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Angelina Jolie divulga carta aberta onde pede o fim de conflito na Síria

Angelina Jolie pede fim do conflito na Síria em carta publicada na revista Time - Michael Loccisano/Getty Images
Angelina Jolie pede fim do conflito na Síria em carta publicada na revista Time Imagem: Michael Loccisano/Getty Images

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/02/2020 17h55

A edição de hoje da revista americana Time trouxe uma carta aberta escrita por Angelina Jolie, pedindo o fim do conflito na Síria, Ela, que é embaixadora especial da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), relembrou no texto a sua primeira visita ao país, quando conheceu um garoto que teve uma perna arrancada em um ataque aéreo.

"Na época, eu esperava que histórias como a dele pudessem forçar os países ricos e poderosos do mundo a intervir para impedir a violência", disse a atriz sobre sua visita, que aconteceu em 2011. "Mas agora, quase uma década depois, isso me parece uma metáfora do próprio conflito sírio: a inocência destruída de uma geração de crianças; o dano irreversível infligido a uma sociedade secular e multiétnica; e os anos de pedidos de ajuda que ficaram sem resposta", ponderou.

Desde que a guerra na região começou, ela esteve na Síria por pelo menos 10 vezes. "No começo, as famílias que conheci eram esperançosas. Elas diziam: 'Por favor, conte às pessoas o que está acontecendo conosco', confiando que, uma vez que a verdade fosse conhecida, o mundo viria em seu socorro", frisou.

"Mas a esperança se transformou em raiva e luta pela sobrevivência: a raiva do pai que segurou seu bebê comigo, perguntando: 'Isso é terrorista? Meu filho é terrorista?' e a dor das famílias que conheci que enfrentavam escolhas diárias sobre quais de seus filhos receberiam alimentos e remédios escassos", desabafou.

No decorrer do texto, Angelina lembrou que o massacre de crianças naquela região não foi suficiente para sensibilizar àqueles que, segundo ela, são interessados na destruição da Síria. Além disso, ela comentou que nenhuma resolução internacional foi suficiente para impedir que o país fosse dizimado, que nem mesmo a ONU tem sido capaz de contar os mortos e criticou a falta de ação do governo americano.

"Isso também levanta questões fundamentais para nós, como americanos: quando deixamos de querer defender os menos favorecidos, os inocentes e os que lutam por seus direitos humanos? E que tipo de país seríamos se abandonássemos esse princípio? Hoje há muita atenção na América na autopreservação. Mas a paz é quase sempre lutada com mais força por aqueles que realmente entendem a guerra", explicou.

Por fim, ela pediu o cessar-fogo na região, e que os Estados Unidos atuem nesse sentido. "A história mostra que, quando lutamos pela libertação da Europa na Segunda Guerra Mundial, ou contribuímos para a construção da ordem global do pós-guerra, o fizemos por nossos próprios interesses - e colhemos os benefícios. Quando os Estados Unidos foram atacados em 11 de setembro, muitos países fizeram uma causa comum conosco porque conquistamos a amizade deles", escreveu a atriz vencedora do Oscar.

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