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'13 Reasons Why' chega ao fim: relembre as polêmicas em volta da série

Hannah e Clay em "13 Reasons Why" - Netflix/Reprodução
Hannah e Clay em '13 Reasons Why' Imagem: Netflix/Reprodução

Daniel Palomares

Do UOL, em São Paulo

12/05/2020 04h00

Depois de três anos de exibição, a Netflix anunciou nesta semana que "13 Reasons Why" chegará ao fim depois de sua quarta temporada.

Com lançamento marcado para o dia 5 de junho, a série que retrata trágica história dos estudantes que tentam se recuperar após o suicídio da colega Hannah Baker foi marcada por polêmicas desde sua estreia, incluindo até mesmo o corte de uma cena do programa.

O UOL relembra, COM SPOILERS, as controvérsias em volta do seriado adolescente.

Romantização do suicídio

Um dos principais pontos apontados por quem critica a série é o da romantização do suicídio. Na primeira temporada, acompanhamos Hannah Baker deixando fitas de áudio para seus colegas, apontando por que cada um deles teria sido responsável por sua morte.

Baseada num livro de mesmo nome, "13 Reasons Why" propunha uma discussão sobre os efeitos do bullying e uma reflexão de como o comportamento de outros pode afetar um adolescente, mas essa atribuição de culpados ao suicídio foi criticada por parte dos espectadores.

A ideia de gravar fitas e deixar mensagens para os colegas depois de morta foi encarada como uma suposta glamurização e romantização do suicídio, assunto delicado para se abordar em qualquer série.

Cena cortada

Um dos momentos mais impactantes e chocantes da primeira temporada é a cena que mostra o suicídio de Hannah Baker. A filmagem trazia um close da personagem cortando seus pulsos com navalhas, dentro de uma banheira.

"Não dá para assistir de forma glamourizada. É terrível e o momento em que ela é encontrada por seus pais é destruidor", afirmou o autor do livro, Jay Asher, em entrevista a Entertainment Weekly, em 2017.

Contudo, seguindo as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde), que recomenda que cenas que retratem suicídio não sejam exibidas a fim de não incentivar outros a repetirem o ato, a Netflix cortou o trecho dos episódios.

Temas complexos ignorados

Ao longo da primeira temporada, acompanhamos a trajetória de Hannah, que, por uma série de fatores, começa a desenvolver um quadro depressivo chegando ao limite de se matar. No entanto, em nenhum momento do seriado, Hannah tem a chance de buscar ajuda especializada para tratar os sintomas da depressão.

Outros temas como a homossexualidade também foram abordados de forma pouco convincente. Na terceira temporada, Monty, um dos valentões da escola, revela um segredo: ele é gay e lutava contra sua sexualidade. Ao invés de desenvolver um arco narrativo em volta desta questão, a série acabou matando Monty, não dando chance de continuar sua história.

Outro personagem, Tyler, também se envolveu numa trama complicada na segunda temporada: ele planejou um massacre dentro da escola após ser vítima de bullying. Os colegas conseguem impedi-lo, mas o assunto não é desenvolvido ou levado ao conhecimento de adultos. Como adolescentes dariam conta de resolver com um potencial massacre em sua própria escola?

Cenas fortes e ameaça dos pais

Além da infame cena do suicídio, a série foi marcada por outros momentos controversos. Na primeira temporada, são mostrados dois estupros cometidos pelo personagem Bryce. Na segunda temporada, Tyler também é abusado dentro de um banheiro por uma gangue de valentões que o penetram com um cabo de vassoura.

As cenas gráficas foram criticadas por espectadores e até mesmo a organização Parents Television Council, um grupo de pais americano, publicou uma carta aberta para a Netflix, em 2018, pedindo a retirada de "13 Reasons Why" de seu catálogo por "conteúdo potencialmente traumatizante para crianças e adolescentes, para os quais a série é voltada como público-alvo".

Jovem se mata após assistir à série

Em 24 de junho de 2017, pouco depois da estreia da primeira temporada, a jovem americana Emily Bragg, de apenas 19 anos, se matou da exata mesma maneira que Hannah Baker.

JOY - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Emilly Bragg e a mãe, Joyce
Imagem: Arquivo pessoal

Em entrevista ao BuzzFeed americano, sua mãe, Joyce Deithorn, culpou o programa por ter influenciado na morte de sua filha. "Eu ainda tenho transtorno pós-traumático por tê-la encontrado morta. Eu realmente acredito que a série foi o que a levou ao extremo", lamentou.

Joyce considerou a decisão de retirar a cena de exibição "tardia demais". "Fico pensando no quanto eles [os envolvidos com a série] devem para as pessoas que tiraram suas vidas depois dela", refletiu.