate Kane estivesse tão confortável em sua própria pele e, ironicamente, colocasse o traje e mentisse para todos ao seu redor.

Então, me ocorreu que, claro, deveria ser um problema o fato de ela colocar o traje e basicamente voltar para o armário. É algo com o qual ela não está à vontade e com o qual ela tem que lidar. Por isso coloquei como parte da história ela se assumindo. É um grande evento para Batwoman, para a cidade e para Kate, pessoalmente. Foi uma forma de contornar algo que não estava funcionando para nós.

Em que momento você soube que Ruby era a escolha certa para interpretar Kate?

Nós fizemos todo o processo típico das audições e vimos atrizes maravilhosas. Mas Ruby tem essa força e algo que eu vou chamar de "elemento X", que a torna muito misteriosa e intrigante, que é difícil encontrar. E ela já tinha um currículo de filmes de ação, então sabíamos que ela era durona, mas na hora do teste ela mostrou também um lado vulnerável, e sabíamos que era a mistura certa.

Ruby Rose como Kate Kane em 'Batwoman' - Divulgação
Ruby Rose como Kate Kane em 'Batwoman'
Imagem: Divulgação

O traje da Batwoman também é muito icônico. Como foi trabalhar para que ele ficasse do jeito que vocês imaginavam?

Foi muito difícil fazer o traje, porque nós trabalhamos com TV aberta, e eles te dão cinco minutos para escrever, filmar e fazer o design de tudo. O traje, obviamente, precisava servir perfeitamente. E ainda havia a peruca, que é icônica nos quadrinhos. Foi difícil recriá-la de forma perfeita e fazer com que ela funcionasse, com o caimento sobre a máscara e todos os detalhes.

O uniforme e a peruca deram trabalho para a produção de 'Batwoman' - Divulgação
O uniforme e a peruca deram trabalho para a produção de 'Batwoman'
Imagem: Divulgação

Acabamos criando várias versões enquanto gravávamos e fazendo ajustes ao longo da temporada, como parte da transformação da personagem, conforme ela se assume. Também mudamos a máscara um pouco para torná-la mais confortável para Ruby. Mexemos em tudo constantemente, porque não tem como deixar perfeito antes de começar a filmar.

Muitos espectadores da série não necessariamente conhecem os quadrinhos e, para eles, a Batwoman pode não ser tão conhecida como o Batman ou a Batgirl. Você se preocupou em como introduzir a personagem também para esse público?

Sim. É bom e ruim. Nós queremos fazer jus à personagem e aos criadores dela, e manter as características que as pessoas conhecem dela nos quadrinhos. Ao mesmo tempo, isso dá muita liberdade.

Não é como o Batman, que todo o mundo sabe que os pais foram mortos.

Eu não estou mexendo com conceitos fortemente estabelecidos quando decido mudar algo. É uma vantagem, mas eu tenho gostado de usar bastante material dos quadrinhos.

Como você escolheu quais vilões você queria retratar na série? E por que fazer de Alice (alter ego de Beth Kane, irmã de Kate) a principal antagonista?

Esse era o relacionamento mais poderoso. E o fato é que essa série é um drama familiar: uma filha é uma super-heroína, uma filha é uma supervilã, e elas estão unidas por um pai que representa a lei e a ordem e se opõe às duas.

Eu queria a Alice como a grande vilã, porque ela provoca essas emoções conflituosas na jornada de Kate e a torna mais realista.

Mas eu também queria brincar com todos esses vilões coloridos e divertidos de Gotham que a DC tem, então resolvemos usar um formato de 'vilão da semana'. Alguns nós vamos ver de novo.

Rachel Skarsten é Alice/Beth Kane em 'Batwoman' - Divulgação
Rachel Skarsten é Alice/Beth Kane em 'Batwoman'
Imagem: Divulgação

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